Miguel Alvarenga - Dois terços das bancadas bem preenchidos na tradicional corrida das Festas de Santo António que ontem à noite se realizou na praça da Terrugem (Elvas), uma organização do empresário Arnaldo Santos (Derechazo), que foi mesmo por diante e sem quaisquer problemas, apesar dos boatos que correram na véspera e que indicavam a suposta ausência dos toiros de Canas Vigouroux. Na verdade, faltaram três, mas não pelos motivos que tinham sido alegados, entrando três de Manuel Veiga. Os Veigas - de melhor nota que os Canas - sairam na primeira parte.
Francisco Cortes andou apenas regular numa lide que se baseou em sortes à meia volta, rubricando depois no quarto da ordem uma actuação mais consistente, com algumas falhas, mas bons ferros curtos em que citou de praça e praça, deu prioridade ao toiro e procurou realizar um toureio de verdade e emoção.
Ana Batista esteve em grande frente ao segundo toiro da noite, realizando uma lide sempre em crescendo e com bonitos pormenores de brega, cravando emotivos ferros. No seu segundo, um toiro de Canas Vigouroux que se refugiou em tábuas, fez os possíveis e os impossíveis, arriscou ao pisar terrenos de alto compromisso, sofreu um toque violento, mas não pôde brilhar por falta de matéria prima.
João Moura Caetano andou aprumado e templado frente ao terceiro toiro, sobressaindo em recortes de muita arte. O último era outro Canas mansote e fechado em tábuas e o valoroso cavaleiro fez tudo, mas tudo mesmo, o que estava ao seu alcance para conseguir cumprir a ferragem, valendo-se dos seus fantásticos cavalos.
Pegaram pelos Amadores de Montemor os forcados Luis Valério (à primeira), Manuel Dentinho (à terceira) e Francisco Byssaia Barreto (à primeira). Pelo Grupo de Monforte, foram caras Luis Samarra (à primeira), Carlos Pinhel (à segunda) e Diniz Pacheco, num valoroso pegão, a dobrar André Xerepe, que saiu lesionado após duas tentativas. O forcado foi assistido na enfermaria e posteriormente transportado ao hospital para ser tratado de uma ferida na boca, mas sem qualquer lesão grave.
Destaque para o excelente desempenho dos bandarilheiros Domingos Prates, Pedro Vicente e Filipe Gravito, Sérgio "Parrita" e Pedro Paulino "China".
Agostinho Borges foi ontem o diligente director de corrida, com alguma polémica a envolver a sua actuação, por não ter permitido, nos quinto e sexto toiros, a volta à arena a Ana Batista e a Moura Caetano. Ambos se esforçaram e tiveram lides de grande valor frente a dois toiros que acusaram excessiva mansidão e se fecharam em tábuas, dificultando-lhes o labor. As actuações de um e de outro valeram pelo empenho, pelo esforço, pela entrega e pela utilização de todos os recursos para tentarem sacar o que os toiros não tinham para dar. Tiveram valor, mas não tiveram brilho - e uma volta à arena só tem sentido quando a lide tem brilho. Por isso, Agostinho esteve bem - e esteve correcto das suas decisões.
Menos correcto esteve o director ao permitir, nos três primeiros toiros, a volta à arena das duas meninas vestidinhas a rigor e que insistem em saltar às praças para entregar flores aos toureiros e forcados e depois fazem questão de os acompanhar a dar a volta e até se dão ao luxo de agradecer aplausos. Isto é um espectáculo sério onde se não deviam permitir intromissões destas. Por muito aficionadas que as meninas sejam...
Antes do início da corrida (foto ao lado) foi descerrada no páteo de quadrilhas da praça uma placa evocativa dos 20 anos de alternativa de Francisco Maldonado Cortes - a quem os companheiros de cartel e os dois grupos de forcados brindaram.
Foto Ana de Alvarenga
