domingo, 4 de dezembro de 2022

Cristina Sánchez e António Ferrera separados

A toureira e apoderada Cristina Sánchez anunciou que dá como finalizada a relação de apoderamento que a uniu ao matador de toiros António Ferrera durante a última temporada.

"Quero agradecer ao toureiro a confiança depositada em mim para dirigir a sua carreira nesta temporada triunfal em Espanha, Portugal, França e América. No próximo dia 5 de Janeiro, depois de dois festejos programados em Colômbia, nos quais está anunciado António Ferrera, ficará rescindido o compromisso por ambas as partes. Agradeço também aos jornalistas e meios de comunicação pela atenção recebida durante este tempo" - escreve Cristina Sánchez.

Cristina Sánchez sucedeu a Simón Casas na direcção da carreira de Ferrera em Novembro do ano passado, numa altura em que se falava no nome de Rui Bento para voltar a apoderar o matador espanhol. Estreou-se em Dezembro em Cali, na Colômbia, ao lado de Ferrera e apoderou-o durante esta temporada de 2022.

Fotos M. Alvarenga

Cristina Sánchez e Ferrera na Corrida da Ascensão este ano na
Chamusca


Ontem, sábado: 6.134 leram o "Farpas"

 

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sábado, 3 de dezembro de 2022

GFA de Évora no Domingo de Páscoa em São Manços

Depois de já ter anunciado a presença do Maestro João Moura (a abrir a temporada de celebração dos seus 45 anos de alternativa) na corrida de Domingo de Páscoa, 9 de Abril, em São Manços, a empresa Toiros e Tradições confirma agora também a presença do grupo de forcados Amadores de Évora, que regressa à praça "José Jacinto Branco" após cinco anos de ausência.

O consagrado GFA de Évora comemora em 2023 o 60º aniversário da sua fundação e anunciou já a mudança de cabo. Na Corrida de São Pedro em Évora, despede-se João Pedro Oliveira, passando o testemunho a José Maria Caeiro.

Nesta corrida de Páscoa, o grupo deverá repartir cartel com os Amadores de São Manços, aguardando-se agora com justificada expectativa o anúncio da restante composição do cartel desta que será uma das primeiras grandes corridas de 2023.

Foto Frederico Henriques

México: João Telles e Aposento da Chamusca começam o ano actuando em Mérida

O cavaleiro João Ribeiro Telles e o grupo de forcados Amadores do Aposento da Chamusca, capitaneado por João Saraiva, iniciam a temporada de 2023 actuando no dia 1 de Janeiro na Monumental de Mérida, no México, numa corrida de rejoneio em que actuam também os rejoneadores locais Fauro Aloi e Tarik Othón (pupilo do cavaleiro luso Vitor Ribeiro) e se lidam seis toiros da triunfadora ganadaria de Enrique Fraga, antigo matador e rejoneador, um amigo de Portugal.

Fotos D.R.


Emiliano Gamero sofre colhida em Calvillo

O rejoneador mexicano Emiliano Gamero, figura que este actuou com grande destaque em várias praças portuguesas, sofreu ontem uma colhida quando lidava o segundo toiro do seu lote em Calvillo naquela que era a primeira corrida da sua temporada no México.

O cavalo escorregou e caiu ficando à mercê do toiro e Emiliano Gamero sofreu ferimentos na perna esquerda e a bandarilha ficou cravada na perna direita.

Gamero foi suturado na enfermaria da praça e regressou à arena para terminar a sua lide, tendo sido aplaudido nos dois toiros, que lhe deram poucas opções de triunfar.

"Dei tudo o que tinha, os toiros não colaboraram, foi uma actuação de muita entrega e com grandes momentos, vou contrariado com o que aconteceu, mas saio com o carinho de todos" - disse Gamero à NTR Toros.

