sábado, 12 de novembro de 2011

Morreu um homem bom: até sempre, Celso dos Santos!



Ludgero Mendes - Faleceu na madrugada de hoje, sábado, dia 12 de Novembro, o aficionado Celso dos Santos, com 78 anos de idade, vítima de doença incurável. O corpo encontra-se em câmara ardente na Capela Mortuária de Santarém, de onde sairá o cortejo fúnebre amanhã, domindo, pelas 11 horas, com destino ao Cemitério dos Capuchos, em Santarém.
Celso dos Santos Pereira, de seu nome completo, era natural de Azambuja, mas cedo se radicou em Santarém, onde estudou e manteve a sua actividade profissional como tesoureiro no Grémio da Lavoura, que após o 25 de Abril viria a transformar-se na Cooperativa dos Agricultores de Santarém.
Desde criança, Celso do Santos se interessou pela actividade tauromáquica tendo sido toureiro amador, acompanhando de perto alguns dos toureiros de então, como eram os casos de Faustino Ferreira, Arsénio Teixeira, Eduardo Leonardo, César Marinho e Joaquim Gonçalves, tendo como mestre o Eng.º Henrique José de Oliveira.
Celso dos Santos não viria a seguir a profissão de toureiro, mas ficou para sempre relacionado com o meio taurino,. A crítica taurina foi uma das suas importantes actividades tendo sido redactor de diversos jornais regionais e produzindo na Rádio Ribatejo o programa "Ecos do Burladero", no que contava com a colaboração de Francisco Morgado.
Mais tarde, viria a ser apoderado de diversos toureiros, nomeadamente Carlos Empis, Gustavo Zenkl, Fernando Andrade Salgueiro, Emídio Pinto e João Salgueiro, onde sempre demonstrou a sua competência na condução dos destinos destes toureiros. Celso dos Santos também representou algumas ganadarias portuguesas, destacando-se a sua colaboração com o saudoso Eng.º Rosa Rodrigues, cuja ganadaria representou durante largas temporadas. Foi um dedicado colaborador de Celestino Graça nas sub-comissões taurinas da Feira do Ribatejo, onde se encarregava de organizar as entradas e largadas de toiros.
Como corolário desta sua grande experiência, Celso dos Santos - que também foi empresário, em sociedade com Rui Domingues e Carlos Empis - viria a integrar diversas Comissões Organizadoras de Corridas de Toiros na Monumental "Celestino Graça", onde uma vez mais colocou a sua competência e irrepreensível seriedade ao serviço da causa da solidariedade, pois, através da sua gestão, foi possível arrecadar largos milhares de contos para os cofres da Santa Casa de Misericórdia de Santarém. E, devemos reconhecê-lo por ser inteiramente justo, foi nas épocas em que Celso dos Santos pontificou nesta Comissão que passaram pela arena escalabitana algumas das principais figuras do toureio nacional e internacional, o que muito contribuiu para o engrandecimento e para o prestígio da Monumental de Santarém, no que vivamente se honrou a memória do saudoso Celestino Graça, de quem Celso dos Santos foi um profundo admirador.
A sua morte deixa um grande vazio entre os aficionados escalabitanos. À família enlutada, especialmente a seu filho, apresentamos a expressão das nossas mais sentidas condolências.


Foto D.R.