Miguel Alvarenga - "Os meus objectivos e os meus sonhos são os de todos os toureiros: poder um dia chegar a ser Figura do toureio, conseguir deixar história, não ser só mais um" - as palavras são do cavaleiros Parreirita Cigano e foram por ele ditas numa entrevista ao "Farpas" há quase dez anos, nas vésperas de tomar a alternativa no Campo Pequeno, efeméride cujo 10º aniversário vai celebrar na próxima temporada.
Parreirita Cigano, que verdadeiramente se chama Carlos Conceição, mas se anuncia nos cartéis com o mesmo nome artístico com que se celebrizou seu pai, o matador de toiros Parreirita Cigano, tomou a alternativa na praça do Campo Pequeno em 2017, apadrinhado pelo seu mestre, o consagrado Manuel Jorge de Oliveira. Na próxima temporada de 2027 cumpre dez anos de alternativa e, curiosamente, Manuel Jorge de Oliveira cumpre cinquenta, tomou a sua na Corrida dos Comandos no ano de 1977 também em Lisboa.
"Voltar ao Campo Pequeno e ter a mau lado, nem que faça só as cortesias, o mestre Manuel Jorge, é um dos sonhos que espero cumprir no próximo ano" - confessa o cavaleiro.
A alternativa e as corridas que se seguiram, nesse ano de 2017, revelaram um Parreirita Cigano verdadeiramente indomável, a emocionar todas as plateias com um toureio arrojado e de verdade, com ferros de risco e emoção que puseram as praças de pé.
O "Farpas" distinguiu-o como triunfador-revelação dessa primeira temporada no Campo Pequeno e na noite de entrega do prémio, que teve lugar num jantar na praça de toiros, o saudoso e muito exigente cronista Andrade Guerra teceu a Parreirita os maiores e mais rasgados elogios.
Tudo fazia prever uma carreira ascendente e em permanente e notória ebulição, mas a verdade é que as coisas não correram como se esperava.
"Houve uma ou outra actuação menos boa e depois quase me puseram na prateleira" - afirma Parreirita Cigano, lamentando que as coisas sejam assim: "Há lugar para todos, mas a mim quiseram-me pôr de parte...".
Quem o tentou parar? Foram os empresários? Foram os colegas?
"O público não foi de certeza, porque sempre me acarinhou e sempre reconheceu o meu valor... Houve um ex-apoderado meu que fez na altura campanha contra mim, dizendo que não tinha cavalos, que os vendia... Disseram-me que houve colegas que se recusavam a tourear comigo, não quero acreditar nisso, mas disseram... Os empresários foram atrás de muitas conversas e a verdade é que o grande prejudicado fui eu... Mas estou aqui, estou de moral levantada e pronto a sair outra vez para a guerra em força e seja com quem for!" - diz-nos o toureiro.
Parreirita nunca desmoralizou: "Sou novo, tenho tempo...". Refez a quadra de cavalos, afirma estar agora de novo "preparado para a guerra". E a primeira "batalha" é já de amanhã a oito dias, na sexta-feira 1 de Maio, na praça de toiros do Cartaxo, a praça da sua terra, onde nasceu e onde vive, onde não toureia há três anos.
Marta, sua irmã, continua a ser a apoderada. E à equipa juntou-se agora o conceituado bandarilheiro Joaquim de Oliveira.
Sexta-feira 1 de Maio na praça do Cartaxo, frente a toiros do Engº Jorge de Carvalho, Parreirita Cigano apresenta-se ao lado do veterano Luis Rouxinol e de Joaquim Brito Paes, numa tarde em que as pegas vão estar a cargo dos forcados de Coimbra, de Arruda e do Cartaxo.
É o novo fôlego na carreira de Parreirita Cigano, uma espécie de virar de página. Tem, para já, agendado outro compromisso no final do mês de Maio em Azambuja. São duas corridas de "vai ou racha", afirma o toureiro, "duas grandes oportunidades para estar bem e conquistar novos contratos".
"Estou preparado, quero voltar à ribalta, não sou de baixar os braços!" - assegura.
Fotos M. Alvarenga e Frederico Henriques/Arquivo
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| Esta semana no Cartaxo: Parreirita Cigano, Miguel Alvarenga, Paco Duarte e Joaquim de Oliveira |