A praça "Mariano Ramos" registou ontem meia entrada e Emiliano Gamero repartiu cartel com os irmãos matadores Gerardo Adame (orelha e ovação) e Luis David Adame (que indultou o primeiro toiro do seu lote, de nome "Calvillense", sendo ovacionado no segundo. Lidaram-se seis toiros de Fernando de la Mora.

Foto NTR Toros

GFA do Aposento da Chamusca em peregrinação a Fátima

Como todos os anos acontece, o grupo de forcados Amadores do Aposento da Chamusca realiza este fim-de-semana a sua peregrinação ao Santuário de Fátima.

"Para quem já nos acompanha há mais tempo, sabe que as nossas temporadas só terminam com uma visitação a Nossa Senhora. Esta é a forma mais humilde e devota que temos para agradecer a excelente temporada que tivemos pela frente" - lê-se na página do GFA do Aposento da Chamusca no Facebook. 


"Este ano decidimos ir ao encontro de Maria, em dois dias para que desta forma todas as nossas famílias, amigos e simpatizantes possam também participar!" - acrescentam.


O Grupo do Aposento da Chamusca, que este ano mudou de cabo, entrando João Saraiva a render Pedro Coelho dos Reis "Pipas", parte hoje às 15h00 da Ermida do Senhor no Bonfim e amanhã, domingo, sairá às 8h00 de Torres Novas em direcção ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima, onde assistirá a uma missa às 16h00 na Casa das Irmãs.


Foto D.R./GFA do Aposento da Chamusca/Facebook 


Maurice Béhro reforça equipa de apoderamento de Diogo Peseiro

Às portas de uma temporada decisiva em que tomará a alternativa de matador de toiros, Diogo Peseiro vê reforçada a sua equipa de apoderamento com a entrada do reconhecido taurino e conceituado repórter fotográfico francês Maurice Béhro (foto de cima), residente em Sevilha, que se junta a Andrés Andrades na gestão da sua carreira em Espanha e França.

Em Portugal, Peseiro continua a ser apoderado por Maurício Vale.

Fotos www.gahirupe.com e D.R.

Deputada do PAN perde imunidade parlamentar para ser arguida em processo movido pelo ganadeiro Joaquim Grave


A Assembleia da República aprovou ontem com os votos favoráveis do PS, CHEGA, Iniciativa Liberal, PCP, BE e Livre e o voto contra do PSD (pasme-se!) o levantamento da imunidade parlamentar da deputada PAN, Inês de Sousa Real, para que esta possa responder em tribunal num processo por alegada difamação ao ganadeiro Joaquim Grave.

Segundo a agência Lusa, o parecer da Comissão de Transparência e Estatuto dos Deputados, aprovado em reunião da comissão na terça-feira, é "no sentido de autorizar o levantamento da imunidade parlamentar da senhora deputada Paula Inês Alves de Sousa Real" para ser constituída arguida no âmbito de um inquérito que corre no Tribunal Judicial da Comarca de Évora e que envolve a deputada animalista e o reputado ganadeiro Joaquim Grave (ambos nas fotos de cima).


O processo foi movido por Joaquim Grave, depois e em Julho de 2020 Inês de Sousa Real ter afirmado numa entrevista televisiva a Miguel Sousa Tavares que o ganadeiro, apesar de defender a tauromaquia, reconhece que o toiro sofre, nas suas teses de doutoramento.


A deputada única do partido anti-taurino PAN afirmou nessa entrevista  que o ganadeiro "tem várias teses de doutoramento, orientou várias teses também, em que ele próprio reconhece não só que o toiro sofre como também reconhece que o toiro só investe porque não tem opção de fuga", considerado ainda que "até quem defende a manutenção da tauromaquia tem de facto a honestidade intelectual de reconhecer que há sofrimento".


