quarta-feira, 11 de março de 2026

João Maria Branco regressa às arenas após sete anos afastado: "Tinha claro para mim que mais tarde ou mais cedo voltaria a tourear"

O cavaleiro João Maria Branco vai regressar às arenas no festival de beneficência do próximo dia 21 na praça da sua terra natal, Estremoz, depois de ter toureado pela última vez há sete anos. Afastou-se das lides para se dedicar a cem por cento à sua empresa de mármores, mas o “bichinho” esteve sempre dentro dele, a sonhar com o dia do regresso. A adrenalina, a emoção, o contacto com o público faziam-lhe falta. Por isso está de volta. Sem ter ainda decidido se a reaparição é só por um dia ou se haverá mais actuações ao longo da temporada. A quase uma semana do regresso às lides, João Maria Branco falou ao “Farpas”. Vamos ouvi-lo.

Entrevista de Miguel Alvarenga


- João, este regresso às arenas é um regresso em força ou apenas tencionas tourear este festival? E é uma reaparição motivada porquê? Pelo “bichinho” que vive sempre dentro dos toureiros?


- A intenção e o foco neste momento é tourear o festival, depois veremos o que o futuro reserva. Nas últimas temporadas, tanto por parte da Tertúlia Tauromáquica de Estremoz como da empresa Toiros Tauromaquia, foi surgindo a possibilidade de tourear uma tarde em Estremoz. Este ano, sendo um festival de beneficência a favor dos bombeiros de Estremoz, achei que era o momento certo para reaparecer — por ser na minha terra e por uma causa tão nobre.


- Há quanto tempo não toureias?


- Toureei pela última vez há cerca de sete anos.



- Tens a tua empresa de mármores há alguns anos. Sempre pensaste em voltar a tourear ou era um “assunto arrumado”?


- Nunca foi um assunto arrumado, porque a paixão pela tauromaquia e pelos cavalos é permanente. Faz parte do nosso dia a dia aqui em casa. Ao longo destes anos continuei sempre a treinar de forma regular e tinha claro para mim que, mais tarde ou mais cedo, voltaria a tourear.


- Por que motivo, há uns anos, decidiste dar por terminada a tua actividade?


- Na altura tinha um projecto empresarial que estava a nascer e que precisava de ser liderado por mim. Era muito importante estar dedicado a 100 por cento a esse projecto e não podia estar em duas frentes tão exigentes ao mesmo tempo. Sabia, no entanto, que tinha uma vantagem a meu favor: era muito novo e, se quisesse, poderia sempre voltar a tourear mais tarde. 




- Que melhores e piores momentos recordas dos teus tempos de toureio?


- Os melhores momentos são aqueles em que sentimos uma ligação especial com o público e em que tudo sai como idealizamos no treino. Há tardes que ficam para sempre na memória, seja pelo ambiente na praça, pela resposta dos aficionados ou pela forma como os cavalos corresponderam.

Os momentos menos bons também fazem parte da vida de qualquer toureiro. Mas são esses momentos que nos fazem crescer e evoluir.


- Tens continuado a acompanhar a tauromaquia?


- Sim, tenho acompanhado sempre com atenção. A tauromaquia é uma paixão que nunca desaparece e continuo a seguir a actividade, as novas gerações e o trabalho que se vai fazendo nas praças. Mesmo nos anos em que não estive a tourear, foi algo que nunca deixou de fazer parte da minha vida.


- E cavalos? Certamente já não são os mesmos que tinhas. Estás preparado para uma reaparição?


- Os cavalos, embora na sua maioria sejam novos, estão a um bom nível. Naturalmente que agora os treinos têm sido mais intensos, precisamente para podermos aparecer bem e com a preparação que uma ocasião destas exige.


- O que podem os aficionados esperar de João Maria Branco no próximo dia 21 em Estremoz?


- Como disse, a preparação tem sido intensa. Para mim é importante aparecer a um bom nível, mas sobretudo quero que seja uma tarde para desfrutar junto dos aficionados, dos meus amigos e da minha família  numa praça que é muito especial para mim.


Fotos João Silva, Florindo Piteira e D.R./@João M. Branco