quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Imprensa espanhola noticia morte de Andrade Guerra


A imprensa espanhola, nomeadamente os sites aplausos.es (em cima) e mundotoro.com (em baixo), deram no dia de ontem destacado relevo à triste notícia da morte do jornalista e antigo crítico taurino português Manuel Andrade Guerra, falecido aos 75 anos vítima da covid-19 - e cujas cerimónias fúnebres (cremação), como ontem noticiámos, só deverão ter lugar no próximo fim-de-semana, não se realizando velório em Igreja dadas as normas impostas pela pandemia.

Transcrevemos na íntegra, com a devida vénia e sem traduzir, o texto dado à estampa no site aplausos.es, de que Andrade Guerra era correspondente no nosso país há dez anos:

"Este miércoles se ha conocido el fallecimiento, a los 75 años de edad, de nuestro compañero Manuel Andrade Guerra, víctima del coronavirus.

"Andrade Guerra, así firmaba sus artículos en Aplausos, se dedicó al periodismo a lo largo de su trayectoria profesional sin separarse nunca de la tauromaquia, a la que estuvo unido siempre. Desde hace más de una década, era corresponsal en Portugal para este medio, informando de toda la actualidad que sucedía en el país vecino, así como relatando las crónicas desde Campo Pequeno, con su gran conocimiento sobre el mundo del toro y del toreo a caballo. Antes, había hecho carrera en los medios de comunicación lusos Diário Notícias, Correio da Manha Nuevo Burladero.


"Los actos fúnebres se celebrarán el próximo fin de semana, cuando se celebrará una misa en su memoria antes de ser incinerado.


"Desde la redacción de Aplausos queremos transmitir a los familiares y amigos de Manuel nuestro más sentido pésame por la pérdida, además de hacer público nuestro respeto y admiración hacia un profesional que supo ser siempre un excelente compañero y hombre de gran calidad humana. D.E.P."




Ontem, 4ª feira: 8.499 leram o "Farpas"

 

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quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

Vitor Escudero: Até sempre, querido Manel... ou até à nossa próxima feira taurina!

Foram (e são, Graças a Deus!), mais de quarenta anos de Amizade, Cumplicidades, Solidariedades, Fratrias! 

Percorremos juntos, lado a lado, as grandes Feiras Taurinas de Espanha… e sentámo-nos à mesa para os melhores manjares e superiores néctares desta imensa piel de toro ibérica. 

Um ano começámos em Castellón, com o amigo Diego Puerta e terminámos em Zaragoza, a jantar com o Vitor Mendes, depois da corrida. Madrid e Málaga eram feiras obrigatórias, durante anos. 

Sonhámos juntos, realizámos juntos… e, estivemos sempre juntos, mesmo na divergência e na ausência! Tivemos uma visão comum, à mesa do nosso restaurante preferido “As Velhas”… recuperar, dinamizar e institucionalizar a Real Tertúlia Tauromáquica Dom Miguel I. E, conseguimos! 

Tinha-me telefonado e convidado para o seu jantar de aniversário: 75 anos, no passado dia 20 de Novembro… ia reunir a Família e os Amigos no nosso poiso habitual… “As Velhas”. Mas passou esse dia, já colhido pelo negro Covid, em pleno Hospital de Santa Maria… acreditei sempre que nos voltaríamos a sentar para o ‘polvo cozido com todos’… e, que toda esta passagem, fosse isso mesmo… um tempo de paragem e descanso… e que o meu Querido Manel voltasse “firme e hirto” às nossas lides! 

Afinal, a Tucha, foi-me avisando e ontem disse-me… “está em estado crítico”! Mesmo assim, continuei a acreditar, a manter a Fé e a Esperança… afinal a Macarena é Mãe… e o Manuel Andrade Guerra era de Cavalaria e havia passado a Guerra de África! 

E, ontem, era de Dia de Conjurados… o Manel era um fiel Conjurado pela Restauração da Monarquia, o Manel não me falharia, na caminhada.

