
Álvaro Covões excedeu-se. O preço do aluguer da praça do Campo Pequeno para uma tourada é mais de 11 mil euros superior ao valor que a Plateia Colossal cobra para outro tipo de espectáculos. O caderno de encargos do concurso para as seis corridas da temporada cheira a presente envenenado...
Miguel Alvarenga - O valor exigido pela Plateia Colossal, nova empresa do Campo Pequeno, para o aluguer da praça para cada uma das seis touradas da temporada 2020, cujo caderno de encargos saíu esta semana e já terá sido levantado por alguns empresários, é mais de 11 mil euros do que aquele que Álvaro Covões (foto ao lado) cobra para qualquer outro evento na "sua" arena.
O site infocul.pt, do jornalista Rui Lavrador, questionou outras entidades que ali realizam espectáculos de outra índole (concertos ou outro tipo de eventos) sobre o valor de aluguer da sala e revelou que, em média, este situa-se nos 18 mil euros.
Ou seja, ao estipular em 29.850 euros (mais IVA) o preço do aluguer do Campo Pequeno para cada uma das seis corridas nas seis datas que disponibilizou e pôs a concurso (entre a segunda quinzena de Junho e a primeira semana de Setembro), Álvaro Covões inflaccionou em mais de 11 mil euros o valor que cobra habitualmente para a realização de outros espectáculos. Por outras palavras: os taurinos que paguem a crise?...
Nos últimos anos a Direcção de Tauromaquia do Campo Pequeno sempre pagou também à Administração de Insolvência pelo aluguer da praça para a realização das corridas de toiros e os valores, ao que sabemos, rondavam os 10 mil euros.
O valor substancialmente inflaccionado agora pela empresa Plateia Colossal pode representar uma "armadilha" para a Festa de Toiros ou, pelo menos, um presente envenenado.
Inteligentemente, reconheça-se, Álvaro Covões passou a bola para os taurinos e não ficou ele com a imagem e o odioso de ter sido o "Coveiro" que acabou com as touradas no Campo Pequeno. Mas esta diferença abismal do valor do aluguer da praça para espectáculos taurinos e para espectáculos não taurinos, que não tem lógica e não faz sentido, revela claramente que Covões pretende "dificultar a vida" à continuidade das corridas na primeira praça do país. Abriu o concurso, deu a entender que por ele as touradas não vão acabar no Campo Pequeno, mas tudo isto pode significar, na realidade, uma tentativa de anunciar o princípio do fim.
Resta agora saber se face a uma afronta destas, os empresários taurinos vão cruzar os braços - ou agir. Lisboa não pode ficar sem touradas! Seja a que preço for.
Fotos Guilherme Alvarenga e D.R.