Joaquim Grave moveu o processo que levou agora ao levantamento da imunidade parlamentar considerando que é "contrária ao princípio do livre exercício do mandato parlamentar, à liberdade de expressão e de acção política e, em última análise representaria uma tentativa de coacção e de silenciamento político que a Assembleia da República tem (a seu benefício) a obrigação moral e ético-jurídica de rechaçar prontamente".


Fotos D.R.


Ontem, 6ª feira: 6.027 leram o "Farpas"

 

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sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

António Nunes em Madrid a delinear temporada de Andrés Romero

O empresário António Nunes ruma esta noite à capital espanhola, onde amanhã terá reuniões com duas importantes casas empresariais com vista a começar a preparar a temporada do rejoneador Andrés Romero no país vizinho.

Em Portugal, há já algumas datas firmadas e decorrem conversações com mais empresas.

Foto D.R.

Amanhã, sábado: Gala de Final de Temporada do GFA de Arronches

"Aplausos" - especial Temporada 2022

Ontem, 5ª feira: 8.079 leram o "Farpas"

 

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Ganadarias portugueses ausentes de Madrid em 2023

Embora a lista não esteja ainda definitivamente rematada, a realidade é que a empresa Plaza 1, gestora de Las Ventas, anunciou já as ganadarias (de diversos encastes e onde se destaca o regresso de algumas divisas que há vários anos não marcavam presença na primeira praça do mundo) que tem contratadas para a temporada de 2023 na Monumental de Madrid e, pela primeira vez em muitos anos, não surge nenhum ferro português...

Segundo a empresa, estão já confirmadas corridas de toiros das ganadarias Fuente Ymbro (duas), Victoriano del Rio (duas), Adolfo Martín (duas), Alcurrucén (duas), El Pilar (duas), Puerto de San Lorenzo (duas), Victorino Martín, Garcigrande, Nuñez del Cuvillo, Celestino Cuadri, Montalvo, Santiago Domecq, Juan Pedro Domecq, La Quinta, El Parralejo, Domingo Hernández, Jandilla, António Bañuelos, Valdefresno, El Torero, Partido de Resina, José Escolar, José Enrique Fraille de Vasdefresno, Araúz de Robles, Las Ramblas, Luis Algarra, Peñajara de Casta Jijona e José Luis Pereda.

Para os já tradicionais Desafios Ganaderos, a Plaza 1 conta com toiros de Los Maños, Pallarés, Pedraza de Yeltes, Saltillo, Marquês de Albaserrada, Monteviejo e Valdellán.

Para as novilhadas de 2023 em Las Ventas estão contratadas as ganadarias Fuente Ymbro (três), Montealto, Conde de Mayalde, Los Maños, Toros de Brazuelas, Sánchez Herrero, López Gibaja, Saltillo, Fermín Bohórquez e Alejandro Vásquez.

Quanto aos toiros para as corrida de rejoneio (três na Feira de Santo Isidro), estarão as ganadarias de Capea, Fermín Bohórquez e Los Espartales.

Foto mundotoro.com

quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Fevereiro de 2023: João Moura Jr. e Académicos de Elvas na Feira del Sol em Mérida (Venezuela)


João Moura Júnior e o grupo de forcados Amadores Académicos de Elvas, capitaneado por Luis Machado (fotos de cima), vão actuar em Fevereiro do próximo ano na Feira Internacional del Sol em Mérida, na Venezuela, também denominada Carnaval Taurino de América.

O cavaleiro e os forcados lusos actuam na corrida de rejoneio que abre a feira a 17 de Fevereiro e onde se lidam quatro toiros da ganadaria El Capiro, rematando o cartel o rejoneador venezuelano Francisco Javier Rodríguez num mano-a-mano com Moura Júnior.

Uma feira de primeiras figuras composta por quatro corridas (cartéis em baixo) e na qual participam também os matadores espanhóis "El Fandi", Francisco de Manuel e Alejandro Talavante, o peruano Andrés Roca Rey e os venezuelanos Alexander Guillén, J. E. Colombo e Rafael Orellana.

