segunda-feira, 30 de março de 2026

Forcados de Santarém e São Manços brilharam em Almendralejo

Chegam-nos finalmente informações mais concretas sobre as actuações dos grupos de forcados Amadores de Santarém e Amadores de São Manços na corrida hispano-luso de rejoneio que este domingo se realizou em Almendralejo (Badajoz).

Pelo Grupo de Santarém pegaram os forcados Manuel Ribeiro de Almeida (ao primeiro intento), Miguel Fernandes e Tomás Serrano, ambos à terceira tentativa.

Pelo Grupo de São Manços foram forcados de cara Alexandre Ramitos (à primeira tentativa) e João Amador (na sua primeira tentativa, depois de duas outras de Alexandre Silva). O grupo alentejano não chegou a consumar a sua terceira pega, porque o sexto novilho-toiro da ganadaria Couto de Fornilhos não tinha, por escassez notória de forças, condições para ser pegado.

Nesta corrida actuaram os cavaleiros lusos João Ribeiro Telles (que cortou duas orelhas e saíu em ombros com o espanhol Sérgio Galán, igualmente premiado com as duas orelhas do seu toiro), João Moura Caetano (cortou uma orelha) e João Salgueiro da Costa (ovacionado) e também os espanhóis Leonardo Hernández (ovação) e Adrián Venegas (silêncio), além do já referido Sérgio Galán.

Fotos Tauroemoción Extremadura/Facebook



Sábado em Évora, na segunda pega da corrida, Ruben Côrte-Real já se destacara pelas valentes ajudas dadas ao cabo João M. Falcão

Antes da violenta e grave colhida que sofreu quando dava primeiras ajudas ao forcado Luis Vieira na sexta e última pega da corrida deste sábado na Arena de Évora, o forcado Ruben Felipe Tavares Côrte-Real, de 24 anos, natural de Portalegre e membro do grupo de forcados Amadores de Monforte há alguns anos, tinha tido já uma corajosa e eficiente intervenção como primeiro-ajuda do cabo João Maria Falcão na pega que este tentou consumar, em três tentativas falhadas, ao segundo toiro da tarde, como os outros, pertencente à dura ganadaria São Martinho - conforme os registos captados pela nossa reportagem e que aqui reproduzimos.

O cabo João M. Falcão (a quem não faltou em nenhuma das três tentativas o apoio e o reforço de Ruben Côrte-Real, como as fotos o documentam) acabou por recolher à enfermaria e daí ao Hospital de Évora para ser submetido a exames (raio x), confirmando-se uma lesão no braço direito, mas regressou depois à praça e esteve até ao final da corrida na trincheira com os seus forcados.

Ruben Côrte-Real, que sofrera já uma leve colhida quando dava ajudas ao cabo Falcão, acabou depois por cair inanimado na arena quando ajudava outro companheiro, Luis Vieira, na sexta e última pega da noite. O forcado caiu mal na arena, bateu com a cabeça e ficou inanimado, sofrendo ainda uma violenta cargo do potente toiro de São Martinho, até que os companheiros conseguiram afastar o animal. 

O jovem forcado foi assistido ainda na arena pelo enfermeiro da equipa médica do Dr. António Peças e recebeu depois os primeiros socorros na enfermaria da praça, sendo posteriormente estabilizado e transportado ao Hospital de Évora pela equipa médica da VMER do INEM. Já de madrugada, foi transportado de helicóptero para o Hospital de São José, em Lisboa, onde se encontra internado ainda em estado grave e de prognóstico reservado, mas graças a Deus já livre de perigo. 

Sofreu um forte traumatismo craniano e vários edemas, cujas extensões não são ainda conhecidas, tudo dependendo agora da sua evolução nas próximas horas. Os médicos não arriscam por enquanto um prognóstico, visto o estado clínico do doente ser ainda considerado grave e muito reservado.

Fotos M. Alvarenga




domingo, 29 de março de 2026

Junta de Freguesia congratula-se com admissão do GFA de Abiul na ANGF e anuncia a sua estreia na Feira Taurina do Bodo

A Junta de Freguesia de Abiul congratulou-se, em comunicado que publicamos aqui na íntegra, com a (finalmente!) admissão do grupo de forcados Amadores de Abiul no seio da Associação de Forcados e anuncia a sua estreia em praça na próxima Feira Taurina do Bodo no mês de Agosto.

“O Grupo de Forcados Amadores de Abiul foi novamente submetido a votação na Assembleia Geral da Associação Nacional de Grupos de Forcados (ANGF), tendo sido admitido como pré-associado. Trata-se de um passo importante, que reconhece o trabalho desenvolvido e, acima de tudo, abre a porta a uma oportunidade legítima para que o grupo tenha oportunidade de demonstrar o seu valor.

