domingo, 14 de junho de 2015

Pablo Hermoso encheu Reguengos e galvanizou o público!

Estava assim a praça de Reguengos
Ontem, Reguengos foi praça cheia. Pablo era o atractivo número-um. Valeu o
esforço e teve frutos o empenho dos dinâmicos empresários Vasco Durão e Rui
Gato Rodrigues. Não é assim tão difícil encher praças em Portugal...
Nem a chuva, nem o jogo da Selecção impediram ontem uma enchente na praça
de Reguengos. Às grandes corridas, o público vai... chova ou faça sol, jogue ou
não jogue o Ronaldo...
A praça de Reguengos peca por acessos altamente deficientes, o que motivou
filas infindáveis na rua para entrar e chegar aos lugares... Mas ninguém arredou pé!
Bancadas cheias, ambiente enorme ontem em Reguengos
O quarto toiro da tarde era um toiro "de bandeira" e António Telles foi autor
de uma actuação enorme, de classe e maestria, que galvanizou quem gosta de ver
tourear bem a cavalo
Pablo Hermoso de Mendoza encheu a praça de Rguengos no seu regresso
ao Alentejo e continua sendo o toureio mais "taquillero" em Portugal
Foto Juan Andrés H. Mendoza
Miguel Moura em tarde grande, no seu segundo toiro
Forcados do consagrado Grupo de Montemor executaram rijas pegas
O Grupo de Monsaraz foi uma agradável e positiva surpresa
Praça cheia, ontem em Reguengos. Resultado de um cartel montado com aficion
e cheio de motivos de interesse, sem "mais do mesmo"...


Miguel Alvarenga - Praça cheia, à cunha mesmo, ontem em Reguengos de Monsaraz. Nem a chuva, que se fez sentir "à grande" antes da corrida, nem o jogo da Selecção afastaram público da praça "José Mestre Batista", o que prova, uma vez mais, que não é assim tão difícil encher praças em Portugal e no momento actual: basta, apenas e só, apresentar cartéis apelativos, com interesse e que motivem o aficionado - que foi exactamente o que propuseram os dinâmicos empresários Vasco Durão e Rui Gato Rodrigues, conseguindo enchar Reguengos. O atractivo número-um era o regresso ao Alentejo de Pablo Hermoso de Mendoza e uma vez mais, também, se confirmou a enorme empatia que existe entre o público português e a classe, a arte e o espectáculo único que proporciona o rejonedor navarro. Encheu Reguengos, galvanizou o público, sobretudo no segundo toiro que enfrentou e deixou claro, se dúvidas houvesse, que continua a ser o toureiro mais "taquillero" da actualidade entre nós. O barato sai caro, saíu sempre, e infelizmente ainda há empresários (tantos) que não entenderam que montar cartéis banais, com os mesmos de sempre, deixa as praças vazias... Pablo de volta ao Alentejo e pela primeira vez na terra de Mestre Batista, em competição com o clássico Telles e o modernista Miguel Moura, foram razões mais que suficientes para que o público se tenha estado nas tintas para o mau tempo e para o jogo de futebol que se disputava à mesma hora e tivesse acorrido, em peso e em força, às bancadas da praça de Reguengos... bonita, caristmática, bem cuidada, mas - há que dizê-lo - de acessos incríveis, uma portinhola mínima em cada sector e poucas portas de acesso aos sectores, praça tipo da pré-história, do tempo dos Flinstones, o que motivou, em tarde de enchente, filas infindáveis para entrar e chegar aos lugares...
Artisticamente, a corrida valeu sobretudo pela segunda parte. Na primeira, António Ribeiro Telles esteve apenas regular; Pablo Hermoso levou dois valentes "bombazos" e emendou-se de seguida, levantando as bancadas com a "hermosina" fantástica, ladeando na cara do oponente, ora vira para a esquerda, ora vira para a direita, levando o público ao rubro; e Miguel Moura lidou o toiro mais complicado, fazendo o que pôde para agradar.
Depois do intervalo, as coisas mudaram de figura. António Telles esteve no seu máximo, com um toiro "de bandeira", bravo e nobre, que se arrancava de todos os lados ao cite do cavaleiro. António lidou-o inteligentemente, sacou-lhe todo o partido, deu-lhe prioridade, deixou-o vir e o resultado foi uma lide fantástica, "à Telles", de tremenda classe e maestria, com ferros à antiga e primor nos remates, enchendo as medidas a quem gosta de ver tourear bem a cavalo.
Pablo Hermoso de Mendoza recebeu o seu segundo toiro com o famoso "Chrumumay", galvanizou o público com o extraordinário "Berlin" e depois empolgou tudo e todos com o elástico e poderoso "Ícaro". Destacou-se sobretudo a lidar, a bregar, no bailado de maravilha que sempre proporciona, um espectáculo à parte e único com que conquista o público, mercê da sua fabulosa equitação, das incríveis montadas que exibe e do grande toureiro que é.
Miguel Moura respondeu, a fechar a corrida, com uma actuação "à Moura". O toiro proporcionou todas as qualidades para a prática do toureio mourista e Miguel esteve em grande nível na brega, na eleição de terrenos, na cravagem de ferros ousados, nos "desplantes" finais com o cavalo que morde, sem deixar morder, apenas "ameaçando", para gáudio do público, que se levantou entusiasmado a aplaudir a arte e a irreverência do jovem cavaleiro.
De apresentação q.b., os toiros espanhóis de Luis Terrón sairam à medida para a arte dos três cavaleiros e deixaram-se lidar sem complicar. Não foram demasiado dóceis, mas também não transmitiram uma emoção por aí além. Foi tudo q.b. e de uma coisa não temos dúvidas: há corridas chatas e maçadoras, que nos dão sono e esta não foi nada disso. Teve ritmo, teve triunfos e o público saíu satistfeito, prosseguindo no final e em redor da praça o enorme ambiente que se tinha sentido antes.
Houve pegas rijas e pegas duras por parte dos dois grupos participantes. Pelos de Montemor foram caras João Romão (que não esteve fantástico, concretizando à terceira), Manuel Ramalho (numa grande pega ao primeiro intento) e Francisco Barreto (também à primeira e muito bem). Muito bem, como sempre, o grande Francisco Godinho a rabejar merecedor de vibrantes aplausos.
Menos rodado e menos afamado, mas constituindo uma agradável surpresa, esteve o Grupo de Monsaraz. Ricardo Cardoso pegou o segundo toiro da tarde, complicado, à terceira e com ajudas carregadas, Armando Martins fez uma grande pega à primeira e a corrida fechou com outra louvável pega de Luis Rodrigues ao primeiro intento, destacando-se o grupo pelas excelentes ajudas.
Como é seu timbre, a corrida foi muito bem dirigida, com acerto e aficion, por Agostinho Borges, antigo e lembrado forcado dos Amadores de Montemor. E venham mais corridas como a de ontem em Reguengos, que tardes destas só engrandecem a Festa!

Amanhã, aqui no "Farpas", não perca a grande foto-reportagem de Maria João Mil-Homens: os melhores momentos da corrida, as pegas uma a uma, os Famosos que estiveram em Reguengos, o ambiente grande que se viveu antes, durante e depois da corrida.

Fotos Maria João Mil-Homens