 Hoje, acordei cedo… e o meu Querido Filho Simão Escudero, ligou-me e deu-me a tristíssima notícia: “O tio Manel… cruzou o burladero da eternidade”

Até sempre, Querido Manel… ou até à nossa próxima feira taurina!

Vitor Escudero

Fotos Marque Valentim

Paulo Pereira evoca Andrade Guerra: Um Mestre

"É que é hoje fiz um amigo e coisa mais preciosa no mundo não há"... Assim cantava Sérgio Godinho. Hoje eu perdi um amigo e coisa mais triste no mundo não há. 

Hoje perdi o meu amigo Manuel Andrade Guerra, uma pessoa de bem, um cidadão exemplar, recto, amigo do seu amigo, jornalista de grande mérito e valor, cuja prosa, traduzia notável sentido de observação, conhecimento, equilíbrio e imparcialidade. 


Lia no “Diário de Notícias” as suas crónicas das corridas de toiros, misto de notícia e crítica que muito contribuíram para a minha formação de aficionado. Foi antes do 25 de Abril de 1974.

 

Em 1979, cheguei ao jornalismo taurino e no Manuel Andrade Guerra, encontrei um Mestre, mas também o amigo a quem recorri inúmeras vezes, tanto enquanto escrevi de toiros como durante as catorze temporadas em que estive ligado ao Campo Pequeno


Um amigo que sempre me apoiou, nunca me negando o seu contributo para as várias acções em que solicitei a sua colaboração. 


O maldito vírus quis levá-lo para junto do escol da crítica que já subiu à "cátedra etérea", quando o seu saber tanto havia ainda que esperar.

 

Fica a sua obra, espalhada não só pela tauromaquia, como pelas várias áreas do jornalismo, e a saudade de todos os que com ele conviveram e aprenderam.

 

À família e em especial a sua mulher, filhos e netos expresso o meu sentido pesar. Descanse em paz, amigo Manuel.


Paulo Pereira


Fotos Marques Valentim e Mónica Mendes


Paulo Pereira


Vou ter tantas saudades do Manuel...

Miguel Alvarenga - Não vai ser fácil escrever e dizer tudo aquilo que agora me vai na alma e me apetecia aqui deixar em jeito de homenagem ao meu Querido Amigo Manuel Andrade Guerra - unia-nos uma profunda e verdadeira Amizade há pelo menos uns quarenta anos e ele era, como o foi o Emílio, uma espécie de meu irmão mais velho.

Já nem me lembro como foi que nos conhecemos, mas acho que foi no tempo dos jornais, ele no matutino "O Dia", eu no semanário "O Diabo", ali pelo fim dos anos 70. Fizemos algumas viagens juntos a terras de Espanha, com o Dr. Fernando Teixeira e o Fernando Camacho (e outros) para ver corridas. 

Lembro-me de termos ido, e essa deve ter sido a primeira de outras "excursões", à Real Maestranza de Sevilha em Outubro de 1980 assistir a um festival taurino em que actuava o toureiro que o Manuel mais admirou, o lendário Curro Romero e também o mexicano Alfonso Ramírez "El Calesero", que já tinha alguma idade e carregava às costas a grande mágoa de ao longo da sua carreira nunca haver pisado a mítica arena de Sevilha. Fê-lo nessa tarde e depois tirámos todos uma fotografia a seu lado não jantar oferecido pela Cadena Ser a seguir ao festival.

Ao longo da vida, houve um período em que, por norma, almoçávamos todas as semanas os dois. Ou na Cervejaria "Solmar" ou no Restaurante "As Velhas", que eram dois dos seus templos gastronómicos preferidos na capital. Ríamos imenso. O Manuel era aquela pessoa meio reservada que todos lembramos, mas tinha um sentido de humor tão apurado e tão engraçado. Falávamos muito e falávamos de tudo. Da sua Maçonaria, dos seus projectos jornalísticos - e dos meus. Apoiou-me sempre em tudo o que fiz. E esteve sempre a meu lado. Nos eventos que organizei, nas entregas de troféus do "Farpas", no dia em que me casei, no célebre jantar que os meus filhos organizaram na minha primeira noite "em liberdade", no dia em que cumpri o último fim-de-semana da pena de prisão no Linhó, no jantar-surpresa com que também os meus filhos também me surpreenderam no dia em que fiz 60 anos. O Manuel estava sempre lá. A meu lado.