A praça de toiros Monumental "Román Eduardo Sandia" (fotos de baixo), em Mérida (Venezuela) é uma das maiores do mundo, com capacidade para 16.460 espectadores, sendo uma das principais infraestruturas para eventos culturais e artísticos de grande escala na cidade, depois do Estádio Olímpico Metropolitano.


Foi inaugurada em 8 de Dezembro de 1967 e o primeiro cartel esteve formado pelo matador venezuelano César Faraco "El Condor de los Andes" e pelos espanhóis Manuel Benítez "El Cordobés" e Francisco Rivera "Paquirri" (a quem coube receber a primeira orelha cortada naquela arena). O projecto de construção foi elaborado pela Escola de Arquitectura da Universidade dos Andes e as obras decorreram no tempo recorde de seis meses.


O principal ciclo taurino que ali decorre é precisamente o denominado Carnaval Taurino de América com a Feira Internacional del Sol. A praça é gerida pelo antigo rejoneador José Luis Rodríguez (na foto de baixo, no acto de apresentação soa cartéis), que em 2010 recebeu a alternativa no Campo Pequeno.


Fotos D.R./João Moura Jr., M. Alvarenga e D.R.





Ano histórico das 100 corridas imortalizado por Morante em cartaz idêntico ao de Joselito "El Gallo" em 1919

Morante de la Puebla deu à estampa um cartaz evocativo da sua histórica temporada em que totalizou 100 corridas e em que prestou homenagem ao seu maior ídolo, o Rei dos Toureiros, Joselito "El Gallo", que no ano de 1919 alcançou idêntico recorde, imortalizando-o num cartaz de seda (em baixo) em tudo idêntico ao que o génio do toureio a pé agora idealizou e divulgou.

Uma demonstração mais da enorme presença de Joselito "El Gallo" na trajectória e na própria forma de estar, na vida e na profissão, de Morante de la Puebla.

Morante terminou esta temporada, em que actuou em Espanha, em França e também em Portugal (no Campo Pequeno e em Vila Franca) como líder absoluto do escalafón com 100 corridas e muitas tardes para recordar em praças como as de Sevilha e Madrid. Uma temporada de máxima exigência e responsabilidade, como recorda hoje o site mundotoro.com, na qual cortou 84 orelhas e dois rabos.

Fotos D.R. 

Emiliano Gamero inicia amanhã a sua campanha no México

Emiliano Gamero, o rejoneador mexicano que esta temporada trouxe uma lufada (diferente) de ar puro ao toureio português, inicia amanhã a temporada no seu país actuando em Calvillo numa corrida mista em que reparte cartel com os matadores (irmãos) Gerardo Adame e Luis David Adame, frente a toiros de Fernando de la Mora.

Entretanto, Gamero está também anunciado para a tradicional corrida de Dia de Natal em Uriangato (Guanajuato), onde abre praça ao lado dos matadores António Ferrera e Leo Valadez, com toiros de Mimiahupam.

Os dois cartazes em baixo.

Foto José Canhoto


Antigos alunos recordam os primórdios da Escola de Toureio "José Falcão" em jantar amanhã no Clube Taurino Vilafranquense

O Clube Taurino Vilafranquense inicia amanhã, sexta-feira 2 de Dezembro, as suas actividades da chamada Temporada de Inverno com um jantar (na sua sede) em que marcam encontro alguns antigos alunos da Escola de Toureio "José Falcão" (Vila Franca de Xira) para recordar os primórdios da instituição.

Estão anunciadas as presenças de João Alexandre, Manuel dos Santos "Becas", Nuno Figueira, Marco, Bombita, José Manuel e Miguel Costa "Choni".

O segundo jantar está marcado para 27 de Janeiro do próximo ano com a presença de delegados técnicos tauromáquicos (directores de corrida).

