Julian Alonso é, neste momento, o empresário que em Espanha mais categoria está a dar ao rejoneio (toureio a cavalo), num momento inexplicável em que empresas importantes como as de Sevilha e Madrid reduziram drasticamente o número de festejos com cavaleiros. Histórico taurino, empresário e apoderado, Julian Alonso já dirigiu as carreiras de grandes figuras do rejoneio, entre as quais Diego Ventura e Fermín Bohórquez e também de muitos cavaleiros portugueses. Hoje apodera João Moura Caetano e também o rejoneador Pérez Langa. Nesta entrevista exclusiva ao “Farpas”, o empresário afirma que no seu país “estão a menosprezar o rejoneio e a faltar ao respeito aos seus profissionais”. Para ler e meditar.
Entrevista de Miguel Alvarenga
- Julian, que se passa com o rejoneio em Espanha? Uma só corrida na Feira de Abril em Sevilha e apenas duas (das habituais quatro) pelo Santo Isidro em Madrid…
- Eu penso, na minha modesta e humilde opinião, que se está a menosprezar o rejoneio e que, a partir daí, e sobretudo, se está a faltar ao respeito aos seus próprios profissionais… tu me dirás...
- Concordo em absoluto. Mas você continua a apostar forte nas corridas de rejoneio, como já o fez no ano passado e apesar da pandemia, sendo actualmente o mais importante empresário promotor de corridas de toureio a cavalo em Espanha. Algum motivo especial para o fazer?
- Miguel, eu não me considero mais que um humilde homem que aposta no rejoneio, porque o rejoneio também já me deu muito a mim.
- Só Rui Fernandes, Ana Rita e Moura Caetano (por si apoderado) se anunciam em corridas de rejoneio neste momento em Espanha. As empresas não estão a contratar cavaleiros lusos por que razão?
- Não sei o motivo, se é que existe algum motivo, só te posso dizer que dos três que mencionaste, pelo menos dois são já grandes figuras consagradas do toureio a cavalo e têm cabimento em qualquer lugar e em qualquer praça.
| Julian Alonso há uns anos em Vila Franca quando acompanhava a carreira de Diego Ventura |
| Julian Alonso com o super-empresário Simón Casas |
- Praça esgotada em Atarfe e cheia em La Palma comprovam o interesse da aficion pelas corridas de rejoneio?
- O público em geral está com ganas de toiros e este é o momento de apostar… Mas é uma pena que não seja uma aposta comum de todos, remando na mesma direcção, e por isso entendo que, por parte de alguns, deveria haver mais humildade e maior sensatez e as duas coisas levariam a que fossem reconhecidos como grandes disto!
- Praticamente em todas as corridas por si promovidas surge anunciada a ganadaria de El Canario. É uma ganadaria com garantias de êxito para o toureio a cavalo?
- A ganadaria de El Canario é uma ganadaria de encaste Murube que, sob o meu ponto de vista, está muito definida desde há muito tempo.
- Tentaria promover um mano-a-mano entre Pablo Hermoso de Mendoza e Diego Ventura?
- Esse mano-a-mano e muitos outros com outros rejoneadores, bem como corridas de seis cavaleiros e, inclusivé, corridas de quatro com as correspondentes “colleras” (lides a duo) que sempre foram do gosto do público… É o momento de se abrir e se realizar tudo isso… Toma conta, Miguel, de que estamos a vir de um antes e agora iniciamos… um depois. Mas insisto, para isso temos que remar todos na mesma direcção. E essa direcção tem que ser marcada pela sensatez e o sentido comum. Nada mais, o resto são, no final, situações negativas para os interessados em particular e para o rejoneio em geral.
| O famoso taurino espanhol é actualmente apoderado do cavaleiro João Moura Caetano (foto) e do espanhol Pérez Langa |
Fotos M. Alvarenga