Como Jornalista, foi exemplar, creditado e respeitado no meio profissional. Vinha de uma grande escola, a do "Diário de Notícias" do tempo de Augusto de Castro e de João Coito. Os jornalistas são meios doidos, dizem palavrões, fumam muitos cigarros... O Manuel era o contrário disso tudo. Era até às vezes demasiado formal na sua forma de ser e de estar. E isso marcava a diferença.

Há trinta anos - que se cumprem exactamente em 2021 - deitou a mão à nossa Tertúlia Tauromáquica D. Miguel I, que eu tinha formado em 1979 com o Vitor Escudero, o José da Cunha Mota e o João Pedro Cecílio, D. Duarte concedeu-lhe o título de Real e o Manuel nunca mais parou, transformando-a numa das instituições mais respeitáveis do mundo tauromáquico e cultural, presidindo aos seus destinos durante mais de vinte anos, até passar a pasta ao Francisco Godinho Cabral, mas sem nunca cortar o cordão umbilical que o ligava à Real Tertúlia, de que era agora Presidente Emérito.

O Manuel era um imenso patriota, defensor de todas as tradições, de todos os grandes valores pátrios. E um monárquico convicto. Neste dia 1º de Dezembro, lá vinha ele, sempre, no Facebook, celebrar com bonitas palavras a data da Independência Nacional. Defendeu como poucos a causa dos Combatentes do Ultramar. Produziu e realizou de 2000 a 2006 muitos programas sobre o tema no Canal História e fundou o Clube dos Combatentes, cujos almoços ou jantares se passaram a celebrar em paralelo com os da Real Tertúlia.

No mundo tauromáquico foi uma referência marcante. Ainda está vivo, graças a Deus, o João Queiroz. E continuam também entre nós, felizmente, embora já afastados da crítica taurina, nomes como os de Maurício Vale, Paulo Pereira, Vitor Escudero e Luis de Castro, daqueles muitos que compunham aquele grupo na célebre foto (que recordo aqui em baixo) tirada em 1980 no Restaurante "Tavares" quando Vera Lagoa fez a apresentação da página "O Diabo ao Quite", que eu escrevia semanalmente com o Dr. Fernando Teixeira no seu semanário. Desse histórico grupo, do tempo em que havia cronistas taurinos a sério, o Manuel era uma das últimas grandes referências.

Afastado da vida jornalística e também da crítica taurina - actividade que iniciara nos tempos do "Diário de Notícias" -, nos últimos anos limitava-se a escrever para o site espanhol "Aplausos" as crónicas das corridas a que assistia em Portugal. A última que escreveu foi a do festival de homenagem a Ricardo Chibanga no passado mês de Outubro na Chamusca, em que aclamou com o seu saber e a arte da sua escrita a "explosão de arte" de Morante de la Puebla.

Além de tudo o que se possa dizer da sua brilhante carreira profissional, há que destacar o fantástico ser humano que o Manuel foi. Bondoso, sério, amigo sincero do seu amigo, marido, pai e avô extremoso, sempre orgulhoso das vidas dos seus dois filhos, a Fernanda Teresa e o Baltazar, amigo e cúmplice de sua Querida "Tucha", a que chamava o seu Anjo da Guarda, dos seus adorados netos e muito em particular do Fernando, que era o mais velho e era também neto do seu amigo de sempre, o Dr. Fernando Teixeira.

No passado dia 26 de Outubro, com as (às vezes, exageradas, mas engraçadas) antecedências com que programava tudo, falou-me a convidar-me a mim e à Fátima, como sempre fazia, para jantarmos no dia 20 de Novembro celebrando no Restaurante "As Velhas" o seu 75º aniversário natalício. Agradeci imenso, fiquei cheio de pena, mas justifiquei a minha ausência com o facto de nesse mesmo dia, como aconteceu, estar em Madrid. O Manuel respondeu dizendo que ficava "desolado", mas compreendia. E marcámos um jantar para depois, para juntos comemorarmos os seus 75 anos.

