quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Bronca na Moita: falam os protagonistas

No final da corrida, Pedrito de Portugal foi passeado em ombros na arena, ao
lado de Juan José Padilla, mas quando se preparava para sair pela porta
grande foi impedido de o fazer pelo presidente da Sociedade Moitense de
Tauromaquia
...
... e só Padilla cruzou a porta grande e chegou à rua em ombros!
Pedro Brito de Sousa, presidente da Sociedade Moitense de Tauromaquia (ao meio,
na foto, com o Carlos Anjos, à esquerda): "O Pedrito quis apanhar a boleia do
Padilla para sair em ombros, mas não o autorizei, ponto final. Não teve ontem
méritos para tal honraria"
Rogério Jóia (à direita, na foto), foi ontem o director de corrida e esteve assessorado
pelo médico veterinário Dr. Jorge Moreira da Silva (à esquerda). Na foto de baixo, 

Pedrito com Pedro Gonçalves, seu bandarilheiro de confiança



Miguel Alvarenga - Embora passeado em ombros na arena, no final da corrida de ontem na Moita, juntamente com o espanhol Juan José Padilla, com quem toureava mano-a-mano na primeira corrida da Feira Taurina local, Pedrito de Portugal foi impedido pelo presidente da Sociedade Moitense de Tauromaquia (peoprietária da praça), Pedro Brito de Sousa, de sair em glória pela porta grande - que foi apenas e só aberta a Padilla.
O caso está a criar grande polémica e o próprio Pedrito, pela voz do seu bandarilheiro de confiança Pedro Gonçalves, em declarações ao "Farpas", acusou Brito de Sousa de ser "anti-taurino" e de ontem ter "cometido um atentado contra o toureio a pé em Portugal".
Fomos ouvir os protagonistas da polémica - Pedro Brito de Sousa; o director da corrida de ontem, Dr. Rogério Jóia; e Pedrito de Portugal que, como atrás referimos, nos fez chegar a sua reacção e a sua versão dos factos através de Pedro Gonçalves.

Regulamento omisso quanto às saídas em ombros

Enquanto em Espanha e noutros países taurinos, o corte de duas orelhas permite aos artistas, na maior parte dos casos, a saída em ombros pela porta grande da praça de toiros, em Portugal o Regulamento Tauromáquico, quer na sua versão anterior, quer na actual, é claramente omisso sobre esse aspecto.
Compete, na nova lei, ao director de corrida autorizar as voltas à arena, mas não há qualquer referência na lei às competências que possibilitem a um artista sair em ombros pela porta grande.
Assim sendo, algumas praças - casos do Campo Pequeno e da Moita - têm o seu próprio regulamento quanto à concessão dessa honraria ao artista e noutras isso nem existe, dependendo a saída aos ombros do entusiasmo do público no momento.
No Campo Pequeno, por exemplo, e depois de o caso ter dado origem a muita polémica em temporadas anteriores, a empresa decidiu este ano que a porta grande seria aberta sempre que um artista (toureiro ou forcado, como em Julho aconteceu com o matador "El Juli" e depois com António Goes, forcado dos Amadores de Santarém) fosse premiado com três voltas à arena numa mesma lide.
Na Moita e como está bem explícito no regulamento interno e no próprio caderno de encargos entregue às empresas que se candidatam à adjudicação da "Daniel do Nascimento", a abertura da porta grande é da inteira e total competência da Sociedade Moitense de Tauromaquia, a proprietária da praça. Como, em dia de corrida, não existe tempo útil para convocar uma Assembleia-Geral e proceder a votação, a decisão está na mão do presidente da SMT, o antigo forcado Pedro Brito de Sousa - que foi precisamente quem ontem negou tal honraria a Pedrito, depois de a haver concedido a Padilla.

Pedrito magoado, acusa Brito de Sousa

Pedro Gonçalves, há vários anos bandarilheiro de confiança de Pedrito de Portugal, transmitiu ao "Farpas" a reacção e o sentimento do matador, acusando Brito de Sousa de "ser anti-taurino e ontem ter cometido um atentado contra o toureio a pé em Portugal" ao negar ao toureiro que acompanhasse Juan José Padilla na triunfal saída em ombros pela porta grande da praça "Daniel do Nascimento".
"No final da corrida, o Pedrito foi passeado em ombros na arena juntamente com o Padilla - que só veio à Moita por consideração e amizade ao Pedrito, é bom que se ressalve isso - e quando chegou à porta grande, o Pedro Brito de Sousa mandou-o apear-se e não lhe permitiu que também saísse em ombros, quando o público o exigia", diz.
"O que esse senhor quis foi protagonismo, mas cometeu um grande atentado contra o nosso toureio a pé, apenas permitindo ao matador espanhol que saísse em ombros da Moita. O próprio director de corrida Rogério Jóia autorizara o Pedrito a sair em ombros e o presidente da Sociedade Moitense de Tauromaquia não o respeitou", acrescenta.

