quarta-feira, 7 de outubro de 2026

António Prates proclamado como nova estrela da "Palha Blanco"!

Miguel Alvarenga - Vila Franca e a "Palha Blanco" foram ontem à noite palco da segunda e última corrida de uma magnífica e muito bem rematada Feira Taurina de Outubro, faltando ainda o espectáculo de recortadores que vai ter lugar no próximo sábado.

A jovem empresa liderada por Bernardo Alexandre marcou este ano a temporada pela diferença, depois de um primeiro ano de estreia onde foi notória, e natural, alguma inexperiência e alguns erros - que depressa ultrapassaram, realizando este ano uma série de corridas de muito interesse e sempre com forte presença de público, o que é animador e comprovador do bom trabalho que desenvolveram, tendo em conta que este é um dos públicos mais exigentes e, quase sempre, mais conflituoso quando alguma coisa não é do seu agrado. Quando, por exemplo, os toiros não têm o trapio que Vila Franca exige.

Nisso, os empresários apostaram com toda a força - e não desiludiram ninguém. A "Palha Blanco" exige toiros-toiros e seriedade. E isso aconteceu em todas as corridas, desde o Concurso de Ganadarias de Maio, passando pelo Colete Encarnado, chegando agora à Feira de Outubro.

Outro pormenor importantíssimo: a empresa "aguentou-se à bronca" quando os Velhos do Restelo (que ainda os há...) protestaram pela ausência de alguns cavaleiros-do-costume, apostando antes nos nomes do futuro e naqueles que se tinham destacado mais na temporada e na "Palha Blanco".

Vierem Miguel Moura e Tristão Ribeiro Telles no domingo, porque são os dois jovens cavaleiros mais destacados desta temporada e, indiscutivelmente, os dois primeiros entre as estrelas da nova vaga. Vieram ontem Salgueiro e Moura Jr., os triunfadores do Colete Encarnado, e António Prates, o triunfador do Concurso de Ganadarias de Maio. 

Bernardo Alexandre a sua equipa fizeram reviver nesta Feira de Outubro a postura dos empresários antigos, que repetiam quem triunfava e recompensavam, com respeito e incentivo, quem mais de destacava ao longo da temporada. Os triunfos valiam muito. E hoje não valem nada...

Hoje em dia já nada disso acontece. Há cartéis de Agosto e Setembro que se anunciam no início do ano, independentemente de como andarem os toureiros que os compõem, sem o mínimo respeito empresarial pelo andamento e pela evolução da temporada de cada toureiro. Em Vila Franca isso não aconteceu. Grande lição deu o Bernardo e os companheiros de empresa que estão a seu lado, o Rui Gato, o Eduardo Borba Castro, o Ricardo Castelo. 

A corrida de ontem, a tradicional nocturna de terça-feira que é a grande jornada de Exaltação ao Forcado Vilafranquense, só por pouco, muito pouco, não esgotou a lotação da "Palha Blanco". A praça estava cheia... até às bandeiras!

Viveu-se uma noite de grandes emoções com toiros de Veiga Teixeira sérios e exigentes, daqueles que põem tudo e todos no seu devido lugar e que justificam a velha tese que caracteriza esta ganadaria como "a que tira o sono a toureiros e forcados".

Os toiros bons para os ganadeiros nunca são toiros bons para os toureiros - e vice-versa. Os Teixeiras de ontem foram toiros daqueles que enchem as medidas ao seu criador, ao ganadeiro. Mas que não se pode dizer que tenham sido toiros magníficos para os toureiros. Pelo contrário. Deram-lhes água pela barba. Toiros muito sérios, a impor risco e perigo, a transmitir emoção, quase todos com cinco anos e outros a chegar lá perto. O ganadeiro foi premiado com volta à arena no quinto, um toiro de bandeira superiormente lidado por João Moura Jr., tendo-a dado o maioral.

A corrida resume-se em poucas palavras e sem necessitar de muitas considerações.

Houve um triunfador absoluto, no conjunto das duas lides, que foi o jovem António Prates (foto de cima), que ontem se autoproclamou como a nova estrela de Vila Franca - e não é fácil conquistar este estatuto. 

Vila Franca foi sempre a praça dos Ribeiro Telles. Há poucos anos passou também a ser uma praça talismã dos Moura, primeiro de João Júnior, agora também do Miguel - apesar de nunca, em tempo algum, ter sido uma praça favorável ao Maestro Moura. Desde ontem, a "Palha Blanco" e o seu exigente público adoptaram um novo filho pródigo - António Prates.

Com dois toiros exigentes, dos que pedem o bilhete de identidade, António Prates impôs a força da sua vontade, a raça do seu toureio, a ousadia e a verdade da sua forma de interpretar o toureio, pisando a linha de fogo, arriscando, emocionando, galvanizando. Brindou a primeira lide ao público e a segunda a seu pai, o cavaleiro retirado José Prates.

