Ludgero Mendes - Faleceu na madrugada de hoje, sábado,
dia 12 de Novembro, o aficionado Celso dos Santos, com 78 anos de
idade, vítima de doença incurável. O corpo encontra-se em câmara ardente na
Capela Mortuária de Santarém, de onde sairá o cortejo fúnebre amanhã, domindo,
pelas 11 horas, com destino ao Cemitério dos Capuchos, em Santarém.
Celso dos Santos Pereira, de seu nome
completo, era natural de Azambuja, mas cedo se radicou em Santarém, onde
estudou e manteve a sua actividade profissional como tesoureiro no Grémio da
Lavoura, que após o 25 de Abril viria a transformar-se na Cooperativa dos
Agricultores de Santarém.
Desde criança, Celso do Santos se
interessou pela actividade tauromáquica tendo sido toureiro amador,
acompanhando de perto alguns dos toureiros de então, como eram os casos de
Faustino Ferreira, Arsénio Teixeira, Eduardo Leonardo, César Marinho e Joaquim
Gonçalves, tendo como mestre o Eng.º Henrique José de Oliveira.
Celso dos Santos não viria a seguir a
profissão de toureiro, mas ficou para sempre relacionado com o meio taurino,. A
crítica taurina foi uma das suas importantes actividades tendo sido redactor de
diversos jornais regionais e produzindo na Rádio Ribatejo o programa "Ecos
do Burladero", no que contava com a colaboração de Francisco Morgado.
Mais tarde, viria a ser apoderado de
diversos toureiros, nomeadamente Carlos Empis, Gustavo Zenkl, Fernando Andrade
Salgueiro, Emídio Pinto e João Salgueiro, onde sempre demonstrou a sua
competência na condução dos destinos destes toureiros. Celso dos Santos também
representou algumas ganadarias portuguesas, destacando-se a sua colaboração com
o saudoso Eng.º Rosa Rodrigues, cuja ganadaria representou durante largas
temporadas. Foi um dedicado colaborador de Celestino Graça nas sub-comissões
taurinas da Feira do Ribatejo, onde se encarregava de organizar as entradas e
largadas de toiros.
Como corolário desta sua grande
experiência, Celso dos Santos - que também foi empresário, em sociedade com Rui
Domingues e Carlos Empis - viria a integrar diversas Comissões Organizadoras de
Corridas de Toiros na Monumental "Celestino Graça", onde uma vez mais
colocou a sua competência e irrepreensível seriedade ao serviço da causa da
solidariedade, pois, através da sua gestão, foi possível arrecadar largos
milhares de contos para os cofres da Santa Casa de Misericórdia de Santarém. E,
devemos reconhecê-lo por ser inteiramente justo, foi nas épocas em que Celso
dos Santos pontificou nesta Comissão que passaram pela arena escalabitana
algumas das principais figuras do toureio nacional e internacional, o que muito
contribuiu para o engrandecimento e para o prestígio da Monumental de Santarém,
no que vivamente se honrou a memória do saudoso Celestino Graça, de quem Celso
dos Santos foi um profundo admirador.
A sua morte deixa um grande
vazio entre os aficionados escalabitanos. À família enlutada, especialmente a
seu filho, apresentamos a expressão das nossas mais sentidas condolências.
Foto D.R.
