Miguel Alvarenga - Fiquei triste, muito triste, com a inesperada notícia que me deram há momentos os meus queridos amigos Nuno e Gonçalo da Câmara Pereira, que eram primos dele: morreu no Brasil, vítima de cancro, o Fernandinho Alegrete, como todos conheciam o Fernando Telles da Sylva de Meneses, meu amigo e companheiro de tantas jornadas e desde há tantos anos. Desde os Verões na Praia das Maçãs, éramos ainda meninos e moços.
Mais tarde, em 1990, quando ao fim de muitos anos deixei de trabalhar no jornal "O Diabo", foi ele que me desafiou para fazermos o semanário "O Título" - e fizemos-lo! Fomos sócios durante dez anos, o tempo que durou o jornal. Vivemos juntos muitas peripécias, rimos muito, dobrámos muitos Cabos da Boa Esperança, foi um tempo giro e um desafio que vencemos os dois.
Sabia que ele fora viver para o Brasil. Há três anos telefonou-me, estava em Portugal, almoçámos, recordámos outros tempos e pusemos a conversa em dia. Voltei a vê-lo e a fotografá-lo (foto de cima) em 2019 na Monumental de Almeirim.
O Fernando era pai do Duarte Alegrete, hoje uma das mais destacadas figuras da classe dos bandarilheiros nacionais. Lembro-me dele em pequenino, a correr de um lado para o outro lá na Redacção do nosso "O Título". Era pai, também, do Fernando (o filho mais velho) e do Afonso (que não cheguei a conhecer).
Tinha títulos que nunca mais acabavam: era Marquês de Alegrete, de Penalva, de Terena, Conde de Tarouca, de Bertiandos, de Vilar Maior, de Faro, de Terena, Visconde de São Gil de Perre e Senhor de toda a Casa de Alegrete e Tarouca.
Cavaleiro e grande dignatário da Real Ordem de Cristo e da Real Ordem de São Miguel da Ala, "deixa a certeza que mereceu ser um Homem livre e de elevado Espírito", como hoje escreveu nas redes sociais Nuno da Câmara Pereira, seu primo, que assim o recordou:
"Aqui fica o meu testemunho por um Homem controverso, mas sempre amigo, leal, corajoso e directo. De fino trato, inteligente e culto, sempre soube colmatar seus defeitos pela entrega às causas que abraçou, aos amigos que deixou e aos filhos que amou. Único e ímpar porque peculiar na abordagem à vida que soube amar, soube usufruir de sua personalidade, nunca se deixando manipular, bem sabendo representar e dignificar a gesta que recebeu, por seu nascimento e esmerada educação por seus maiores".
Praticante e campeão de raides equestres, o Fernando foi também forcado no grupo de Amadores da Chamusca e era um aficionado entendido e habitualmente presente nas praças de toiros, um ambiente onde granjeou também muitas amizades.
"Partiu um bom amigo, companheiro de muitas aventuras e bons momentos. Fica a memória. Rezo por ele" - escreveu hoje também nas redes sociais o cavaleiro Paulo Caetano.
A seus irmãos, a seus filhos e muito em particular ao Duarte, bem como a toda a ilustre Família enlutada, aqui deixo o meu maior abraço e os meus mais sentidos pêsames.
O Fernando será cremado amanhã no Brasil e as cinzas virão posteriormente para Portugal.
Descansa em paz, meu Amigo!
Fotos M. Alvarenga e D.R.
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