sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Fazia 21 anos nesse dia: "Quim-Zé" Correia morreu há 60 anos colhido no Campo Pequeno

O cavaleiro Joaquim José Correia “Quim-Zé” morreu há exactamente 60 anos na arena do Campo Pequeno (16 de Outubro de 1966), colhido pelo toiro “Carvoeiro” da ganadaria Rio Frio, quando actuava no festival de beneficência que João de Castro (grande aficionado, compadre do matador de toiros Paco Camino) ali organizava todos os anos a favor do Orfanato-Escola Santa Isabel. Fazia 21 anos nesse dia. Hoje completaria 81 anos.

"Quim-Zé" Correia era no momento uma das mais promissoras figuras do toureio a cavalo, no qual apostara forte o empresário Manuel dos Santos. Neste festival de 16 de Outubro, cumpria a sua terceira presença nesse ano de 1966 na arena do Campo Pequeno.

Toureara em Lisboa em Março, no Domingo de Páscoa, primeira corrida da temporada, a corrida de reaparição do matador espanhol Juan Garcia "Mondeño" (que abandonara convento onde ingressara como frade, para voltar a tourear) e em Julho integrara o cartel da 4ª Corrida TV. Recebera a alternativa um ano antes, também no Campo Pequeno, a 18 de Abril de 1965 (Domingo de Páscoa), apadrinhado por D. José de Atahyde.

Joaquim José Correia que, como atrás recordámos, completava 21 anos de idade nessa fatídica tarde, actuava graciosamente na praça do Campo Pequeno no tradicional festival de final de temporada em benefício do Orfanato-Escola Santa Isabel e tinha por companheiros de cartel o cavaleiro José Samuel Lupi e os matadores de toiros espanhóis Júlio Aparício, António Borrero "Chamaco", Paco Camino e Paco Pallarés, pegando os Forcados Amadores do Montijo, então comandados por José Jacinto Carvalheira, tendo sido António Sécio, que mais tarde viria também a ser cabo do grupo, quem pegou o toiro que colheu mortalmente o cavaleiro.



A tragédia na tarde de 16 de Outubro de 1966 (fotos de cima) ocorreu quando o cavalo "Tirol" escorregou logo no início da lide (estava uma tarde de chuva e o piso apresentava-se escorregadio), caindo sobre o cavaleiro, que ainda sofreu a forte investida do toiro, ficando de imediato inconsciente na arena. Transportado ao Hospital de Santa Maria, já ali deu entrada em estado de morte cerebral, vindo o óbito a ser confirmado ao início da noite.


O seu funeral foi o primeiro cortejo fúnebre a passar na Ponte Salazar, que fora inaugurada meses antes nesse mesmo ano de 1966.



Após a sua morte foi-lhe dedicado o fado “Tarde Triste no Campo Pequeno”, com letra de José Guimarães e música de Resende Dias, cantado por Lenita Gentil (em cima).


Embora natural da cidade de Évora, Joaquim José Antunes Correia residia há alguns anos na Cova da Piedade. Ainda no Alentejo, dera os primeiros passos e recebera os primeiros ensinamentos de Mestre Simão da Veiga e de António Anão, famoso equitador do Redondo.


Nos anos 60, o empresário Manuel dos Santos elegera-o para rivalizar com o toureiro da época, o saudoso José Mestre Batista.


"Quim-Zé" foi o segundo cavaleiro a morrer na arena do Campo Pequeno, depois de Fernando de Oliveira em 1904.


Fotos D.R./A. Martins e Arquivo



Nesse ano de 1966, "Quim-Zé" toureara no Domingo de
Páscoa na corrida de abertura da temporada lisboeta
Em Julho voltou ao Campo Pequeno na 4ª Corrida TV


Programa de mão do festival realizado há exactamente 60
anos na praça do Campo Pequeno
A última entrevista