O Grupo Tauromáquico "Sector 1" festeja o seu 94º aniversário com um jantar no próximo dia 22 deste mês de Maio (20h30) no Hotel Roma, em Lisboa, e homenageia Mestre Luis Miguel da Veiga pelos seus 60 anos de alternativa.
O famoso cavaleiro nasceu em 30 de Dezembro de 1947, em Montemor-o-Novo, sendo neto de Simão Luís da Veiga e sobrinho paterno de Simão da Veiga, Jr., ambos prestigiados cavaleiros de alternativa. É bisneto do 1.º Visconde de Amoreira da Torre.
Luis Miguel da Veiga estreou-se em público em Setembro de 1961, com apenas 13 anos, numa vacada que teve lugar na praça de toiros de Montemor-o-Novo, pensando que aos 16 anos lhe podiam dar a alternativa, mas teria que esperar mais dois anos pois em Portugal só se podia ter a carteira profissional de qualquer profissão a partir dos 18 anos.
Chegou a ser anunciada a alternativa em 1964, acabou por tourear na mesma, mas só dois anos mais tarde a viria a receber, como se explica no anúncio que reproduzimos em cima.
Em 1966, a 28 de Julho, tomou por fim a alternativa na Monumental do Campo Pequeno, tendo como padrinho o Mestre dos Mestres, David Ribeiro Telles (foto e cartaz em baixo), e actuando ainda os matadores Armando Soares e Amadeu dos Anjos, bem como os Forcados Amadores de Montemor, sob o comando de Joaquim José Capoulas, lidando-se toiros da ganadaria de David Ribeiro Telles.
Ainda em 1966 protagonizou uma peça de teatro adaptada para a televisão por Herlander Peyroteo, intitulada "O Jovem Cavaleiro", na qual também contracenou com Mestre Batista.
Ficaram célebres as corridas em que alternou precisamene com o seu mais directo rival das arenas José Mestre Batista, formando com este o cartel mais anunciado e disputado durante 15 anos, o qual trouxe milhares de aficionados para a corrida à portuguesa - muitas praças (como a do Campo Pequeno) esgotavam os seus bilhetes poucas horas depois de anunciarem os cartazes com aquela parelha de cavaleiros. Outros tempos...
A sua distinta forma de montar e o classicismo e a arte das suas lides - tão marcadas pelas sortes frontais e pelos ferros ao estribo - terão levado o saudoso crítico tauromáquico Saraiva Mendes a atribuir-lhe o epíteto de "Príncipe do Toureio a Cavalo".
Ocupando o patamar das primeiras figuras do panorama taurino nacional até ao final do século XX, toureou nas mais distintas praças de Portugal continental, Ilhas, Angola, Moçambique, Macau, mas também em Espanha, nos Estados Unidos da América (Califórnia) e no México.
Ao longo da sua carreira, em que marcou indelevelmente a tauromaquia portuguesa numa fase de aprimoramento artístico e de apuramento técnico, celebrizou cavalos como o "Favorito", o "Ratão", o "Espartero", o "Bacará", o "Príncipe" e o "Guizo", os quais ficaram particularmente na memória dos aficionados.
Apesar de retirado das arenas por motivos cardíacos nos inícios do novo milénio, o Mestre (como passou a ser respeitosamente tratado) foi o cavaleiro convidado para participar, em 2006, no espectáculo realizado por Filipe La Féria para a reinauguração da praça de toiros do Campo Pequeno, onde triunfou com uma autêntica lição da arte de tourear.
Em 28 de Julho de 2016 voltou a vestir a casaca para fazer as cortesias na nocturna que teve lugar no no Campo Pequeno, precisamente para o homenagear pelos seus 50 anos de alternativa. Ainda no mesmo ano, voltou a vestir-se de toureiro e a fazer as cortesias em Montemor-o-Novo, sua terra natal, em mais uma corrida em que foi homenageado por meio século de alternativa. Na foto de baixo, ao início dessa corrida, foi descerrada uma placa na praça de Montemor e Miguel Alvarenga usou da palavra para enaltecer a figura e a trajectória do Mestre.
Fotos D.R. e Florindo Piteira