Nos últimos anos, não se cansou de aclamar e manter vivas figuras que ele muito admirava no mundo da tauromaquia, casos dos cavaleiros D. Francisco de Mascarenhas, Fernando de Andrade Salgueiro, Luis Miguel da Veiga e outros mais. O Manuel admirava e idolatrava todos os que eram grandes. Nos seus tempos de crítico taurino activo, correu Espanha a ver João Moura, Vitor Mendes, Paulo Caetano. Não perdia uma Feira de Santo Isidro em Las Ventas, a de Badajoz em Junho, a de Málaga em Agosto. Curro Romero era o seu deus-maior, mas nutria também uma admiração enorme por Enrique Ponce, por "El Juli", por Manzanares e Morante. Tinha as suas preferências, como todos as têm, mas foi sempre um crítico taurino justo e imparcial, procurando acima de tudo enaltecer os valores e a grandeza da Tauromaquia.

Queria escrever muito mais e dizer outras coisas que agora me vão na alma, mas não consigo. Perdi um Grande Amigo. De uma forma tão estúpida. Com covid-19, quando já estava vacinado e depois de, nestes tempos tão complicados, ter sido uma das pessoas mais cautelosas que conheci.

Resta-me daqui beijar e abraçar a "Tucha", a Fernanda Teresa, o Baltazar (que viaja neste momento do Brasil para Portugal), todos os netos e neta, o Fernando, os cunhados, os amigos - que são tantos e tão bons.

E dizer ao Manuel que gostava muito dele, que me marcou muito, que aprendi tanto com ele e que vou ter tantas saudades dele.

Até um dia - é o que se costuma dizer. Até sempre, meu Querido Amigo!

Fotos Emílio de Jesus/Arquivo e D.R.

Desta célebre foto dos críticos no "Tavares" em 1980 já cá
restam muito poucos. O Manuel é o segundo da direita, de pé,
entre o Maurício Vale e o Paulo Pereira. E desta "equipa"
gloriosa, ele era agora uma das últimas grandes referências

Real Tertúlia cancela Almoço de Natal

A Real Tertúlia Tauromáquica D. Miguel I vai cancelar o seu Almoço de Natal, que estava agendado para o próximo dia 18 de Dezembro no Clube Militar Naval, em Lisboa, pela morte do seu Presidente Emérito, Manuel Andrade Guerra, devendo nos próximos dias comunicar oficialmente essa decisão - informa-nos Francisco Godinho Cabral, presidente da instituição.

Segundo Francisco Cabral (foto), só no início do próximo ano terá então lugar um almoço ou jantar da Real Tertúlia - no qual se homenageará a memória de Andrade Guerra e durante o qual se renderá também tributo, como estava anunciado, ao Maestro Paulo Caetano pelos seus 40 anos de alternativa.

Foto Fernando Clemente

Cerimónias fúnebres de Andrade Guerra só no fim-de-semana

As cerimónias fúnebres (cremação) de Manuel Andrade Guerra, que morreu ontem, aos 75 anos, no Hospital de Santa Maria, vítima de covid-19, só se realizarão no próximo fim-de-semana, sábado ou domingo.

As novas regras impostas pela pandemia impedem que o corpo seja velado numa Igreja, pelo que se vai manter no Hospital de Santa Maria até que exista vaga para ser cremado (no Cemitério do Alto de São João ou no dos Olivais, ainda está por definir), o que só poderá acontecer durante o fim-de-semana. 

Antes do acto de cremação, será celebrada uma missa - e esse será, infelizmente, o único momento em que poderemos render a última homenagem ao nosso Querido Amigo. E mesmo assim, com as devidas restrições quanto ao número de presenças.

Mal se conheçam os pormenores e a data do último adeus, imediatamente os anunciaremos.

Que em paz descanse.

Foto Emílio de Jesus/Arquivo

Paco Cáceres confirmado na equipa de apoderamento de Salgueiro da Costa

Paco Cáceres confirmado como apoderado em Espanha e França de João Salgueiro da Costa, que no último sábado foi proclamado como cavaleiro triunfador da última temporada na Gala da Tauromaquia, eleito por votação dos aficionados.

