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| Praça cheia esta tarde em Alcochete na primeira corrida da Feira |
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| O toiro de Romão Tenório (quarto da ordem) semeou o pânico na trincheira ao saltar por duas vezes as tábuas. Em baixo, a pega do cabo Vasco Pinto ao toiro de Samuel Lupi, ao segundo intento |

Miguel Alvarenga - Praça cheia (três quartos fortíssimos) esta tarde em Alcochete na primeira corrida da Feira do Toiro-Toiro, a deixar antever um ciclo de sucesso e um êxito merecido para a empresa Toiros & Tauromaquia de António Manuel Cardoso. Artisticamente, ficou tudo meio aquém do que se esperava e até o prémio de "bravura" ficou (muito justamente) deserto neste 33º Concurso de Ganadarias, cabendo o de "apresentação" ao pesado exemplar de Romão Tenório, lidado em quarto lugar por António Telles e que de início espalhou o pânico entre tábuas ao saltar por duas vezes a trincheira.
Tarde de êxito para os Forcados Amadores de Alcochete, com pegas a cargo de Ruben Duarte (à segunda), Pedro Viegas (à primeira), Diogo Timóteo (à primeira), Fernando Quintela (à primeira), o cabo Vasco Pinto (à segunda), Nuno Santana (à primeira) e António José Cardoso (à segunda).
António Ribeiro Telles esteve encastado e com enorme garra e inspiração na lide dos toiros de Rio Frio (que se empregou) e de Romão Tenório (mansote, mas bem aproveitado pelo Maestro da Torrinha); Rui Salvador teve azar com o seu lote, enfrentou em primeiro lugar o toiro de Vale do Sorraia, algo descoordenado e que obrigou o cavaleiro a abreviar a lide e, em segundo, um mais complicado de José Samuel Lupi, com o qual esteve empenhado e esforçado, sem contudo conseguir brilhar, apesar de dois curtos com a sua marca e a sua raça; Vitor Ribeiro lidou primeiro o toiro de Passanha, com alguma qualidade e frente ao qual conseguiu uma lide séria e com ferros de grande qualidade e, em último lugar, obteve o triunfo da tarde com o toiro de Pinto Barreiros, de boa nota, estando decidido e cheio de verdade nas abordagens, deixando ferros verdadeiramente imponentes numa lide notável.
Extra-concurso, actuou o rejoneador equatoriano Sebastián Peñaherrera naquela que foi a sua segunda exibição em Portugal e a primeira a sério, frente a um codicioso novilho-toiro de Passanha. Apesar de ter acusado alguma pressão por estar na feira que estava - a mais taurina e a mais importante de Portugal - e integrado num cartel de primeiras figuras, o jovem toureiro reafirmou as qualidades que evidenciara em Setúbal. Discípulo de Pablo Hermoso e agora de Rui Fernandes - que tem, este sim, na sua quinta da Caparica uma verdadeira Academia de onde já sairam alguns cavaleiros lusos e onde "nasceu" Jacobo Botero (que em poucos anos se revelou um caso) - o jovem Peñaherrera está muito bem montado e tem sentido de lide, além de demonstrar uma rara intuição. Esteve perfeito na brega, sofreu dois violentos toques - mais por excesso de confiança do que propriamente por erro seu - e deixou ferros de excelente nota. Promete e vai dar que falar.
Tiago Tavares dirigiu com muito acerto esta primeira corrida de Alcochete, onde ao intervalo o empresário António Manuel Cardoso "Nené" foi homenageado pela Banda da sua terra.
Amanhã, não perca: todas as fotos de Emílio de Jesus.
Fotos M. Alvarenga

