 |
Péssima qualidade dos novilhos de Talavante deitaram ontem por terra o sonho de triunfo do português "Juanito" em Olivença. "Nada é impossível", lia-se nos cartazes. Mas com oponentes como aqueles, foi mesmo tudo impossível... |
Miguel Alvarenga - Rezava o slogan de
Olivença que
"nada é impossível", mas a verdade é que, face aos novilhos ilidáveis de
Talavante que lhe couberam, o nosso
"Juanito" não teve mesmo a menor possibilidade de triunfar e marcar pelo sucesso, como se pretendia, o dia do seu aguardado debute com picadores, ontem na novilhada matinal da
Feira Taurina na antiga cidade portuguesa.
Estavam muitos portugueses na praça torcer pelo jovem
João Silva e até os espanhóis, como momentos antes da novilhada me confessava
Joaquín Domínguez, empresário e apoderado de
"Juanito", aguardavam com ansiedade pela afirmação de um novo ídolo português. Mas tudo de esfumou por obra e graça da péssima qualidade dos dois novilhos da ganadaria do matador
Alejandro Talavante que o nosso toureiro enfrentou...
O primeiro, desluzido e sem classe,
"foi-se" logo aos primeiros passes de muleta e deixou
"Juanito" sem opções. Elegante nos tércios de capote, ainda tentou depois desenhar uma faena
templada e com pinceladas de arte, mas não pôde fazer mais do que manifestar a intenção. Não tinha novilho para nada...
O segundo, esse encostou-se às tábuas e não permitiu nem um passe à muita vontade de
"Juanito", que fez os possíveis e os impossíveis, só faltou montar-se em cima do oponente.
"Nada é impossível", lia-se nos cartazes. Mas foi mesmo tudo impossível para
"Juanito" triunfar...
Ficou o querer, a ambição, a
pinta torera do jovem promissor toureiro luso. E a magnífica estocada com que despachou o seu segundo novilho, assobiado depois no arraste, enquanto que para o toureiro sobraram aplausos de uma praça quase cheia que se levantou e o ovacionou carinhosamente como que a dar-lhe o conforto e o reconhecimento pela sua arte, a sua entrega, o seu valor e a sua atitude. No final das duas actuações, agradeceu nos médios forte ovação, recolhendo à trincheira com o desânimo estampado no rosto. Quando não há ovos, não se podem mesmo fazer tortilhas...
"Juanito" brindou a sua primeira faena aos antigos matadores
Luis Reina e
"El Cartujano", seus mestres na
Escola de Toureio de Badajoz; e a segunda ao público.
Ginés Marín despedia-se como novilheiro em
Olivença. À beira de se tornar matador de toiros, o jovem toureiro extremenho teve mais sorte que
"Juanito" com o seu lote e pôde desenvolver nas duas faenas um toureio sólido e avançado, muitos pontos à frente dos seus alternantes. Recebeu o primeiro novilho com
"verónicas" de joelhos e abriu a faena de muleta também de joelhos em terra num grito de afirmação que depois confirmou em absoluto com o corte de uma orelha ao primeiro e das duas ao segundo, saindo triunfalmente em ombros.
O sevilhano
Alfonso Cadaval, que também debutava com picadores, tem na alma a essência da pureza e da arte do toureio de
Romero e de
Morante. Perdeu com a espada o triunfo com que podia ter marcado esta etapa importante da sua carreira, mas deixou bem patente com o capote e a muleta que vai ser um dia figura de destaque. Foi ovacionado no primeiro toiro e cortou uma orelha ao segundo.
Ao início da função, os três novilheiros agradeceram nos médios uma fortíssima ovação com que o público os recebeu com honras de figuras.
Destaque para o valoroso bandarilheiro luso
João Diogo Fera, que integrou a quadrilha de
"Juanito" e esteve em plano de relevo não só a lidar como sobretudo a bandarilhar, agradecendo de montera na mão as ovações que premiaram os dois grandes pares que cravou no segundo novilho do espectáculo.
Também os espanhóis
Javier Ambel,
Manuel Izquierdo,
Jesús Díez "Fini" e
Josu Beltrán se
desmonteraram para agradecer os aplausos depois de bandarilharem.
Já a seguir: todas as fotos da novilhada de ontem.
Fotos Maria Mil-Homens