O acordo, cujas primeiras negociações decorreram na recente Feira da Golegã, ficou celebrado, por tempo indeterminado e à maneira antiga foi selado com um aperto de mão (a três) num jantar no último domingo em Estremoz, também com a presença de José Manuel Ferreira Paulo (Cachapim), apoderado de Salgueiro da Costa em Portugal (foto de baixo).

Referenciado como "El Pipo del Rejoneo", numa clara alusão ao famoso apoderado que descobriu e lançou Manuel Benítez "El Cordobés" e também ao facto de se ter destacado nos últimos anos como manager de inúmeras figuras do toureio equestre de Portugal e de Espanha, Paco Cáceres apodera também actualmente o cavaleiro Miguel Moura e os rejoneadores Sebastián Fernández e José María Martín e representa em Espanha os grupos de forcados Amadores de Arronches e Amadores Académicos de Coimbra.

João Salgueiro da Costa, que já toureou em arenas espanholas, vai na próxima temporada fazer uma intensa campanha no país vizinho.

Fotos desdelcallejon.com

Ontem, 3ª feira: 7.082 leram o "Farpas"

 

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Andrade Guerra: uma vida dedicada ao Jornalismo e à Cultura

Manuel Andrade Guerra morreu ao princípio da noite de ontem, terça-feira, aos 75 anos de idade (cumpridos no passado dia 20), depois do seu estado clínico se ter agravado substancialmente na manhã desta segunda-feira, após duas semanas internado na Unidade de Cuidados Intensivos da Ala Covid do Hospital de Santa Maria, em Lisboa. O Jornalismo e o mundo tauromáquico perdem um dos seus maiores e mais respeitados vultos.

Manuel José de Sá Osório de Andrade Guerra nasceu em Lisboa em 20 de Novembro de 1946. Iniciou a sua carreira jornalística no “Diário de Notícias”, então dirigido por Augusto de Castro, sendo a Redacção chefiada por João Coito.


Em 1971 partiu para Angola integrado num Batalhão de Cavalaria, como oficial miliciano. Permaneceu ano e meio na Zona Militar Leste, onde foi ferido em campanha sem gravidade e recebeu um louvor pela sua acção como Comandante de Grupo de Combate. Posteriormente ocupou o cargo de Comandante Militar de Benguela.


Após o seu regresso ao “Diário de Notícias” - onde, além das funções jornalística, assinou também críticas tauromáquicas - participa activamente, por altura do chamado Verão Quente de 1975, no célebre “Grupo dos 24”, que defendeu a liberdade de Imprensa, resistindo à “ditadura” editorial então ali imposta pelo novo director do jornal, o escritor José Saramago, com o apoio da célula comunista. Tal atitude valeu aos vinte e quatro jornalistas a expulsão do seu local de trabalho, uma arbitrariedade que mais tarde viria a ser considerada ilegal pelas autoridades judiciais.


Foi um dos fundadores do matutino “O Dia”, dirigido por Vitorino Nemésio e David Mourão-Ferreira, onde permaneceu até 1979, ano em que participa, como subchefe de Redação, no lançamento do semanário “Dez de Junho”, o orgão de informação que revelou o nascimento da Aliança Democrática. Neste jornal exerce também as funções de crítico tauromáquico a par com o Dr. Fernando Teixeira e José Sampaio (também antigo jornalista do “Diário de Notícias” e co-organizador, com Raúl Nascimento, das célebres Corridas da Imprensa no Campo Pequeno), trio que se denominava o dos “três Dons” (D. Fernando, D. Manuel e D. José).


Em 1978 desempenhou funções de cronista parlamentar da Rádio Renascença, por impossibilidade temporária do titular do cargo, José Salvado.


A partir de 1980 faz parte da Chefia de Redacção do “Correio da Manhã” e em 1991 Vitor Direito nomeou-o Director-adjunto daquele jornal, que entretanto conquistara a liderança no âmbito da imprensa diária. Sob a sua chefia, o “Correio da Manhã” passa a ser o orgão de informação que mais espaço dedica diariamente à Tauromaquia, através da pena dos críticos Américo Saraiva Mendes e José Manuel Severino.