Foram duas lides distintas, mas com um denominador comum - o respeito pela pureza do toureio a cavalo. Pela verdade, sem martingalas, sem facilidades, sem lides estudadas e trazidas de casa. Prates toureou os dois toiros como eles tinham que ser toureados, bregando, lidando, recriando-se em ousados remates a ladear, consoante as investidas de cada um. Triunfou. Triunfou fortíssimo. O que é preciso fazer mais para se sair em ombros da "Palha Blanco"? Fazer o pino em cima do cavalo?...

Outro triunfo importante obteve João Moura Jr. na lide do quinto toiro, depois de no segundo da noite apenas lá ter estado, sem o costumeiro brilhantismo. Esse toiro era parado, complicado, sem dar opções. E Moura passou por ali sem deixar história. Saiu de cena de repente, pensava-se que tinha ido mudar de cavalo, mas afinal foi mas foi mudar de ares...

No quinto, a música foi outra. O toiro era sério, transmitia, tinha teclas, pedia contas. E Moura arranjou forma de terminar a sua temporada com um triunfo soberbo, com ferros de parar corações que levantaram o público das bancadas. Escutou música e deu aplaudida volta à arena com o forcado e o maioral da ganadaria Veiga Teixeira.

João Salgueiro terminava ali, onde em Julho tudo recomeçara, a marcante temporada do seu regresso às arenas. Mas desta vez não teve a noite sonhada.

O primeiro Teixeira era um toiro reservado, parado, que esperava. Não foi fácil, mas Salgueiro lidou-o com valor e com determinação, foi uma lide de total e completa superação, de maestria e de experiência. O director Ruben Fragoso só deu por isso já tarde, apenas lhe concedendo música no minuto final, quando João se despedia do público na porta de saída...

No quarto toiro da noite, um toiro também muito sério e muito exigente, o grande e genial Salgueiro dos momentos que marcaram esta temporada não esteve lá...

Diogo Malafaia e Cláudio Miguel intervieram vezes demasiadas durante as lides de Salgueiro. E o público protestou.

Despediu-se das arenas Benito Moura, a quem o primo João Moura Jr. cortou a coleta (sob o olhar emocionado do Maestro João) em cerimónia simples e despretensiosa, junto à porta dos cavaleiros, depois de lhe ter brindado (e ao ex-cabo e novo cabo dos forcados) a lide desse quinto toiro. José Maria Maldonado Cortes, o outro bandarilheiro da quadrilha, esteve eficiente sobretudo a colocar os toiros para as pegas.

Bem a quadrilha de Prates, formada por Jorge Alegrias e Francisco Marques, sem permanências constantes na arena.

Esta foi, como manda a tradição, a noite de Exaltação ao Forcado Vilafranquense, com a emoção acrescida da mudança de cabo. Já a seguir, dedicamos o destaque habitual às seis grandes pegas que marcaram esta noite de despedida de Vasco Pereira - que passou o testemunho a Rodrigo Dotti, um primeiro-ajuda de eleição que por duas vezes acompanhou o forcado de cara na volta à arena.

A corrida foi dirigida com acerto por Ruben Fragoso, assessorado pelo médico veterinário José Luis da Cruz.

Fotos M. Alvarenga




Lide de superação frente a um Teixeira daqueles que põem 
tudo no seu lugar. Salgueiro deu neste primeiro toiro um
arzinho da sua graça e uma sombra da sua genialidade...


Moura Jr. "não esteve lá"... frente ao segundo toiro da noite







Da primeira parte da corrida, o grande triunfador foi António
Prates. Na segunda parte repetiu o triunfo e consagrou-se
como a nova estrela da "Palha Blanco"! 

No quarto toiro não houve Salgueiro...
















Lide "brutal" de Moura Jr. no quinto magnífico toiro de Veiga
Teixeira. Nas fotos de cima, o corte da coleta ao primo Benito
sob o olhar emocionado do Maestro João Moura






Prates voltou a empolgar tudo e todos no último toiro. Deu 
aplaudida volta à arena com o novo cabo Rodrigo Dotti (grande
primeiro-ajuda) e com o forcado de cara Rodrigo Camilo

Encontro da Cultura Tauromáquica e grande corrida com Pedrito no próximo fim-de-semana em Idanha-a-Nova


Portalegre, Redondo e Beja: as 6 pegas na 2ª feira na "encerrona" de Moura Caetano no Coliseu do Redondo

Miguel Alvarenga - Os grupos de forcados Amadores de Portalegre, do Redondo e de Beja encarregaram-se, com brio a valentia, de pegar os seis toiros lidados pelo cavaleiro João Moura Caetano na passada segunda-feira no Coliseu do Redondo, na tarde de encerramento da temporada em que comemorou vinte anos de alternativa. 