 

"Queremos, desta vez, destacar positivamente a postura assumida pela Associação Nacional de Grupos de Forcados (ANGF) e pelos seus associados, que revelaram bom senso e razoabilidade nesta decisão.

 

"Endereçamos uma palavra de reconhecimento e felicitação ao Grupo de Forcados Amadores de Abiul pelo percurso realizado até aqui, bem como a todos aqueles que, de forma direta ou indireta, contribuíram com o seu apoio, incentivo e dedicação para que este objetivo fosse alcançado.

 

"Este momento é, acima de tudo, o início de uma nova etapa. Uma etapa que exige responsabilidade, compromisso e plena consciência do peso do nome de Abiul, cuja história e prestígio devem ser honrados e respeitados em cada praça onde o grupo se apresente.

 

"Sendo entidades distintas, com naturezas e responsabilidades próprias, a Junta de Freguesia de Abiul, enquanto defensora da tauromaquia e das tradições locais, não poderia deixar de dar o seu apoio ao Grupo de Forcados Amadores de Abiul, na expectativa de que este venha a representar dignamente o espírito, a identidade e o futuro da nossa terra.

 

"Com este desenvolvimento, podemos desde já adiantar que o Grupo de Forcados Amadores de Abiul irá pegar uma corrida da Feira Taurina deste ano, sendo assim criada a desejada possibilidade de se apresentarem, também, na praça da sua terra.

 

"Abiul é, e continuará a ser, uma terra profundamente ligada à tauromaquia, onde a tradição, o respeito e a exigência sempre tiveram presentes na forma de estar na festa brava.

Desejamos ao Grupo de Forcados Amadores de Abiul as maiores felicidades para este percurso que agora se inicia, certos de que o caminho será exigente, mas também repleto de oportunidades para afirmar, com dignidade, o valor de uma terra com tradição”.

 

A Junta de Freguesia de Abiul

Filipe Gravito distinguido como melhor bandarilheiro da Feira de Cadalso de los Vidrios (Madrid)

O bandarilheiro Filipe Gravito recebeu ontem o honroso Troféu Racimo de Oro "Villa de Cadalso" que o distinguiu como autor do melhor par de bandarilhas e triunfador da Feira Taurina/2025 em Cadalso de los Vidrios (Madrid).

Soma e segue o consagrado bandarilheiro luso há alguns anos radicado em Espanha.

Fotos D.R.


Animadoras notícias sobre o estado clínico do forcado Ruben Côrte-Real: livre de perigo, mas ainda muito reservado

Última Hora - São, graças a Deus, mais animadoras as últimas notícias sobre o estado clínico do jovem forcado Ruben Côrte-Real, de 24 anos, membro do Grupo de Monforte, vítima de violenta e grave colhida ontem na praça de Évora quando dava primeiras ajudas ao companheiro Luis Vieira na sexta e última pega da corrida que abriu a temporada na cidade-museu e onde o seu grupo entrou como prémio por ter ganho de manhã o Concurso de Cernelhas.

Ruben Côrte-Real sofreu um forte traumatismo craniano e vários edemas, na madrugada de hoje foi transferido num helicóptero do INEM do Hospital de Évora para o de São José, em Lisboa, e neste momento, segundo as informações disponíveis, já se encontra livre de perigo, apesar de o seu estado ser ainda grave e muito reservado, prevendo-se uma recuperação demorada e lenta.

Os médicos aguardam que o organismo absorva os coágulos que tem no cérebro e só depois poderão fazer um diagnóstico mais rigoroso e adiantar quaisquer prognósticos, o que é impossível neste momento até serem avaliadas as extensões das lesões cerebrais.

Numa informação prestada aos outros grupos de forcados, o cabo dos Amadores de Monforte, João Maria Falcão, fez saber esta tarde que as notícias sobre o estado clínico de Ruben Côrte-Real "já são mais animadoras, passadas 24 horas sobre o acidente", mas as próximas 72 horas serão decisivas. Segundo o cabo, o jovem forcado está a recuperar favoravelmente, já acordou e falou com familiares.

Foto M. Alvarenga

João Telles e Sérgio Galán em ombros em Almendralejo

João Ribeiro Telles cortou duas orelhas e saíu em ombros com o rejoneador Sérgio Galán, que também obteve duas orelhas (foto) no final da corrida hispano-lusa que esta tarde se realizou na cidade espanhola de Almendralejo, na província de Badajoz e onde se lidaram seis novilhos-toiros da ganadaria portuguesa Couto de Fornilhos, bem apresentados em termos gerais e de bom jogo no seu conjunto. A praça registou meia entrada.

