Preparada este ano de modo diferente, com duas "eliminatórias" em Maio para encontrar o cavaleiro profissional e o praticante que iriam entrar no cartel encabeçado por João Ribeiro Telles, a associação Nossa Praça, formada na sua esmagadora maioria por antigos forcados da terra, encheu ontem a Monumental de Coruche (a foto de cima dispensa mais comentários) na data mais tradicional desta praça, a das festas, de 17 de Agosto. Três quartos fortes da lotação preenchidos.
Fugindo à moda dos cartéis mais do mesmo, a dinâmica associação de antigos forcados coruchenses montou aquele que é um dos mais importantes cartéis do calendário taurino nacional colocando no topo (cabeça de cartaz) um nome obrigatório em Coruche, um Ribeiro Telles, e elegendo depois outro cavaleiro profissional, que foi João Salgueiro da Costa (triunfador da corrida de 30 de Maio) e dando a oportunidade a um novo, que foi o praticante Luis Pimenta (triunfador do festival matinal realizado no mesmo dia), já com alternativa anunciada para 18 de Setembro em Almeirim. Um elenco diferente - a que o público aderiu enchendo a praça.
Foi uma opção diferente de montar a tradicional corrida de 17 de Agosto. A associação Nossa Praça inovou, revolucionou e, ao que sabemos, repetirá o formato no próximo ano, diversificando o cartel, dando outra vez oportunidade a um jovem, marcando a diferença.
Num ano marcado por muitos concursos de ganadarias, o que denota a falta de curros completos de toiros, Coruche não fugiu ontem a esta regra da temporada 2026, tendo-se lidado seis toiros de seis ganadarias do Sorraia. Não houve prémios de apresentação e bravura, tendo havido apenas um prémio para distinguir o melhor toiro - que foi o de Cunhal Patrício, superiormente toureado em terceiro lugar pelo jovem Luis Pimenta - que ontem foi, dos três cavaleiros em praça, aquele que "mais loiça partiu", rebentando com a escala, deixando um ambiente enorme para a sua alternativa em Almeirim.
Foram lidados, por esta ordem, toiros das ganadarias Conde de Murça, Veiga Teixeira, Cunhal Patrício, Ribeiro Telles, Vale Sorraia e Fontembro.
João Ribeiro Telles manteve o nível alto em que tem andado nesta temporada, primeiro com o toiro de Conde de Murça, com bom tipo mas escassa transmissão, depois com o toiro "da casa", o de Ribeiro Telles, o mais pesado da corrida, mas mesmo assim com mobilidade e a deixar-se. João lidou na perfeição e desta vez reapareceu o fabuloso cavalo "Ilusionista", com o qual pôs um grande ferro, terminando depois com um violino e um ferro de palmo. O público esteve com Telles.
Salgueiro da Costa, este ano a tourear menos do que é habitual (algo abafado pela reaparição de seu pai?...), é um toureiro que faz falta e que vinha embalado por duas temporadas de êxitos constantes, que não estão a ter a sequência que se exigia e que se impunha. Estranha esta nossa Festa...
Com o primeiro toiro, de Veiga Teixeira, sério, a incomodar, a exigir, pecou Salgueiro por consentir alguns toques, tendo protagonizado uma lide correcta, mas algo mais discreta do que lhe é habitual. Sem grande brilhantismo.
No seu segundo, quinto da ordem, da ganadaria Vale Sorraia, um toiro com som e com alegria nas investidas, Salgueiro esteve ao seu melhor nível, emocionando com ferros de grande verdade e ousadia.
Luis Pimenta enfrentou em primeiro lugar o sério toiro de Cunhal Patrício, com o qual realizou uma lide empolgante, a chegar ao público, de grande impacto e com ferros de muita emoção. Aproveitou o jovem ao máximo esta grande oportunidade de se mostrar numa das corridas mais cotadas da temporada, revelando-se um verdadeiro caso, como há já algum tempo vinha a demonstrar e a dar sinais altamente positivos.
Teve menos sorte com o último toiro, da ganadaria Fontembro, que não lhe deu opções nem lhe permitiu repetir o triunfo do seu primeiro toiro. Mesmo assim, deixou Luis Pimenta a mensagem de que não está aqui para ser mais um, tem vontade, tem querer, ambição e atributos que prometem levá-lo longe. A expectativa é agora enorme para a alternativa no dia 18 de Setembro na Corrida das Vindimas em Almeirim.
Os forcados Amadores de Coruche encerraram-se com os seis toiros para comemorar os 55 anos da sua fundação, tendo-se fardado e intervindo vários antigos elementos.
Forma autores das seis brilhantes pegas os forcados Martim Tomás (à terceira tentativa); Pedro Galamba (à primeira); o antigo e recordado forcado Ricardo Dias, que hoje é um competente director de corrida, que consumou uma grande pega à primeira, parecia aquilo que era a coisa mais fácil deste mundo (grande forcado!), só com antigos elementos a ajudar; Frederico Pinto, também ao primeiro intento, ao toiro de Ribeiro Telles com 670 quilos (!), com uma grande primeira ajuda de seu pai, o antigo forcado Paulo Pinto e com seu irmão António a dar segundas ajudas; António Tomás igualmente à primeira; e o cabo João Prates e Luis Carlos a fechar a tarde com uma excelente pega de cernelha ao complicado toiro de Fontembro.
Os toiros foram recolhidos a cavalo pelos campinos João Inácio "Janica" e Mário Gordo.
A corrida teve na direcção o antigo forcado Manuel Gama, que esteve assessorado pelo médico veterinário José Luis da Cruz.
Praticando preços acessíveis a todos, permitindo a entrada gratuita aos jovens até aos 14 anos, a associação Nossa Praça deu um exemplo de como se promove a Festa e se engrandece o seu grande esplendor - que um ano mais está em alta, com grande afluência de público às praças, com lotações cheias e muitas até esgotadas.
Coruche é uma das praças em alta nesta temporada! Na corrida de ontem, revela a associação Nossa Praça, foram vendidos 5.200 bilhetes.
Fotos D.R.