Os toiros pertenciam às ganadarias de Torre d'Onofre (o primeiro), Paulo Caetano e Irmãos Moura Caetano. Não foram pêras doces para a forcadagem, mas os três grupos alentejanos estiveram com todo o brilhantismo à altura de tão importante e marcante acontecimento neste final de temporada.

Tomás Gomes, dos Amadores de Portalegre, grupo capitaneado por Gonçalo Louro e que tem estado a deitar cartas nesta temporada de 2026, foi o autor da primeira pega da tarde, ao toiro exigente e com teclas de João Augusto Moura (ganadaria Torre d' Onofre), de bonita pelagem e excelente apresentação. O forcado não esteve perfeito nas duas primeiras tentativas, acabando por consumar a pega à terceira com uma excelente e decisiva intervenção do primeiro-ajuda. A sorte foi brindada a João Moura Caetano.

Para pegar o segundo toiro saltou à arena Fábio Caeiro, do grupo anfitrião (Amadores do Redondo, comandados por Jorge Gato), que não é já propriamente um novato. Brindou também a Moura Caetano e ao cavaleiro sobressalente Gonçalo Fernandes, com quem o cabeça de cartaz repartira a lide deste toiro. Bem a citar, valoroso a recuar e a mandar na investida, fechou-se com decisão e contou com a pronta e coesa ajuda de todos os companheiros, aguentando a forte "pedalada" do exigente toiro sem nunca vergar. Grande pega, aplaudida calorosamente na volta à arena com o cavaleiro.

Fernando Caixinha, dos Amadores de Beja (sob o comando de Francisco Patanita), pegou o terceiro toiro da ordem, um belíssimo exemplar da ganadaria de Paulo Caetano (que deu volta à arena com o cavaleiro e o forcado). Destaque para a eficiente prestação, a dar ajudas, do mediático Kika Fonseca, um dos mais antigos forcados do país, que deu brado numa das recentes edições do "Big Brother". Pega executada à segunda tentativa, depois de o forcado ter sofrido um derrote que o deixou de fora na primeira intervenção. O Grupo de Beja dedicou também esta sua primeira pega ao cavaleiro Moura Caetano.

O quarto toiro da tarde, superiormente lidado a duo por Paulo Caetano e João Moura Caetano, foi pegado ao primeiro intento por Guilherme Alves, do Grupo de Portalegre, bem ajudado pelos companheiros. Neste pega, saíu lesionado o forcado João Ventura, que ficou estendido na arena, sendo prontamente socorrido no local pelo eficiente e sempre disponível Dr. António Peças. 

O forcado levantou-se e foi pelo seu próprio pé, amparado pelo médico, para a enfermaria, onde recuperou. No final da corrida, fomos informados de que sofrera "uma forte pancada no peito", mas nenhuma lesão grave, estando em franca recuperação.

O quinto toiro foi pegado por João Maria Silva, dos Amadores do Redondo, jovem franzino, senhor de uma técnica perfeita, que se fechou com decisão e com brilhantismo ao primeiro intento, muito bem ajudado pelos companheiros. Excelente triunfo do grupo da terra na sua praça. O Grupo do Redondo brindou esta sua segunda pega a D. Afonso de Bragança, filho de D. Duarte, que assistiu à corrida em representação da Casa Real. Moura Caetano também lhe brindara a lide deste quinto toiro.

Paulo Pelica, dos Amadores de Beja, pegou o último toiro também à primeira, com arte e valor e notável colaboração dos companheiros, fechando com chave de ouro uma tarde que foi de consagração e triunfo para o cavaleiro João Moura Caetano, mas a que se juntou a notável e valorosa prestação dos três bons grupos de forcados alentejanos.

Fique com as sequências das seis pegas.

Fotos M. Alvarenga


















Tomás Gomes (Portalegre) pegou o primeiro toiro, da ganadaria
Torre d'Onofre, à terceira tentativa









Valente pega de Fábio Caeiro (Redondo) ao segundo toiro, ao
primeiro intento














Fernando Caixinha (Beja) pegou à segunda o terceiro toiro, um
bom exemplar da ganadaria de Paulo Caetano, também honrado
com merecida volta à arena. Destacada intervenção, a ajudar,
de Kika Fonseca (terceira foto de cima), o forcado que deu brado
em 2024 no "Big Brother"











Guilherme Alves (Portalegre) pegou o quarto toiro à primeira.
Saíu lesionado o ajuda João Ventura, mas sem gravidade, ao 
que entretanto apurámos. Muitos aplausos na volta à arena
triunfal com Paulo Caetano e João M. Caetano, que bordaram
o toureio na lide deste quarto toiro








Outra grande pega do Grupo do Redondo, à primeira, por João 
Maria Silva, que brindou a D. Afonso de Bragança







Paulo Pelica (Beja) fechou com chave de ouro esta tarde
memorável pegando o último toiro à primeira