Actuaram ainda os cavaleiros lusos João Moura Caetano (cortou uma orelha) e João Salgueiro da Costa (foi ovacionado) e os espanhóis Leonardo Hernández (ovação) e Adrián Venegas (silêncio, após escutar três avisos, tendo o toiro sido apuntillado pelo bandarilheiro). 

Actuaram ainda os forcados de Santarém e São Manços, embora não tenhamos dados sobre essa participação, inexplicavelmente omitida nos sites espanhóis.

Fotos "Mundotoro" e D.R.


Praça bem composta em Almeirim

Corrigimos e actualizamos a referência que aqui tínhamos feito antes: a praça de Almeirim não registou uma enchente, como inicialmente parecia numa primeira foto, mas esteve composta na corrida deste Domingo de Ramos, como o documentam as fotos de Catarina Bexiga dadas à estampa na sua página "Falar de Toiros" (Facebook), que aqui reproduzimos com a devida vénia.

Fotos Catarina Bexiga/"Falar de Toiros"/Facebook



Évora: triunfos de valor com toiros sérios de São Martinho

Bonito gesto de Gilberto Filipe no primeiro toiro, brindado a lide
aos Forcados de Monforte, incluídos no cartel por terem ganho 
o Concurso de Cernelhas da manhã

Miguel Alvarenga - A corrida de ontem na Arena de Évora, primeira da temporada na cidade-museu, antecedida pelo já tradicional Concurso de Cernelhas matinal (evento criado pelo anterior empresário Carlos Pegado e que nas suas primeiras edições era mais abrangente, incluindo a prática de sortes antigas da pega), não tendo sido propriamente uma corrida transcendente, daquelas que marcam e que fazem nascer novos aficionados, foi um festejo agradável, divertido, que decorreu sem demoras e sem tempos mortos, onde os aficionados desfrutaram de bons momentos de toureio e de excelentes pegas, que não maçou ninguém e de onde saímos todos satisfeitos, não fosse, mesmo no fim, a violenta e grave colhida sofrida pelo jovem forcado Ruben Corte-Real, do Grupo de Monforte, que acabou por manchar uma tarde que correra bem sob todos os aspectos.

Os empresários António Alfacinha e Carlos Ferreira montaram um cartel diferente, digno, pouco apelativo, sem grande risco, mas onde o facto de estar inserido naquilo a que se chamou "um dia em cheio", iniciado logo pela manhã com o Concurso de Cernelhas, em dia aprazível e de calor, acabou por constituir uma agradável e positiva jornada em prol da tauromaquia, com a praça a registar duas enchentes, uma da manhã e outra à tarde, rondando cerca de três quartos fortes da lotação preenchidos em casa um dos espectáculos. Como se viu, não é preciso, às vezes, recorrer a "elencos de arromba" para encher uma praça...

O cartel não integrava figurões (e, valha a verdade, haverá figurões neste momento que levem gente às praças?...), mas antes três cavaleiros com trajectórias dignas e dignificantes para a Festa e para o toureio a cavalo, que, sem serem dos denominados toureiros do pelotão da frente, foram ontem mais que suficientes para chamar público às bancadas da Arena de Évora e proporcionar aos muitos aficionados que ali acorrerem uma excelente tarde de toiros.

Há corridas, algumas delas com os tais figurões, que se traduzem numa seca sem motivos de interesse, sem nada de especial se passar e nas quais o nosso maior desejo é que cheguem depressa ao fim. Já vi muitas assim. Mas a de ontem, pelo contrário, foi uma corrida atractiva e "bem disposta", onde toureiros e forcados deram o seu melhor e conseguiram captar as atenções de todos - e onde se lidou um belíssimo, emotivo, perigoso e bem apresentado curro de toiros da ganadaria São Martinho, que foi a menina dos olhos do saudoso Frei Elias, seu fundador, mas que, apesar de terem a benção do frade, muitas vezes se pareceram mais com discípulos do Demónio...

Duros e brutos por natureza, os toiros de São Martinho deram emoção à tarde, transmitirem, tinham teclas, não deram sossego aos toureiros, exigiram serem bem lidados. E foram-no.

Gilberto Filipe é um toureiro que se empenha, um perfeccionista, onde raramente há um toque, um ferro falhado, uma passagem em falso. O que faz, faz bem, na perfeição, aliado a uma qualidade que é desde logo meio caminho andado, é um equitador exímio, um mestre de alta escola, em dois anos eleito campeão mundial de Equitação de Trabalho. 

