| Padilla e a bandeira do Pirata, que faz gala em usar desde que perdeu um olho e usa uma pala. Ontem, levou-a à Moita, triunfando na primeira corrida da Feira |
| A chuva fez-se sentir durante o espectáculo e muitos espectadores procuraram refúgio nas entradas dos sectores |
| Bons momentos das actuações de Pedrito de Portugal ontem na Moita |
| Joaquim de Oliveira num grande par de bandarilhas, obrigado a agradecer os aplausos do público de montera na mão |
| Cláudio Miguel bandarilhou com brilhantismo usual, sofrendo uma colhida, felizmente sem consequências de maior |
Pouco público, chuva e a falta de ambiente que caracteriza os grandes acontecimentos, marcaram ontem a primeira corrida da Feira da Moita, em que actuavam mano-a-mano os matadores Juan José Padilla e Pedrito de Portugal e se lidaram toiros de boa nota da ganadaria Falé Filipe. A tarde foi essencialmente
de Padilla, cuja superioridade era por demais evidente. Não é um toureiro de arte, mas antes um toureiro de luta e de domínio, pode com qualquer toiro e está num momento de grande fulgor, ao contrário de Pedrito, pouco toureado, muito artista e sem argumentos para vencer um confronto desta envergadura e com um toureiro destes. Esteve Pedrito bonito e brilhante em alguns lances e em templados muletazos, mas longe de alcançar o esplendor com que Padilla brindou ontem o público na Moita. Resultado: venceu claramente Padilla e o resto são só cantigas. Destaque, ainda, para os brilhantes pares de bandarilhas de Joaquim de Oliveira e Cláudio Miguel, numa tarde que, como já referimos, terminou sob o signo da polémica, com Padilla a cruzar a porta grande e a sair aos ombros e Pedrito a ficar apeado e humilhado na arena. Coisas que acontecem...
A corrida, com pouco mais de um terço das bancadas preenchido, foi competentemente dirigida pelo Dr. Rogério Jóia, que no final se limitou a esclarecer ao "Farpas" nada ter tido a haver com o impedimento de Pedrito de sair em ombros pela porta grande, uma vez que "não tem competências para autorizar ou permitir tal honraria, cuja decisão cabe exclusivamente à Sociedade Moitense de Tauromaquia". Já Pedro Brito de Sousa, presidente da mesma, confirmou ao "Farpas" que foi sua a decisão de não permitir a saída de Pedrito pela porta grande, "porque não teve mérito para tal".
Fotos Emílio de Jesus e Maria Mil-Homens