Nesse mesmo ano de 1980, José Eduardo Moniz convida-o a intervir numa série de debates na RTP, que foram os primeiros programas políticos , ao vivo e em directo, com a participação de público. Entretanto, foi também, fundador e Chefe de Redacção do semanário de espectáculos “Êxito”.


Em 2000 começa a desenvolver o projecto “Combatentes do Ultramar”, a convite do jornalista e produtor espanhol Manuel Campos Vidal. Só no ano de 2002, a série inicial de três episódios, cada um com a duração de uma hora, foi exibida repetidamente num total de noventa horas pelo Canal História. O êxito alcançado levou a que o tema adaptasse periodicidade semanal, mantendo-se o programa até 2006.


Na sua também actividade sócio-cultural, Andrade Guerra era membro decano da Direcção do Prémio Infante D. Henrique, presidido pelo Duque de Bragança, a cujo Gabinete pertenceu durante onze anos.


Membro do Círculo Eça de Queiroz e da Associação de Amizade Portugal-Estados Unidos, era actualmente Presidente Emérito da Real Tertúlia Tauromáquica D. Miguel I, instituição fundada em 1979 por Vitor Escudero, Miguel Alvarenga, João Pedro Cecílio e José da Cunha Mota e que mais tarde (há trinta anos) Andrade Guerra reformou, tendo-lhe D. Duarte de Bragança atribuído o título de Real. 


Enquanto presidente da Real Tertúlia, instituiu os Troféus ao Mérito, que distinguiram anualmente figuras do mundo tauromáquico e homenageou também diversas individualidades com o título de Sócio de Honra, entre as quais a Condessa de Barcelona, Dª. Maria de las Mercedes de Bourbon (cujo diploma integrou pessoalmente no Camarote Real da Monumental de Madrid). Foi também fundador do Clube dos Combatentes.


Manuel Andrade Guerra possuía cinco condecorações, entre as quais a Medalha de Mérito do Voluntariado.


No âmbito tauromáquico, a sua aficion revelou-se quando era ainda criança. Iniciou em 1970 a actividade de cronista, em simultâneo com a de Jornalista profissional. Presidiu ao II (Santarém) e ao III (Salvaterra de Magos) Congressos Nacionais de Tauromaquia.


Foi, durante seis anos consecutivos, comentador do programa televisivo “Festa Brava” e participou, desde 1974, em mais de uma centena de conferências e colóquios.


Colaborou também em diversas obras literárias - foi, com Rui Oliveira, responsável pela coordenação dos textos de vários autores no livro comemorativo dos 125 anos da inauguração da praça de toiros do Campo Pequeno - e escreveu quatro livros: “João Moura - o Mito e as Efemérides” (1998), “Combatentes do Ultramar - Memória da Geração que Viveu a Guerra” (2003), “A Dor da Nação” (2005”) e “Cavaleiros - Heróis com Arte” (2009), a sua última obra, dada à estampa, como as outras três, com a colaboração fotográfica de Marques Valentim e na qual abordou as carreiras dos cavaleiros tauromáquicos D. Francisco de Mascarenhas, Luis Miguel da Veiga e D. José João Zoio.


Fotos Marques Valentim e D.R.


Os dois livros sobre Tauromaquia escritos
por Andrade Guerra: "João Moura - o Mito
e as Efemérides" (1988) e "Cavaleiros - 
Heróis com Arte" (2009)


terça-feira, 30 de novembro de 2021

Manuel Andrade Guerra: perdemos a última grande referência da crítica taurina de Portugal

Triste, demasiado triste, a notícia da morte, hoje, do nosso querido amigo Manuel Andrade Guerra, cuja situação clínica se agravara nas últimas horas.

Estava há duas semanas internado na Unidade de Cuidados Intensivos da Ala Covid do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, depois de ter contraído o vírus, apesar de já estar vacinado com as duas doses. Outras patologias de que padecia não terão viabilizado a recuperação, acabando por não resistir. Tinha 75 anos, cumpridos no passado dia 20.

