sábado, 1 de agosto de 2026

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Lisboa e Coruche: 6 pegas de eleição ontem em Paio Pires

Miguel Alvarenga - Já aqui referi, mas reafirmo: os forcados de Lisboa e de Coruche salvaram ontem, com toda a dignidade e toda a valentia e valor, a honra da Tauromaquia Lusitana ao protagonizarem os melhores e mais emotivos momentos da corrida de praça cheia realizada em Paio Pires (Seixal) na corrida que o canal espanhol OneToro transmitiu em directo para o mundo inteiro, com seis rijas e duras pegas a toiros de ganadarias espanholas e portuguesas (concurso) daqueles que metem respeito, pedem contas e impõem seriedade ao espectáculo. Daqueles com que não se brinca...

As fotos das sequências das seis pegas creio que dispensam grandes comentários. Falam por si e retratam os momentos de grande verdade, de elevada seriedade e de muita emoção que os forcados dos dois valorosos grupos ontem protagonizaram em Paio Pires, saindo como máximos e absolutos triunfadores de uma noite que as câmaras do canal espanhol OneToro (em boa hora) levaram a todo o mundo, com altíssimos picos de audiências, ao que se sabe. E sem que com isso tenham prejudicado, antes pelo contrário, a afluência de público à praça. Os aficionados marcaram presença em força, pese embora a corrida ser transmitida pela televisão e a poderem ver comodamente em suas casas.

Ficam as imagens destacadas das seis pegas dos Amadores de Lisboa e Amadores de Coruche.

A primeira, ao toiro de Canas Vigouroux (550 quilos) foi consumada com brilhantismo e grande intervenção dos ajudas, pelo forcado Duarte Nascimento, de Lisboa, ao primeiro intento. Pega valorosa e perfeita a um toiro que, como já referi, saiu combalido, mas cresceu do longo da lide. O cavaleiro Gilberto Filipe não deu volta, veio ao centro da arena saudar o público, e o forcado regressou à trincheira, não tendo dado a volta - que merecia. A pega foi brindada a Maria João Rosado, presidente da Junta de Freguesia de Paio Pires, que presidiu à corrida no camarote.

Pedro Galamba, dos Amadores de Coruche, pegou o segundo toiro à segunda tentativa, depois de sofrer um violento derrote na primeira intervenção. Brindou aos céus, à memória de António José Zuzarte, saudoso cabo do Grupo de Montemor, falecido esta semana com 86 anos e por quem se guardou um minuto de silêncio ao início da corrida. O toiro era o de Prudêncio (560 quilos). O forcado deu volta com Miguel Moura.

Tomé Batalha, dos Amadores de Lisboa, fez uma rija e emotiva pega ao primeiro intento ao terceiro toiro da noite, o exemplar da ganadaria espanhola Benítez Cubero (540 quilos), brindando a sorte aos dois antigos forcados do grupo António José Casaca e Nelson Lopes, organizadores das corridas nesta bem cuidada praça de Paio Pires. O forcado contou com uma primeira ajuda primorosa de Gonçalo Bento, que o acompanhou e ao cavaleiro António Prates na muito ovacionada volta à arena.

A quarta pega, ao toiro espanhol de Villamarta, que viria a ganhar os prémios de bravura e apresentação neste Concurso de Ganadarias, foi uma pega assombrosa, magistral, executada pelo consagrado forcado coruchense António Tomás, que ficou praticamente só na cara do toiro depois de este se desviar do grupo, aguentando derrotes e mais derrotes até os companheiros se lhe juntarem. Um pegão a consagrar um forcado de eleição. Deu volta à arena com Gilberto Filipe e depois exigiram-lhe uma segunda e merecida volta, mas António ficou-se pelo centro da arena... e o cavaleiro juntou-se-lhe, repartindo os aplausos. Tomás brindou a sua grande pega aos dois gestores taurinos da praça, António José Casaca e Nelson Lopes.

José Batista, de Lisboa, fez a quinta pega ao toiro sobrero de Canas Vigouroux, com força e a arrear, aguentando que nem um herói um forte embate contra as tábuas, com ajudas perfeitas e eficazes de todos os companheiros. Uma pega dura e vistosa, emotiva e valorosa. Batista deu aplaudida volta à arena com Miguel Moura.

Para a cara do último toiro da corrida, o bonito e bravo exemplar de Passanha Sobral (580 quilos), que cresceu ao longo da lide depois de ter entrado em praça visivelmente combalido e aos tropeções, saltou à arena o valente cabo dos Amadores de Coruche, João Prates, que brindou aos companheiros do Grupo de Lisboa e em particular ao cabo Pedro Maria Gomes, que em Setembro se retira das arenas na última corrida do Campo Pequeno.

Bonito a citar e a evidenciar toda a sua experiência e enorme técnica que lhe conferem o estatuto de grande forcado, João Prates mandou no toiro, aguentou e templou a investida, fechando-se com decisão, mas sofrendo um forte derrote alto antes da chegada do primeiro-ajuda, que o deitou por terra. 

Na segunda intervenção, com ajuda brilhante do primeiro companheiro, consumou uma pega fabulosa, que resultou emotiva e vistosa. O público não lhe poupou aplausos, honrando-o com uma muito acarinhada volta à arena com o cavaleiro António Prates (dois Prates em triunfo!) e depois com chamada especial ao centro da arena, a que o cavaleiro, também chamado (pelo forcado) se recusou, com humildade e bom senso, a comparecer.

Grande noite dos Amadores de Lisboa e dos Amadores de Coruche, que aqui homenageamos com o habitual bloco com que, corrida a corrida, sempre honramos e prestigiamos a actuação de todos os grupos de forcados.

Fotos M. Alvarenga








Duarte Nascimento (Lisboa) na primeira pega da noite, que
brindou à presidente da Junta de Freguesia de Paio Pires













Pedro Galamba (Coruche) brindou aos céus à memória de António
J. Zuzarte e consumou valente pega ao segundo intento







Extraordinária pega de Tomé Batalha ao terceiro toiro, com uma
grande primeira-ajuda de Gonçalo Bento (que também deu volta)











A pega "brutal" de António Tomás (Coruche) ao toiro de Villamarta
vencedor do Concurso de Ganadarias






Rija e dura pega de José Batista (Lisboa) ao quinto toiro




















Uma lição: a pega do cabo João Prates (Coruche) ao último toiro
a fechar com chave de ouro uma noite de triunfo dos forcados