| João Moura Jr. teve lide esforçada frente ao pouco colaborante toiro de Veiga Teixeira e alcançou depois o grande triunfo da noite no quarto, de Prudêncio |
| João Telles manteve o nível de triunfador que vem protagonizando nesta temporada com duas boas actuações com os toiros de Castro e de Grave |
Apenas cerca de um terço das bancadas preenchidas ontem na Moita na última corrida da Feira, a do Fogareiro, que em anos anteriores e com o formato de seis cavaleiros, costumava registar uma muito maior afluência da público. O ciclo moitense terminou com uma moldura vazia de assistência na praça "Daniel do Nascimento", o que aconteceu praticamente também no três festejos anteriores, saldando-se muito negativamente no que respeita a entradas de público a edição deste ano, primeira organizada pelo novo empresário Rafael Vilhais.
Ou o público já está saturado de ver sempre os mesmos toureiros e não gostou dos cartéis, ou estamos no início das aulas e há menos dinheiro para ir aos toiros, pelos gastos em material escolar, ou isto ou aquilo, mas a realidade é que a Feira da Moita nunca esteve tão às moscas como este ano aconteceu.
O cartel de ontem estava bem rematado e tinha interesse, já que punha de novo "à bulha" os rivais Moura Júnior e João Telles, dois dos mais destacados triunfadores desta temporada, em competição com Francisco Palha, outro cavaleiro que se tem vindo a evidenciar nas duas últimas épocas. Além da presença de dois consagrados grupos de forcados, os de Évora e os de Alcochete, acrescido ainda do facto de se tratar de um Concurso com seis toiros de prestigiadas ganadarias - e todas com fama de duras.
Empenhado e com grande labor na lide do pouco colaborante toiro de Veiga Teixeira, que teve escassa mobilidade, João Moura Jr. pôde depois explodir com uma lide a todos os títulos brilhante e marcada por ferros e brega de grande emoção, sagrando-se pleno triunfador, no seu segundo, um toiro voluntarioso de Prudêncio, que substituia o de Ventura e acabou por ficar tristemente célebre por ter morto, na pega, o forcado Fernando Quintella.
João Ribeiro Telles protagonizou grandes momentos nas lides dos toiros de Fernandes de Castro, mais complicado e que o obrigou a um grande esforço; e de Murteira Grave, o toiro que venceu o prémio de bravura. Exuberante e emotivo, Telles reafirmou na Moita o excelente momento que está a viver.
Francisco Palha teve tudo na mão para ser o triunfador da corrida com o belíssimo toiro de Ascensão Vaz, que ganhou o prémio de apresentação e foi crescendo ao longo da lide, transmitindo muita emoção. Começou em grande e de tal forma que ao segundo comprido já o director de corrida Rogério Jóia mandara a banda entrar em acção. Mas depois insistiu nos "quiebros", que nem sempre resultaram, sucedendo-se algumas passagens em falso que acabaram por retirar brilho à sua actuação. No último toiro, dos Herdeiros de António Silva, esteve correcto, mas sem grande esplendor, não deixando, contudo, de colocar emoção na cravagem dos ferros em terrenos de compromisso.
Sobre as pegas já ficou tudo dito anteriormente - foi uma noite triste e trágica marcada pela morte de mais um Forcado, o grande Fernando Quintella, dez dias depois da morte de Pedro Primo, dos Amadores de Cuba, vítima também de graves hemorragias internas, uma lesão muito idêntica à que ontem vitimou o elemento dos Amadores de Alcochete.
Luto e dor de novo no mundo da tauromaquia.
Fotos Maria Mil-Homens