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| Setembro de 2014 no Cartaxo: foi um delírio... e não toureava há 24 anos! |
Nascido há 69 anos em Coruche, Carlos Alberto da Conceição frequentou as escolas de toureio de António Cadório e a dos irmãos Badajoz, desde muito cedo revelando qualidades que haveriam de o tornar em pouco tempo um dos mais finos muleteros da nossa história.
No mundo taurino ficou conhecido por Parreirita Cigano e os aficionados que o seguiam naqueles anos de 70 e 80 em que, como novilheiro, formou destacada parelha com António de Portugal, jamais esquecem "a mão esquerda do gitano" que desenhava arte e demonstrava um temple de arrepiar em todas as praças.
Parreirita Cigano apresentou-se pela primeira vez em público na Monumental de Santarém em 5 de Junho de 1975. A 6 de Outubro desse ano, foi tal a loucura que provocou na "Palha Blanco", em Vila Franca, que obrigaram a dar quatro voltas à arena. E a 31 de Outubro de 1976, de novo na praça vilafranquense, estoqueou toiros de Tomás da Costa juntamente com José Júlio, Armando Soares e António de Portugal num festejo a favor da construção do mausoléu do saudoso José Falcão. Registe-se a particularidade de o famoso matador de toiros Vitor Mendes, ao tempo bandarilheiro, ter integrado a sua quadrilha.
Depois de uma promissora trajectória como novilheiro, em que chegou a ser apoderado pelo histórico taurino espanhol "El Pipo", o homem que descobriu o famoso "El Cordobés", Parreirita tomou a alternativa de matador de toiros (foi o 28º dos matadores nacionais) na localidade espanhola de Almonaster La Real em 15 de Agosto de 1992, apadrinhado pelo também matador português Manuel Moreno, com o testemunho de Francisco Campos Peña, com toiros de Jiménez Alarcón. A 12 de Setembro apresenta-se como matador na praça do Cartaxo, mano-a-mano com António de Portugal, mas depois e por vicissitudes diversas, fica mais de vinte anos afastado das arenas.
A 20 de Setembro de 2014, 24 anos depois de ter toureado pela última vez, reaparece numa célebre corrida no Cartaxo ao lado dos cavaleiros João Moura, Rui Salvador e do seu próprio filho, que também se anuncia nos cartazes como Parreirita Cigano.
Com mais vinte e quatro anos em cima e com quase mais vinte quilos também, a expectativa dos aficionados é enorme - e Parreirita não desilude ninguém. Enfrenta um toiro com cinco anos e 600 quilos e parecia que o tempo não tinha passado por ele. A magia da mão esquerda ainda fazia milagres. Foi um delírio. Depois dessa corrida histórica, toureou ainda um festival também no Cartaxo e outro em Azambuja no final dessa temporada e voltou a mostrar que quem sabe não esquece nunca.
Doze anos depois, agora com 69 anos, Parreirita Cigano quer voltar a surpreender a aficion e a demonstrar que o sangue gitano e a arte lhe estão ainda nas veias e na alma.
"Estou preparado e quero tourear pelo menos mais dois anos, até fazer uma despedida. Estou pronto para ir a Madrid, a Sevilha, a Lisboa, onde tiver que ser. E garanto que corto as orelhas!" - afirma, convicto, com a mesma raça e a mesma decisão de sempre.
Parreirita tem estabelecido alguns contactos, sabemos que já há pelo menos duas empresas interessadas em chegar a um acordo com o toureiro - que por enquanto não tem um apoderado, mas pode em breve vir a surpreender também nesse aspecto.
Parreirita Cigano pode tomar parte em um ou dois festivais e tourear nesta temporada pelo menos duas corridas em praças importantes.
Vamos aguardar por mais notícias.
Fotos Fernando Clemente/www.parartemplarmandar.com
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| Em 2014 de novo no Cartaxo e em Azambuja: a magia eterna da mão esquerda |