A notícia da morte de Andrade Guerra - Presidente Emérito da Real Tertúlia Tauromáquica D. Miguel I - foi há momentos avançada na rede social Facebook pelo Grupo Tauromáquico "Sector 1", de que era sócio - e acaba de ser confirmada ao "Farpas" por fonte familiar.

Não são ainda conhecidos pormenores das cerimónias fúnebres, que aqui transmitiremos logo que possível.

Durante o dia de amanhã, o "Farpas" prestará as devidas homenagens à memória daquele que era a última grande referência da crítica taurina de Portugal.

A toda a ilustre Família enlutada, muito em particular a sua Mulher, Ana Magno Guerra, a seus filhos Fernanda Teresa e Baltazar, netos e netas, enviamos as mais sentidas condolências. Todos perdemos Alguém que fazia parte das nossas vidas. 

Que em paz descanse.

Foto M. Alvarenga

Melhor faena da Feira de Jaén: continuam a chover troféus distinguindo a brilhante temporada de Morante

Continuam a chover distinções e reconhecimentos à fantástica temporada protagonizada por Morante de la Puebla. Agora foi a vez do Círculo Cultural Taurino de Jaén lhe outorgar o XIV Troféu "António Luis Gómez", anualmente atribuído à melhor faena da Feira Taurina de San Lucas naquela cidade espanhola.

Morante foi galardoado pela sua faena ao toiro "Viña-4" da ganadaria de Sancho Dávila, lidado no passado dia 16 de Outubro na praça de toiros de Jaén (foto), a que cortou as duas orelhas.

Em anos anteriores, este troféu foi atribuído aos matadores López Simón, Curro Díaz, Emílio de Justo e Juan Ortega.

Foto mundotoro.com 

Campo Pequeno: Pombeiro começa a delinear a próxima temporada

Luis Miguel Pombeiro começa já a delinear a temporada de 2022 no Campo Pequeno, estando por enquanto a analisar com a administração da empresa a conciliação de datas possíveis para a realização das corridas de toiros, de acordo com o calendário de concertos e espectáculos já definido para os primeiros meses do próximo ano.

"É ainda cedo para adiantar datas. Não nos podemos esquecer que a nova empresa ficou com a praça para realizar concertos e outro tipo de espectáculos e esteve dois anos parada pela pandemia. Neste momento estão inúmeros concertos e outros eventos agendados para a praça do Campo Pequeno já para os primeiros meses de 2022, isso tem que ser respeitado. Já tive uma primeira reunião com a administração da empresa e estamos a ver as datas que ficarão disponíveis para a realização das corridas de toiros", diz-nos o empresário da Ovação e Palmas, responsável pelo sector da Tauromaquia na primeira praça de toiros nacional.

O mais provável é a temporada tauromáquica arrancar em finais de Junho ou mesmo só no início de Julho, prolongando-se por Agosto e pela primeira quinzena de Setembro, não se estando afastada a hipótese de vir a verificar-se uma redução no número de espectáculos tauromáquicos em relação aos realizados nas duas últimas temporadas, que foram seis.

Fotos M. Alvarenga


Ontem, 2ª feira: 9.945 leram o "Farpas"

 

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segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Ganadaria de Victorino Martín debuta na Colômbia na Feira de Cali

O site mundotoro.com divulgou hoje as fotos dos sete toiros da emblemática ganadaria de Victorino Martín (de que publicamos dois) que nos próximos dias vão embarcar para a Colômbia para ser lidados na Feira de Cali a 30 de Novembro, marcando o debute da divisa espanhola naquele país.

Os toiros de Victorino Martín serão lidados pelo matador local Luis Bolívar e pelo espanhol Emílio de Justo, que actuam nessa tarde mano-a-mano.

A Feira de Cali terá este ano como presidente das corridas o conhecido aficionado, empresário e apoderado português José Manuel Ferreira Paulo (Cachapim).