Até à meia-noite de hoje: ainda pode votar no nomeados da II Gala da Tauromaquia


Dia 16: Miguel Alvarenga recordará Andrade Guerra no Jantar de Natal da Real Tertúlia Tauromáquica D. Miguel I

Miguel Alvarenga será o orador no Jantar de Natal da Real Tertúlia D. Miguel I, para lembrar e evocar a figura inesquecível de Manuel Andrade Guerra, saudoso Presidente Emérito da instituição, que nessa noite vai ser homenageado a título póstumo, um ano depois da sua partida.

O Jantar de Natal terá lugar no Clube Militar Naval de Lisboa (Av. Defensores de Chaves, nº 26) no próximo dia 16 (sexta-feira, com início às 20h00) e o programa do evento foi hoje anunciado nas redes sociais por Francisco Godinho Cabral, presidente da Real Tertúlia.

O jantar (com o preço de 30€ por pessoa) constará de entradas (diversos salgados), filetes de robalo, lombo de porco ibérico, bolo de chocolate com nozes, café, água, vinho branco e tinto.

Face ao elevado número de presenças previstas, solicita-se que as reservas sejam efetuadas até às 12h00 do dia 8 de Dezembro, contactando Francisco Cabral, telemóvel 925 018 961, WhatsApp ou  e.mail: fgodcabral@gmail.com


As inscrições serão consideradas após transferência dos respectivos valores para o NIB PT50 0036 0283 99 1000 31 7660 8.


Que ninguém falte! O nosso querido Manuel Andrade Guerra merece que todos estejam presentes!


Fotos Emílio de Jesus/Arquivo e D.R.



Miguel Abellán em entrevista exclusiva: "A festa de toiros em Madrid está de boa saúde!"


Um escritório poderá ser metaforicamente uma praça de toiros onde se joga a vida de maneira diferente. Onde artisticamente se desenha uma faena mais burocrática, de protecção, defesa e divulgação da festa de toiros. A tarefa não é fácil. E o mais difícil é agradar a todos. O trabalho e o compromisso são pontos fundamentais para o êxito desta lide. Miguel Abellán é toureiro e director do Centro de Assuntos Taurinos (CAT) da Comunidade de Madrid.

Entrevista de Fernanda Rita

- Quem é Miguel Abellán?

- É um toureiro com uma carreira de sucesso. Passei pelo pior e pelo melhor. Passei por alguns percances. Ganhei o reconhecimento do aficionado e fundamentalmente dos meus companheiros, e sinto-me orgulhoso disso. Em 2018 deixei de tourear por motivos de saúde. Actualmente sou director do Centro de Assuntos Taurinos. Estou orgulhoso do trabalho que estou a desenvolver e de futuros projectos que virão.

- Foi nomeado Director do Centro de Assuntos Taurinos em 2019. Em 2020 entramos em pandemia. Não há tempo para colocar em prática ou começar a desempenhar as suas funções...

- Como todo o cidadão comum, trabalhámos fundamentalmente de maneira incansável para não perdermos a saúde, para recompor um estado de insegurança económica, social, cultural, desportiva e administrativa. A verdade é que 2020 foi o ano mais difícil das nossas vidas, onde não pudemos desenvolver normalmente o nosso trabalho, uma vez que vimos limitada a nossa liberdade de acção ou de actuar. Com a pandemia, e lamentavelmente, muitos aficionados e profissionais do mundo do toiro não sairam vitoriosos desta batalha do coronavírus. Estamos a recompor-nos desde 2021. Até agora seguimos lutando para refazer a nossa vida normal e sem dúvida continuar o nosso trabalho.

- Como representante dos toureiros, o que se pode fazer ou continuar a fazer mais pela tauromaquia?