Ontem esteve diligente e perfeito nas duas lides, sem pressas, sem altas velocidades, tudo a seu tempo e com o seu compasso. Terminou as intervenções retirando a cabeçada ao cavalo e fechando com emotivos ferros duas actuações perfeitas. Teve música nas duas lides e foi premiado com aplaudidas voltas à arena. Gilberto tem cartel em Évora, onde já triunfou várias vezes.

Luis Rouxinol Júnior esperou o segundo toiro da tarde à porta da gaiola e a pata com que ele saíu à arena obrigou-o a aguentar quatro voltas à praça sem parar, com o público de pé a aplaudir a forma como aguentou, sem pestanejar, a violenta carga do "bruto" exemplar da ganadaria São Martinho. 

O toiro não era para brincadeiras. Sério, com perigo, dos que não dão sossego. Rouxinol esteve valente e ousado, foi uma lide de muita emoção. No final, merecia a volta à arena e o director António Santos autorizou-a, mas preferiu agradecer no centro, não dando volta sózinho, uma vez que o forcado não a deu (João Ruivo, de Monforte, que consumou à quarta tentativa efectiva, na sua primeira intervenção, depois de outras três mal sucedidas do cabo João Maria Falcão).

O quinto toiro não complicou tanto, mas foi também um toiro sério e com transmissão, com teclas, dos que pedem o bilhete de identidade aos toureiros, protagonizando Rouxinol Júnior uma lide menos atribulada, mas nem por isso menos emotiva. Esteve muito bem, deu a cara, pisou terrenos de compromisso, terminou com um arrojado par de bandarilhas.

António Prates não teve grandes opções com o terceiro toiro da tarde, mais reservado e mais parado que os dois anteriores, tendo estado no entanto em bom nível, sem muitas hipóteses de um triunfo com outro sabor.

No último toiro, portentoso, exigente, com investidas duras, Prates pôs a carne no assador, utilizou o cavalo dos "quiebros" e entusiasmou o público com sortes arriscadas, terminando com um ferro espectacular mesmo diante do director de corrida.

Boas intervenções dos bandarilheiros Duarte Alegrete e João Ferreira (a quadrilha de Gilberto Filipe), Ricardo Alves e João Martins (de Rouxinol), Gonçalo Veloso e João Bretes (de Prates).

Nas pegas, de que já aqui mostrámos todas as sequências, estiveram os Amadores de Évora e os Amadores de Monforte, estes incluídos no cartel como prémio pela vitória no Concurso de Cernelhas matinal, onde venceram a final disputada com o Grupo de Santarém.

Pelos anfitriões pegaram Henrique Burguete (à primeira); João Cristovão (à primeira, na grande pega da corrida); e Afonso Santos (à segunda tentativa).

Pelos Amadores de Monforte foram forcados de cara João Ruivo (a consumar na sua primeira intervenção, dobrando o cabo João Maria Falcão, que saíu lesionado num braço, depois de três tentativas, na última das quais já ia visivelmente diminuído e magoado, com o braço direito caído - um forcado nessas condições, insisto, estou cansado de o dizer, deveria de imediato ser substituído e não insistir); Nuno Ramalho (à primeira, numa grande pega que o tornou uma das figuras do dia, depois de ter sido de manhã o cernelheiro, formando dupla com o rabejador Dinis Romão, que deu a vitória ao seu grupo); e, por fim, Luis Vieira (à segunda, tendo-se lesionado com gravidade na primeira tentativa o primeiro-ajuda Ruben Corte-Real, neste momento ainda em estado que inspira cuidados, vítima de um forte traumatismo craniano e edema, internado no Hospital de São José, em Lisboa, para onde foi transferido de helicóptero nesta madrugada).

A corrida foi bem dirigida, com a habitual eficiência, bom senso e aficion, por António Santos, que esteve assessorado pelo médico veterinário Carlos Santana.

A corrida viu-se, foi agradável, não foi chata (como tantas são...) e teve momentos de bom toureio e emoção, teve perigo, imposto pelos toiros sérios de São Martinho. Quando isso acontece, as coisas têm um sabor diferente. E os aficionados ficam acordados do princípio ao fim, sem crises de sono...

Fotos M. Alvarenga












Classe e perfeição nas duas lides de Gilberto Filipe















Muita entrega e ousadia: Luis Rouxinol Jr. em tarde de triunfo











Verdade e risco no toureio de António Prates