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| ... e só Padilla cruzou a porta grande e chegou à rua em ombros! |

Miguel Alvarenga - Embora passeado em
ombros na arena, no final da corrida de ontem na Moita, juntamente com o
espanhol Juan José Padilla, com quem toureava mano-a-mano na primeira corrida
da Feira Taurina local, Pedrito de Portugal foi impedido pelo presidente da
Sociedade Moitense de Tauromaquia (peoprietária da praça), Pedro Brito de Sousa, de sair em glória
pela porta grande - que foi apenas e só aberta a Padilla.
O caso está a criar grande polémica e o
próprio Pedrito, pela voz do seu bandarilheiro de confiança Pedro Gonçalves, em
declarações ao "Farpas", acusou Brito de Sousa de ser
"anti-taurino" e de ontem ter "cometido um atentado contra o
toureio a pé em Portugal".
Fomos ouvir os protagonistas da polémica
- Pedro Brito de Sousa; o director da corrida de ontem, Dr. Rogério Jóia; e
Pedrito de Portugal que, como atrás referimos, nos fez chegar a sua reacção e a
sua versão dos factos através de Pedro Gonçalves.
Regulamento omisso quanto às saídas em
ombros
Enquanto em Espanha e noutros países
taurinos, o corte de duas orelhas permite aos artistas, na maior parte dos
casos, a saída em ombros pela porta grande da praça de toiros, em Portugal o
Regulamento Tauromáquico, quer na sua versão anterior, quer na actual, é
claramente omisso sobre esse aspecto.
Compete, na nova lei, ao director de
corrida autorizar as voltas à arena, mas não há qualquer referência na lei às
competências que possibilitem a um artista sair em ombros pela porta grande.
Assim sendo, algumas praças - casos do
Campo Pequeno e da Moita - têm o seu próprio regulamento quanto à concessão
dessa honraria ao artista e noutras isso nem existe, dependendo a saída aos
ombros do entusiasmo do público no momento.
No Campo Pequeno, por exemplo, e depois
de o caso ter dado origem a muita polémica em temporadas anteriores, a empresa
decidiu este ano que a porta grande seria aberta sempre que um artista
(toureiro ou forcado, como em Julho aconteceu com o matador "El Juli"
e depois com António Goes, forcado dos Amadores de Santarém) fosse premiado com
três voltas à arena numa mesma lide.
Na Moita e como está bem explícito no
regulamento interno e no próprio caderno de encargos entregue às empresas que
se candidatam à adjudicação da "Daniel do Nascimento", a abertura da
porta grande é da inteira e total competência da Sociedade Moitense de
Tauromaquia, a proprietária da praça. Como, em dia de corrida, não existe tempo
útil para convocar uma Assembleia-Geral e proceder a votação, a decisão está na
mão do presidente da SMT, o antigo forcado Pedro Brito de Sousa - que foi
precisamente quem ontem negou tal honraria a Pedrito, depois de a haver
concedido a Padilla.
Pedrito magoado, acusa Brito de Sousa
Pedro Gonçalves, há vários anos
bandarilheiro de confiança de Pedrito de Portugal, transmitiu ao
"Farpas" a reacção e o sentimento do matador, acusando Brito de Sousa
de "ser anti-taurino e ontem ter cometido um atentado contra o toureio a
pé em Portugal" ao negar ao toureiro que acompanhasse Juan José Padilla na
triunfal saída em ombros pela porta grande da praça "Daniel do
Nascimento".
"No final da corrida, o Pedrito foi
passeado em ombros na arena juntamente com o Padilla - que só veio à Moita por
consideração e amizade ao Pedrito, é bom que se ressalve isso - e quando chegou
à porta grande, o Pedro Brito de Sousa mandou-o apear-se e não lhe permitiu que
também saísse em ombros, quando o público o exigia", diz.
"O que esse senhor quis foi
protagonismo, mas cometeu um grande atentado contra o nosso toureio a pé,
apenas permitindo ao matador espanhol que saísse em ombros da Moita. O próprio
director de corrida Rogério Jóia autorizara o Pedrito a sair em ombros e o
presidente da Sociedade Moitense de Tauromaquia não o respeitou",
acrescenta.
Brito de Sousa: "Pedrito queria
boleia de Padilla!"
