A procissão ainda agora vai no adro, mas aquela que é já conhecida como a Guerra das Trincheiras promete agitar o mundo tauromáquico nos próximos tempos.
Empresários, toureiros, ganadeiros e sobretudo os repórteres fotográficos estão à beira de um ataque de nervos depois de a Inspecção-Geral das Actividades Tauromáquicas (IGAC) ter decidido, ao que consta, à revelia das associações do sector, modificar - a meio da temporada - as normas de permanência de pessoas nas trincheiras das praças de toiros, fazendo voltar às restrições impostas nos dois anos da pandemia.
O despacho da IGAC já foi publicado e permite a presença de fotógrafos nas trincheiras em apenas quatro praças de toiros, as de Lisboa, Vila Franca, Santarém e Beja, desconhecendo-se qual foi nesta avaliação o critério da IGAC. Nas outras praças, umas estão totalmente interditas aos repórteres (na trincheira), outras depende das situações. Se a corrida for, por exemplo, de seis cavaleiros, o que aumenta o número de presenças na teia, aí os fotógrafos são obrigados a ir para a bancada...
Também as creditações dos repórteres fotográficos, que até aqui eram solicitadas à empresa promotora do espectáculo, passam agora a ter que pedidas à própria IGAC, com cinco dias de antecedência em relação à corrida.
Já há fotógrafos que ameaçam "não mais fotografar nas corridas" e que consideram as novas regras da IGAC como "um atentado à liberdade de Imprensa e ao direito de informar", havendo até quem afirme que se trata de "um atentado anti-taurino" para "prejudicar a Tauromaquia e evitar a publicação de imagens das corridas de toiros".
Mas não são apenas os repórteres fotográficos que se sentem prejudicados e ameaçados pelas novas normas decretadas a meio da temporada pela IGAC.
Também os ganadeiros, que tinham direito a duas senhas de trincheira e passam agora a ter apenas uma; os próprios empresários promotores das corridas, que tinham cinco senhas de trincheira e as vêem agora reduzidas a duas; e também os artistas (cavaleiros, espadas e forcados), que até aqui tinham quatro senhas para acesso à teia e agora passam a ter só duas.
A IGAC justifica estas novas medidas, que estão a agitar o meio tauromáquico em geral, pelo facto de ter detectado (antes nunca dera por isso?...) que "existem praças de toiros dotadas de espaços entre barreiras, cujas condições e largura da teia exíguas, reflectem-se numa acumulação excessiva de pessoas entre barreiras, sendo susceptível de fazer perigar, nomeadamente, a actuação dos artistas", alegando que é preciso "privilegiar a presença dos elementos que, efectivamente, são absolutamente indispensáveis a permanecerem naquele espaço, em detrimento daqueles em que há outras alternativas possíveis para desenvolverem a sua actividade dentro do recinto".
Até ao momento, não foi ainda conhecida nenhuma tomada de posição por parte da Associação Portuguesa de Empresários Tauromáquicos e da Associação Nacional de Toureiros, ou das associações de Forcados e de Ganadeiros, sobre as novas regras impostas pela IGAC nas trincheiras.
Fotos D.R. e M. Alvarenga