Fotos mundotoro.com

Badajoz declarada "Cidade Taurina por Excelência"

O Ayuntamiento de Badajoz aprovou esta segunda-feira que a cidade fronteiriça seja declarada "Cidade Taurina por Excelência", além de aprovar também a criação de um monumento comemorativo desta nomeação e que será colocado numa rotunda.

A votação da moção apresentada pelo conselheiro Alejandro Vélez foi aprovada com os votos a favor do Partido Popular e do Ciudadanos e teve a abstenção do PSOE.

Foto D.R.

Paco Velásquez em ombros na sua primeira corrida no México

O cavaleiro praticante Paco Velásquez saíu ontem em ombros na sua primeira corrida no México, em Cadereyta (Nuevo León), depois de ter cortado as duas orelhas ao segundo toiro do seu lote, tendo perdido os troféus no primeiro por matar só ao segundo intento, mesmo assim dando aplaudida volta à arena.

O toureiro de Riachos repartiu cartel com os matadores Ernesto Tapia "Calita" (que cortou uma orelha a cada um dos seus toiros) e Sérgio Flores (duas orelhas no segundo toiro do seu lote), que também sairam em ombros (foto).

O grupo de forcados Amadores do México pegou os dois toiros lidados a cavalo por Paco Velásquez, o primeiro à primeira tentativa e o segundo à terceira, tendo os seus elementos acompanhado o cavaleiro luso nas voltas à arena. Lidaram-se seis toiros da ganadaria Boquilla del Carmen.

Foto Miguel Calçada

Rui e Duarte Fernandes e "Juanito" a caminho do México

Os cavaleiros Rui e Duarte Fernandes e o matador "Juanito" rumaram esta manhã ao México, onde vão actuar no próximo fim-de-semana num festival taurino privado comemorativo do aniversário do rejoneador Félix Cantún.

Foto D.R.

Maestro Paulo Caetano homenageado no Almoço de Natal da Real Tertúlia

O Maestro Paulo Caetano será homenageado pelos seus 40 anos de alternativa no Almoço de Natal da Real Tertúlia Tauromáquica D. Miguel I - que se realiza no próximo dia 18 de Dezembro em Lisboa no Clube Militar Naval (Av. Defensores de Chaves, nº 26). Tal homenagem era para ter tido lugar no ano passado, mas a situação pandémica obrigou ao cancelamento do encontro de Natal da Real Tertúlia, que agora finalmente se realizará, celebrando o 30º aniversário da instituição.

O preço do almoço é de 30€ e as inscrições devem ser feitas desde já, devido à limitação do espaço, para o email fgodcabral@gmail.com ou pelo telemóvel 925 018 961. O nib para fazer o depósito é o 0036 0283 9910 0031 7660 8.

Fotos Emílio de Jesus/Arquivo e D.R.


Joaquim Alves de óptima saúde, felizmente!

O ilustre ganadeiro Joaquim Alves encontra-se, graças a Deus, de óptima saúde e não contraiu o vírus covid-19, como constou na última sexta-feira por não ter estado presente no jantar de entrega de troféus da Tertúlia "Festa Brava" em Aveiras de Cima, onde a sua ganadaria São Torcato foi galardoada pelo melhor toiro da temporada, prémio que foi recebido pelo seu amigo e antigo forcado José Jorge Pereira.

A ausência de Joaquim Alves ficou a dever-se ao facto de dias antes ter participado num jantar onde estava uma pessoa que dias depois testou positivo para a covid-19, o que o obrigou a ficar em casa por medida de precaução, mas encontra-se bem e, felizmente, já fez o teste que deu resultado negativo.

Foto Emílio de Jesus/Arquivo

"Correio da Manhã" destaca sucesso da Gala da Tauromaquia

O "Correio da Manhã" dá destacado relevo na sua edição de hoje ao sucesso da Gala da Tauromaquia, celebrada no sábado no Restaurante/Discoteca "Kais", em Lisboa, durante a qual foram premiados os triunfadores da última temporada.

Segundo o jornal, o evento conseguiu angariar 5.120 euros destinados "para a reconstrução de praças de toiros abandonadas".

Fotos Fernando Clemente e "CM"