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| Uma das últimas actuações, em 1984, com o bandarilheiro Jorge Marques Foto Luis Azevedo/Estúdio Z |
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| A primeira entrevista que fiz a Mestre Batista, em sua casa, em Vila Franca, em Julho de 1979 para o semanário "A Rua" Foto D.R. |
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| Rui Salvador foi o último e um dos poucos afilhados de alternativa de Batista. Aqui, brindado-lhe uma lide em V. Franca Foto Luis Azevedo/Estúdio Z |
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| Com Bastinhas e o seu também saudoso bandarilheiro Jorge Marques Foto Luis Azevedo/Estúdio Z |

Miguel Alvarenga - As casacas usavam-se
por cima do joelho e ele passou a usá-las muito abaixo dessa medida. Parecia que ia de saias. Os cabelos
compridos. Aquele forma "meio doida", mas de uma tremenda e
arrepiante verdade, de chamar os toiros de praça a praça e com eles se reunir
ali no meio, a entrada ao piton contrário, dava a impressão que aquilo ia
chocar tudo. Eram os célebres "ferros à Batista". Paravam qualquer
coração. Respirava-se de alívio quando os cravava. Ufa!
Viera de São Marcos do Campo, ali ao
lado de Reguengos de Monsaraz. Ninguém toureava na família. Viera decidido a
marcar a diferença, numa época em que os grandes senhores do toureio a cavalo
se chamavam Mascarenhas, Núncio, Conde, Ribeiro Telles, Lupi, Cortes, Louceiro.
Reza a história que o então empresário
do Campo Pequeno, Manuel dos Santos, com o olho que tinha para descobrir e
lançar novos talentos, nele apostou com quantas forças tinha, pondo-o em Lisboa
a competir com Mestre João Núncio. Quando pela primeira vez se juntaram, Núncio
comentou no fim da corrida para Manuel dos Santos: "O gadelhas é mesmo
bom". E era.
Uns anos mais tarde contar-me-ia na
orimeira entrevista que lhe fiz, em Julho de 1979, para o jornal "A
Rua":
"Sempre que toureva no Campo Pequeno
com o senhor João Núncio, eu era o primeiro a chegar à praça. Uma hora antes já
estava a cavalo no páteo de quadrilhas. Quando o Mestre chegava, ia tudo
'agachar-se' ao beija-mão. Eu, como estava montado, era o único a quem ele
tinha que se erguer e vir cá acima para cumprimentar...".
Foi o primeiro cavaleiro a quem
chumbaram na alternativa, vá-se lá saber por quê. D. Francisco de Mascarenhas
viria depois a apadrinhá-lo na arena da Moita.
Fernando Camacho apoderou-o na fase
final e foi nesse tempo que tive a honra de mais de perto conviver com José
Mestre Batista. Era um verdadeiro delírio. Contava-me a Tininha, sua Mulher,
que quando iam ao estrangeiro passava o tempo nos museus e a comprar livros.
Talvez não parecesse, mas era um homem cultíssimo. Lia, aprendia. Adorava ir ao
cinema, desde que o filme tivesse cavalos.
No final de 1984 estivemos juntos pela
última vez no café "Arena" do Campo Pequeno. "Imagina que querem
que vá para o ano tourear ao México... e eu vou!", disse-me. Mas veio
Fevereiro, o Carnaval, uns dias passados em Zafra (Espanha) com a Mulher e o
filho João. Sofreu mais um violento ataque de asma e o coração não resistiu.
Tinha 42 anos quando morreu. Passam hoje exactamente 27 anos. Para trás ficara
uma carreira gloriosa, única mesmo, nas arenas, uma competição aguerrida com Luis
Miguel da Veiga e depois com Zoio. E sempre a mesma irreverência, o mesmo
sorriso malandreco, as mesmas graças - tinha uma graça incrível. Era um gozão
bestial. Ao pé dele estávamos sempre bem divertidos.
Muitos conheceram-no mais e melhor que
eu. Mas as vezes em que estive com José Mestre Batista, três ou quatro jantares
em sua casa em Vila Franca, muitas corridas, algumas viagens de automóvel com
Camacho (uma inesquecível para a Póvoa de Varzim) foram suficientes para ficar
com uma imagem que não esqueço mais. Não houve outro igual.
Fotos D.R.