Brito de Sousa: "Pedrito queria boleia de Padilla!"

Para Pedro Brito de Sousa, "o Pedrito não teve mérito para sair em ombros e pretendeu ir à boleia de Padilla, mas estava previamente avisado por mim de que não estava autorizado a sair em ombros".
"Eu próprio disse no final da corrida ao seu bandarilheiro Pedro Gonçalves que o Pedrito não ia sair em ombros e ele alegou que o matador dera duas voltas à arena... ao que eu respondei: nem que tivesse dado dez!", acrescenta o presidente da Sociedade Moitense de Tauromaquia.
"Está devidamente escrito e claramente legalizado no nosso regulamento interno e no próprio caderno de encargos dos concursos para adjudicação da praça, por isso todos o sabem, que quem autoriza as saídas em ombros na praça da Moita, bem ou mal, gostem ou não gostem, é a Sociedade Moitense de Tauromaquia. O Regulamento Tauromáquico é omisso quanto a isso e o director de corrida não tem, por isso, nenhuma palavra a dizer sobre o assunto. Autoriza ou não as voltas à arena, mas não tem que autorizar ou não autorizar a saída em ombros. E a verdade é que nada tenho contra o Pedrito, não preciso de nenhum protagonismo, já tive o meu enquanto fui forcado, a única realidade é que ele ontem não teve méritos para sair em ombros e o Padilla teve-os, ponto final. Tudo o mais que se diga e se escreva não passa de um folhetim sem nexo...", adianta Pedro Brito de Sousa.
E sobre o facto de Pedrito também ter sido passeado em ombros no final da corrida, com Padilla, rematou:
"Não é verdade, como agora estão a querer fazer crer, que o público tivesse exigido também a saída em ombros de Pedrito. O Pedrito foi passeado em ombros na arena porque o seu bandarilheiro Pedro Gonçalves organizou esse número, apesar de previamente avisado por mim de que o toureiro não sairia em ombros pela porta grande. O que ontem aconteceu foi que o Pedrito quis aproveitar a boleia de Padilla para também sair pela porta grande e a Sociedade Moitense de Tauromaquia, que é quem autoriza ou não a saída em ombros, não lho permitiu. Mais nada".

Rogério Jóia: "Não autorizei, nem podia, saída em ombros"

E para acabar de vez com a polémica, ouvimos também o Dr. Rogério Jóia, que ontem foi o director de corrida e hoje volta a sê-lo na novilhada da Moita - e que começou por desmentir as declarações de Pedro Gonçalves:
"Não autorizei o Pedrito a sair em ombros, nem o podia ter feito porque não tenho competências para o fazer. O Regulamento Tauromáquico não faz qualquer referência às saídas em ombros e ao director de corrida compete apenas autorizar ou não as voltas à arena e não a abertura da porta grande. Há praças, casos do Campo Pequeno e da Moita, que estabeleceram os seus critérios quanto à abertura da porta grande e à saída em ombros dos artistas - e ontem foi o que aconteceu. Quem decide na Moita se um artista sai em ombros e porque é assim que está estabelecido desde a primeira hora e todos são conhecedores disso, é a Sociedade Moitense de Tauromaquia, no caso concreto o seu presidente. E Pedro Brito de Sousa não permitiu que Pedrito saísse aos ombros".

PS - Esta notícia foi actualizada às 14h31 por, na primeira versão, ter havido um lapso na edição e se terem atribuído ao director de corrida Rogério Jóia declarações que pertenciam, efectivamente, a Pedro Brito de Sousa, presidente da Sociedade Moitense de Tauromaquia. Pelo lapso, apresentamos desculpas a Pedro B. Sousa e a Rogério Jóia - e já rectificámos devidamente o texto

Fotos Emílio de Jesus e Maria Mil-Homens