segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Forcados: uma guerra e duas festas...





Miguel Alvarenga - Forcados em guerra outra vez. O trivial. Na rede social "Facebook" já há uma página a favor da Festa do Forcado em Évora, contra a de Lisboa; e outra a favor da Festa do Forcado em Lisboa, contra a de Évora.
Não conhecesse eu de ginjeira a estupidez desta gente dos bois, não soubesse eu que eles se pelam por uma guerrinha e mal sabem viver sem ela - e acharia muito estranha esta confusão. Mas não acho. É normalíssima. E sabem como vai acabar? Haverá festa em Évora e haverá festa em Lisboa, as duas serão um sucesso e dentro de um mês já não se fala mais nisso. Vai uma aposta? Mas que é uma estupidez, é.
Estou perfeitamente à vontade para abordar o assunto - como sempre estou. Mas aqui mais. Sou amigo do "Nené" (foto da esquerda) há muitos anos, mas não temos qualquer relacionamento profissional há muitos. Sou conhecido, não propriamente amigo, de Carlos Pegado (foto da direita), mas também não temos qualquer relacionamento profissional, antes pelo contrário. Ele até faz parte da tal "Cambada" anti-"Farpas" de que em tempos aqui falei. Tenho admiração e respeito pelo Rui Bento (foto de cima, gerente do Campo Pequeno), mas nem sequer nos cumprimentamos.
Primeiro ponto: Évora é tanto a capital, a catedral ou o que quiserem, do Forcado, como eu sou rei de Espanha. Foi um slogan inteligentemente lançado por Pegado enquanto foi empresário da praça de Évora. E mais nada.
Tomar, Alcochete, Santarém, Montemor, para citar apenas estas quatro, são muito maiores viveiros de bons forcados do que Évora. Sem desprimor, obviamente, pelos grandes e bons forcados nascidos na cidade-museu.
Segundo ponto: a Festa do Forcado nasceu e tornou-se referência há cinco anos em Évora, por obra e graça de Carlos Pegado, da sua empresa "Terra Brava" e do site "Tauromania", de que é co-proprietário o presidente da Associação de Forcados, José Potier.
Terceiro ponto: António Manuel Cardoso "Nené" foi durante muitos anos empresário da praça de Évora, juntamente com Rogério Amaro, e nunca ali criou uma Festa do Forcado, nem nunca baptizou a praça como catedral do forcado.
Mais: "Nené" ficou com a praça de Évora há já alguns meses e nunca anunciou que ali iria manter a tradição da Festa do Forcado. Se o tem feito, provavelmente Carlos Pegado não teria tido a ideia de a transferir para o Campo Pequeno. Ou se o fizesse, seria ele quem ficava agora mal "na fotografia".
Quarto ponto: Há cerca de dois meses, Pegado anunciou que realizaria a Festa do Forcado em Lisboa, em parceria com a empresa do Campo Pequeno. E "Nené" ficou calado. Só há uma semana veio anunciar que também faria uma Festa do Forcado em Évora e, ainda por cima, oito dias antes da de Lisboa. O que, a meu ver, denota alguma má fé, alguma agressividade da sua parte em relação a Pegado e ao Campo Pequeno.
É claro que, com isto, "Nené" grangeou algumas simpatias por parte de alguns aficionados de Évora. O português foi sempre bairrista. O eborense gosta de ter a festa em sua casa. Mas, por outro lado, abriu uma guerra desnecessária e criou mais uma daquelas confusões que se podiam evitar, mas que é sempre bom que existam, porque o pessoal dos bois não passa sem elas. E depois ainda têm a lata de dizer que quem as arranja sou eu...
Quinto e último ponto: ainda que indirectamente, a Associação de Forcados já deu a entender que é a favor da festa de Lisboa, a verdadeira, e contra a de Évora. Está hoje escrito no site "Tauromaquia", que é quase o mesmo que estar escrito no site da Associação de Forcados. Mas era bom que a Associação viesse dar a cara e viesse arbitrar esta guerra. Tem que mostrar que serve para alguma coisa e não apenas para vetar a Corrida do "Farpas" e proibir grupos de forcados de ombrear com os consagrados. Se a guerra é de forcados - mas também de empresários, por acaso ex-forcados - quem tem que ser o árbitro é a associação deles. Ou não?

Fotos Emílio e João Dinis/Arquivo