sábado, 19 de agosto de 2017

A praça esgotou e Sua Excelência faltou... que vergonha!



Miguel Alvarenga - O Campo Pequeno esgotou e Sua Excelência faltou.
Está a banhos no Algarve e esteve-se positivamente nas tintas para a importância da Tauromaquia, para o simbolismo do Campo Pequeno e para a efeméride que se comemorava, os 125 anos de inauguração da praça, primeira do país e uma das primeiras do mundo.
O que é isso, comparado com uns banhos de sol no reino dos Algarves?
Sua Excelência não pôde interromper as férias para vir engrandecer e honrar uma arte que é uma tradição cultural deste país. Não houve um fogo, não caíu uma árvore em cima de pessoas, nada que pudesse, assim de repente, trazer-lhe maior populismo e mais apoio eleitoral para uma próxima recandidatura.
A República vale o que vale e ontem foi honrada, valha-nos isso, pelas honrosas presenças de destacadas figuras socialistas, como Elísio Summavielle e João Soares. Ao menos, eles sabem honrar a tradição e respeitar a cultura - que Sua Excelência, pura e simplesmente, ignorou.
Há dois anos, quando foi preciso caçar votos, até a uma novilhada foi na praça do Sobral de Monte Agraço. Com o maior respeito por esta praça e pelo festejo que ali se realizava (fotos de cima), a realidade é que Sua Excelência não soube agora estar à altura da efeméride que se comemorou, com praça esgotada e com um público entusiasta e diferente a assistir a um espectáculo de que é preciso tirar milhões de ilacções para o futuro - mais logo falarei disso e de muito mais.
Sua Excelência faltou. Que vergonha. Mandou uma curta mensagem que, graças a Deus e dadas as péssimas condições sonoras, ninguém conseguiu entender.
Dizem agora que Sua Excelência virá à tourada de gala que no mês de Outubro encerra a Temporada Histórica do Campo Pequeno. Fazer o quê? Procurar aplausos? Já vem tarde. Devia era ter cá estado ontem.
Triste República. Que farsa tão ignóbil esta.

Fotos Maria Mil-Homens/Arquivo e D.R.


Ontem, 5ª feira: 13.861 leram o "Farpas"!


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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Campo Pequeno: os magníficos toiros de 6 históricas ganadarias para a noite de hoje

Ganadaria Palha - "Fusillito", 514 quilos
Ganadaria Palha - "Trillero", 508 quilos
Ganadaria Oliveiras Irmãos - "Gitano", 580 quilos
Ganadaria Murteira Grave - "Trochador", 546 quilos
Ganadaria David R. Telles - "Montura", 562 quilos
Ganadaria Vinhas - "Sogero 4", 628 quilos
Ganadaria Vinhas - "Ranchero I", 562 quilos
Ganadaria Passanha - "Observador", 552 quilos


Já se encontram nos currais da praça do Campo Pequeno os oito toiros (fotos de cima) das ganadarias Palha (dois), Oliveiras Irmãos, Murteira Grave, David Ribeiro Telles, Mário e Herdeiros de Manuel Vinhas (dois) e Passanha, de que pelas 17 horas vão ser sorteados seis para logo à noite sairem à arena na grande corrida comemorativa dos 125 anos da inauguração da praça, ocorrida precisamente nesta dia 18 de Agosto do ano de 1892.
A expectativa é enorme e neste momento já se vive um grande ambiente em torno da praça, tudo levando a crer que vamos ter logo à noite uma grande enchente à altura de tão marcante efeméride e de tão importante acontecimento para a Tauromaquia nacional.
O espectáculo vai ter início às 21h15 com a exibição da Charanga a Cavalo da Guarda Nacional Republicana e com um esperado momento de Fados nas vozes do consagrado Camané e da nova revelação, a luso-descendente Nathalie.
Pelas 22 horas terá início a grande corrida com os três Maestros do Toureio a Cavalo João Moura, António Ribeiro Telles e Luis Rouxinol e os grupos de forcados Amadores de Montemor e Amadores de Lisboa, comandados respectivamente por António Vacas de Carvalho e Pedro Maria Gomes.
Uma noite histórica e para a História!

Fotos Frederico Henriques/@Campo Pequeno

Odivelas: Noite de Fados à maneira antiga amanhã no "Solar das Carnes"



Gonçalo da Câmara Pereira (foto de cima) e Miguel Alvarenga (foto ao lado) amanhã na Noite de Fados que vai decorrer pela primeira vez no Restaurante "Solar das Carnes" em Odivelas - a não perder por nada deste mundo!
Reservas pelo telef. 212 482 119.

Fotos D.R.