- A tauromaquia, como dizia o meu companheiro Victor Barrio, “no se defiende, se enseña”. Não se deveria ter que defender uma actividade que está regulamentada pelo Ministério da Cultura, uma vez que a tauromaquia é a cultura mais enraizada neste país e a mais importante, com 14 mil hectares dedicados à criação do toiro bravo, ou seja, com mil explorações de gado. A festa de toiros é uma actividade que contribui muito para este país, por isso mesmo somos o segundo espectáculo de massas  que consegue reunir mais público, portanto não necessitamos defender-nos mas sim ”enseñarnos”. A Comunidade de Madrid, desde  o CAT, tem como objectivo fomentar, difundir e promover a festa de toiros em qualquer das suas vertentes, não só num festejo onde o homem arrisca a vida vestido de luces na arena, mas também através de vários acordos com a Fundação Toros de Lidia, onde levamos a festa de toiros a diferentes municípios com menos de 8 mil e 20 mil habitantes, onde celebramos vários espectáculos, desde corridas de toiros, novilhadas picadas, etc. Em Abril vamos modificar o regulamento dos espetáculos populares que está obsoleto desde 1996. Reabrimos o espaço El Batan, abrimos a Escola Taurina de Madrid que estava fechada há seis anos, e promovemos diferentes e  várias actividades sócio-culturais, não só na praça, mas também em vários municípios da Comunidade de Madrid, como por exemplo facilitar o livre acesso aos jovens que cada vez mais se interessam pela festa de toiros.

"A tauromaquia, como dizia o meu companheiro
Victor Barrio,
 “no se defiende, se enseña”. Não se deveria
ter que defender uma actividade que está regulamentada
pelo Ministério da Cultura, uma vez que a tauromaquia
é a cultura mais enraizada neste país e a mais importante"

- É mais fácil ser toureiro ou director do Centro de Assuntos Taurinos?

- Não tem nada a ver! Ser toureiro é a profissão mais bonita e mais difícil do mundo. Ser director do CAT é um trabalho que exige um empenho diário, ou seja, é o compromisso de alguém que luta para "enseñar" e proteger a festa de toiros dos  ataques de vários sectores que tentam cortar a liberdade de quem quer assistir a uma corrida de toiros.

- Na Feira de Outubro houve uma "polémica" entre si e Morante de la Puebla em plena trincheira de Las Ventas, que deu muito que falar. Como se sentiu com as palavras do maestro?

- Não me senti de nenhuma maneira em especial. O maestro entendeu que tinha algo que reclamar e criticar, e fê-lo. Eu ouvi as suas críticas com atenção. Futuramente vamos continuar a trabalhar como todos os dias para que  a praça e o  piso estejam em perfeitas condições.

- Algumas pessoas  criticam, outras menos, a sua gestão. Como é que lida com esta questão?

- Tenho empatia com as pessoas que criticam, oiço um ou outro, embora esteja mais concentrado em tentar gerir de uma forma eficaz e brilhante todo o trabalho que é feito a partir do Centro de Assuntos Taurinos. No que diz respeito às obras, já realizamos diferentes obras na praça de toiros de Madrid, os escritórios onde nos encontramos, o telhado e a casa do maioral, as fachadas e os telhados das gradas e andanadas. Também ampliamos os degraus que sobem dos tendidos bajos ao tendido alto. Inúmeros trabalhos de remodelação e restauro na praça. Vamos começar agora também a reconstruir o pátio de cavalos, vamos investir cerca de dois milhões de euros na restauração e consolidação da mais bonita praça de toiros do mundo.

- O balanço da temporada foi positivo...