Para Pedro Brito de Sousa, "o
Pedrito não teve mérito para sair em ombros e pretendeu ir à boleia de Padilla,
mas estava previamente avisado por mim de que não estava autorizado a sair em
ombros".
"Eu próprio disse no final da
corrida ao seu bandarilheiro Pedro Gonçalves que o Pedrito não ia sair em
ombros e ele alegou que o matador dera duas voltas à arena... ao que eu
respondei: nem que tivesse dado dez!", acrescenta o presidente da
Sociedade Moitense de Tauromaquia.
"Está devidamente escrito e
claramente legalizado no nosso regulamento interno e no próprio caderno de
encargos dos concursos para adjudicação da praça, por isso todos o sabem, que
quem autoriza as saídas em ombros na praça da Moita, bem ou mal, gostem ou não
gostem, é a Sociedade Moitense de Tauromaquia. O Regulamento Tauromáquico é
omisso quanto a isso e o director de corrida não tem, por isso, nenhuma palavra
a dizer sobre o assunto. Autoriza ou não as voltas à arena, mas não tem que
autorizar ou não autorizar a saída em ombros. E a verdade é que nada tenho contra
o Pedrito, não preciso de nenhum protagonismo, já tive o meu enquanto fui
forcado, a única realidade é que ele ontem não teve méritos para sair em
ombros e o Padilla teve-os, ponto final. Tudo o mais que se diga e se escreva
não passa de um folhetim sem nexo...", adianta Pedro Brito de Sousa.
E sobre o facto de Pedrito também ter sido passeado em ombros no final da corrida, com Padilla, rematou:
"Não é verdade, como agora estão a querer fazer crer, que o público tivesse exigido também a saída em ombros de Pedrito. O Pedrito foi passeado em ombros na arena porque o seu bandarilheiro Pedro Gonçalves organizou esse número, apesar de previamente avisado por mim de que o toureiro não sairia em ombros pela porta grande. O que ontem aconteceu foi que o Pedrito quis aproveitar a boleia de Padilla para também sair pela porta grande e a Sociedade Moitense de Tauromaquia, que é quem autoriza ou não a saída em ombros, não lho permitiu. Mais nada".
Rogério Jóia: "Não autorizei, nem podia, saída em ombros"
E para acabar de vez com a polémica,
ouvimos também o Dr. Rogério Jóia, que ontem foi o director de corrida e hoje
volta a sê-lo na novilhada da Moita - e que começou por desmentir as
declarações de Pedro Gonçalves:
"Não autorizei o Pedrito a sair em
ombros, nem o podia ter feito porque não tenho competências para o fazer. O
Regulamento Tauromáquico não faz qualquer referência às saídas em ombros e ao
director de corrida compete apenas autorizar ou não as voltas à arena e não a
abertura da porta grande. Há praças, casos do Campo Pequeno e da Moita, que
estabeleceram os seus critérios quanto à abertura da porta grande e à saída em
ombros dos artistas - e ontem foi o que aconteceu. Quem decide na Moita se um
artista sai em ombros e porque é assim que está estabelecido desde a primeira hora e todos são conhecedores disso, é a Sociedade Moitense de Tauromaquia, no caso concreto o
seu presidente. E Pedro Brito de Sousa não permitiu que Pedrito saísse aos ombros".
PS - Esta notícia foi actualizada às 14h31 por, na primeira versão, ter havido um lapso na edição e se terem atribuído ao director de corrida Rogério Jóia declarações que pertenciam, efectivamente, a Pedro Brito de Sousa, presidente da Sociedade Moitense de Tauromaquia. Pelo lapso, apresentamos desculpas a Pedro B. Sousa e a Rogério Jóia - e já rectificámos devidamente o texto
PS - Esta notícia foi actualizada às 14h31 por, na primeira versão, ter havido um lapso na edição e se terem atribuído ao director de corrida Rogério Jóia declarações que pertenciam, efectivamente, a Pedro Brito de Sousa, presidente da Sociedade Moitense de Tauromaquia. Pelo lapso, apresentamos desculpas a Pedro B. Sousa e a Rogério Jóia - e já rectificámos devidamente o texto
Fotos Emílio de Jesus e Maria Mil-Homens




