Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012

As verdades custam sempre a ouvir, mas...


À falta de melhores notícias, infelizmente, e àparte a estúpida polémica das duas Festas do Forcado, que uns defendem dever realizar-se em Évora e outros alegam que pode muito bem ser em Lisboa, fala-se agora, desde domingo, na realização de um hipotético festival taurino em Setúbal a favor dos familiares dos cinco trabalhadores tragicamente mortos na semana passada, com a queda de uma parede centenária no Mercado do Livramento. Dizem até que já há cartel formado, "à medida", com os toureiros - e se calhar mais alguns - que domingo estavam presentes no almoço da Tertúlia Setubalense, onde a brilhante ideia foi anunciada.
Mais que oportuna, a ideia é oportunista. Certamente que os pobres trabalhadores falecidos tinham seguro. Certamente que as famílias beneficiarão desse seguro - que não paga as vidas dos que morreram, mas também não exigirá um festejo taurino para minimizar a dor dos que perderam os seus entes queridos.
Pergunto: não há no meio tauromáquico entidades - e pessoas - necessitadas do nosso apoio? Mais: João Pedro Bolota e a empresa "Aplaudir", apesar de terem aceite esta ideia "de braços abertos", não terão mais que fazer - pela Festa - do que disponibilizar a praça que gerem para a oferta de um festejo a favor de cinco trabalhadores que nada tinham a ver com a Festa Brava? Por que não um festival a favor da Federação "Prótoiro"? Por que não um festival a favor do veterano forcado de Arronches que recentemente foi vítima de grave acidente e ficou numa cadeira de rodas? Por quê um festival a favor de uma causa que não tem nada a ver com os toiros? Só por oportunismo saloio, para "cair bem" e para pôr alguns toureiros a actuar? Deixem-se de brincadeiras.

Foto D.R.