- Penso que foi um balanço muito positivo. Vivemos dois anos muito difíceis, em 2020 foi uma época sem espectáculos. A temporada de 2021 foi uma temporada atípica com apenas 11 festejos, no entanto, na temporada 2022 apercebemo-nos de que as pessoas têm muita sede de ir aos toiros. Recuperamos cem por cento das entradas que foram vendidas em relação à última Feira de San Isidro, em 2019. E na Feira de Outono não só recuperamos como aumentamos o número de abonados  em cerca de 15% em relação aos já existentes. Por isso, acreditamos que o interesse em ir à praça de toiros de  Madrid está a crescer, e exemplo disso foi o caso histórico da final da última novillada en Las Ventas, "Camino hacia las Ventas”, uma novilhada sem picadores  em que pela primeira vez na história meteu cerca de 14 mil pessoas, ou, seja, em que mais de 10 mil eram pessoas com menos de 25 anos de idade. Isto mostra que o trabalho está a ser bem feito. Vamos continuar nesta linha, vamos continuar a melhorar para que os jovens e os menos jovens continuem a manifestar  interesse pela festa de toiros. Madrid é a primeira praça de toiros do mundo e tudo o que aqui é feito tem um especial impacto e relevância. Quanto aos números, estamos muito felizes, mais uma vez recebemos cerca de um milhão de espectadores durante toda a temporada desde Março até ao dia 12 de Outubro, Dia da Hispanidade. Continuamos a ser o quinto museu mais visitado da Comunidade de Madrid com cerca de 114 mil visitas. Quanto à parte artística, houve revelações muito importantes de jovens toureiros como Ángel Téllez, Tomás Rufo, Fernando Adrián, Francisco de Manuel, Álvaro Alarcón, etc. Quanto à consagração de toureiros, temos “El Juli”, Roca Rey e muitos outros toureiros que tiveram grandes tardes este ano na praça de toiros de Madrid.  Foram os vencedores de uma época difícil e que mostraram que a festa de toiros em Madrid está de boa saúde.

"Adoro ouvir a vossa Dulce Pontes, adoro
a sua voz. Adoro o fado, porque são músicas
melancólicas, tristes, mas bonitas"

Há uma frase muito curiosa que publicou no seu Instagram e que me chamou a atenção: "Te conviertes en las personas con las que pasas más tiempo. Eligelas bien”...

- Não há dúvida de que tens de ter ao lado pessoas importantes que contribuem  e acrescentam algo bom na tua vida. Se estás rodeado de pessoas positivas que te dão motivação de seguir em frente e não te deixam desanimar, desistir, então, sem dúvida que  vais ter muito mais confiança. Todos precisamos do apoio de um amigo, da família, para ajudar a ultrapassar os momentos menos bons, porque eles virão. Eu já passei por quase tudo, espero que não tudo, porque para mim seria muito aborrecido pensar que já fiz tudo na minha vida. Já passei por situações muito difíceis e complicadas e sempre tive e tenho pessoas que me apoiaram e que me apoiam.

- Miguel, que mensagem quer deixar aos aficionados portugueses…

- Portugal tem uma cultura profundamente enraizada, no que diz respeito à tauromaquia. Onde o toiro e o cavalo são os principais protagonistas da festa, não devem deixar-se enganar, nunca devem perder a ilusão ou o orgulho de dizer abertamente que são aficionados ao campo, ao toiro e ao cavalo, porque ser aficionado aos toiros é um orgulho. Somos pessoas de respeito, pessoas civilizadas que temos muitas razões para nos orgulhar e nos manter a cabeça erguida.

- Para rematar esta faena Se tivesse que escolher um vinho seria branco ou tinto?

- Depende da refeição. Gosto de vinho, tanto gosto de tinto como de branco.

- Um livro?

- Estou a ler neste momento “O Paciente”.

- Um filme?

 - “Cadena perpetua”. 

- Uma canção?

 - “Say you love me” de Jesse Ware. Ah! Adoro ouvir a vossa Dulce Pontes, adoro a sua voz. Adoro o fado, porque são músicas melancólicas, tristes, mas bonitas.

- Miguel Abellán, não é uma pessoa triste…

- Não, não sou uma pessoa triste e não canto, mas gosto de ouvir cantar… gosto da melancolia! 

Fotos Manuel Delgado/Miguel Abellán/Facebook, las-ventas.com e D.R.