Francisco Mendonça Mira e Tristão Ribeiro Telles remeteram-se a um misterioso silêncio e optaram por não dar satisfações a ninguém sobre as razões que motivaram o final da relação profissional de apoderamento que os unia desde o início do ano passado.
Foi perto da hora de almoço de ontem, domingo, que ambos anunciaram o fim da união através de um curto e misterioso comunicado comum, estilo cartaz, publicado inicialmente nas páginas da "Tauronews" nas redes sociais e depois noutros sites. Os aficionados estavam em Santarém para assistir à primeira corrida da temporada e outros em Estremoz, onde se realizava um festival taurino. E as linhas telefónicas começaram a cruzar-se. "Já sabes do Mira e do Tristão?", "Parece que é coisa grave, mas não querem prestar declarações a ninguém"... Ninguém percebeu porquê, mais a mais tendo o divórcio ocorrido ao início da temporada, sendo comum que as separações ocorram só no final de cada época, a não ser que haja um motivo forte e grave que o motive e justifique...
Ontem em Santarém, no final do almoço promovido pela Associação Sector 9, o "Farpas" cruzou-se com Sofia Ribeiro Telles, mãe de Tristão, que, com a alegria e a boa disposição que a caracterizam, de imediato desdramatizou a situação: "Não se passa nada, continuam a ser amigos, não foi nada de grave, o que importa é que o Tristão continue a ir de frente aos toiros e a triunfar!".
À saída da corrida, cruzámo-nos com Francisco Mira, que se fechou em copas: "Acordámos os dois não prestar declarações. Está tudo bem. Desculpe, mas não vou acrescentar mais nada àquilo que dissemos no comunicado".
No comunicado, só diziam que a relação chegara "ao seu término", que "ambas as partes mantêm uma relação de amizade e admiração mútua, tanto profissional como pessoal" e que "não serão prestadas quaisquer declarações adicionais, no sentido de salvaguardar a carreira do cavaleiro e a relação de amizade entre ambos". Ficámos todos na mesma...
Durante o dia de hoje, a reportagem do "Farpas" ouviu várias fontes e todas elas apontaram para um mesmo culpado: terá sido o empresário todo-poderoso do momento, José Maria Charraz, o promotor, ainda que sem intenção propositada, da separação que desde ontem anda nas bocas do mundo (taurino, pelo menos).
O mistério está decifrado e explica-se em poucas linhas: José Maria Charraz, novo adjudicatário da Monumental do Montijo (e de outras importantes praças, além de manter desde a temporada passada uma parceria com a Ovação e Palmas de Luis Miguel Pombeiro no Campo Pequeno) quis contratar João Moura Júnior para a primeira corrida do ano nesta praça, a 16 de Maio.
Francisco Mendonça Mira, apoderado de Moura Jr., terá declinado esse convite/desafio, por considerar (disse-o em círculos de amigos, que nos confirmaram isso) que essa data de Maio no Montijo é sempre fraca, preferindo não arriscar que o cavaleiro fosse actuar numa corrida com pouco público.
Charraz não lhe perdoou essa nega. E há uma semana, pretendendo contratar Tristão Ribeiro Telles para uma outra corrida no Montijo, foi falar directamente com o toureiro, violando as regras, alegando e informando Tristão de que não queria tratar desta e doutras contratações com o apoderado dele, mas sim com ele directamente...
Tristão aceitou os contratos (feitos directamente com o empresário) e esta semana comunicou o sucedido a Francisco Mira, alegando que se tratava de "corridas importantes" e de "valores que não podia recusar"...
Francisco Mendonça Mira acabou por vestir a pele do marido enganado, que, como reza a história, é sempre o último a saber... O apoderado não gostou, obviamente, que o empresário Charraz tivesse violado as normas e lhe tivesse "passado por cima", contratando directamente o cavaleiro, sem que ele, o apoderado, fosse visto ou achado no negócio...
Mas gostou ainda menos que Tristão tivesse aceite a imposição de Charraz e ter-lhe-à dito que fizesse como entendesse, mas que se se deixasse contratar directamente, ignorando que ele existe como apoderado, a relação terminava logo ali. E terminou.
Esta manhã, o "Farpas" voltou a contactar Francisco Mendonça Mira por telefone, para apurar se confirmava ou desmentia esta versão das razões que motivaram o inesperado divórcio. O apoderado voltou, educadamente, a remeter-se ao silêncio: "Desculpe, mas não vou dizer absolutamente mais nada do que dissemos no comunicado".
Continuaram amigos, como fazem questão de referir no comunicado. Mas certamente não tão amigos como há uns dias atrás...
Fotos M. Alvarenga