Pablo Hermoso tem fim-de-semana televisivo em grande



Pablo Hermoso de Mendoza terá o fim-de-semana mais televisivo da sua temporada, em que será protagonista de três acontecimentos taurinos entre hoje e amanhã, sábado. O primeiro será a actuação desta tarde em Ciudad Real, ao lado de Andy Cartagena e Lea Vicens, com toiros de distintos ferros de "Niño de la Capea", corrida que é transmitida pelo Canal La Mancha Televisión com início às 19h30 (18h30 portuguesas).
Na segunda ocasião, será uma reportagem gravada nas suas fincas de Estella (Espanha) e México, em que repartirá o protagonismo com seu filho Guillermo Hermoso de Mendoza (fotos), depois dos seus triunfos em Mejanes e Estella, e que será emitido pelo programa "Tendido Cero" da TVE2 às 14h00 de amanhã.
O terceiro será amanhã o começo das Festas de Aste Nagusia de Bilbao com a sua tradicional corrida de rejoneio transmitida pelo Canal Toros de Movistar TV, corrida em que Pablo volta a ter por alternantes Cartagena e Lea Vicens.

Fotos D.R./Juan Andrés H. Mendoza


Imponentes Cunhais Patrício para dia 26 em S. Manços



Os cavaleiros Luis Rouxinol, Filipe Gonçalves e António Maria Brito Paes e os forcados dos grupos de Santarém e S. Manços enfrentarão seis impressionantes toiros da ganadaria Cunhal Patrício com mais de 500 quilos (um exemplar na foto de cima) na corrida que no próximo dia 26 de Agosto (sábado às 22 horas) se vai realizar em S. Manços, integrada nas tradicionais festas em honra do Sr. S. Manços e Nossa Srª da Ajuda.
Uma noite de prometidas emoções!

Foto Florindo Piteira

Obra de luxo é lançada a 21 de Setembro: Campo Pequeno edita livro comemorativo dos 125 anos



No âmbito das comemorações dos 125 anos da inauguração da praça (que esta noite se comemora com uma grande corrida de toiros com os Maestros João Moura, António Telles e Luis Rouxinol e os Forcados de Montemor e de Lisboa, antecedida às 21h15 de um espectáculo com a Charanga a Cavalo da GNR e Fados por Camané e Nathalie), a Administração do Campo Pequeno vai editar um livro para memória futura cujo título é "Campo Pequeno: 125 Anos no Coração de Lisboa" e cujo lançamento vai ocorrer no próximo dia 21 de Setembro.
Trata-se um livro que não pretende ser enciclopédico sobre o Campo Pequeno, até porque outras obras já versaram sobre o tema, mas que contém o testemunho de inúmeras personalidades que escrevem sobre as suas experiências, vivências e testemunhos - entre as quais, Elísio Summavielle (autor do prefácio), Pedro Santana Lopes, Paulo Pereira, Paulo Caetano, Dr. Vasco Lucas e Miguel Alvarenga.
Dentro de dias, serão divulgados mais detalhes, nomeadamente os nomes de todas as personalidades que foram convidadas a escrever.
Manuel Andrade Guerra, antigo director do "Correio da Manhã", é o editor desta magnífica obra, sendo o fotojornalista Francisco Romeiras o editor fotográfico. O livro, para além de documentos históricos, dá também grande prioridade à imagem com fotografas impactantes, como estas duas que hoje aqui divulgamos, da autoria de Rui Oliveira e Francisco Romeiras.
Terá um custo de 50 euros e uma edição de luxo de 252 páginas, capa dura, sobrecapa e os interessados podem desde já fazer a sua pré-reserva obtendo um desconto de 10%, ou seja, adquirindo a obra por 45 euros.
Para tal, bastará entregar os seus dados numa das bilheteiras do Campo Pequeno (nome, contacto telefónico, email e dados para facturação - nome/entidade, nif e localidade) ou enviando-os para o email tauromaquia@campopequeno.com juntamente com o comprovativo do pagamento por transferência bancária (45 euros) para o IBAN PT50 0033 0000 4544 6870 1960 5.

Fotos D.R. Rui Oliveira e Francisco Romeiras

Paulo Jorge Santos: 8 orelhas e 2 saídas em ombros em três corridas em Espanha!



esquecem-no e as empresas pura e simplesmente ignoram-no... em Espanha contratam-no e ele corresponde, triunfando. Há coisas que se não entendem e muito menos se conseguem explicar...
O cavaleiro vilafranquense Paulo Jorge Santos (detentor de uma das melhores quadras de cavalo do momento) cortou, apenas e só, 8 orelhas e saíu duas vezes em ombros nas três corridas em que participou esta semana em Espanha.
Na terça. feira, dia 15, cortou três orelhas e saíu aos ombros em Tabora; anteontem, 16, obteve uma orelha no único toiro que lidou em Mozoncillo; e ontem cortou quatro orelhas em Peñafiel, voltando a sair em ombros.
Será que não chega para se lembrarem as empresas nacionais que este toureiro existe e faz falta?...

Fotos D.R.


João D'Alva e António Prates em ombros ontem em Espanha


O valoroso novilheiro João D'Alva (foto de cima), representando a Escola José Falcão de Vila Franca, obteve ontem um triunfo importante ao cortar os máximos troféus, duas orelhas e rabo, a um novilho da ganadaria de Peña Blanca no festejo realizado em Almoharín (Espanha), na província de Cáceres, numa tarde de grande sucesso também para o jovem cavaleiro luso António Prates (foto ao lado), que actuava pela segunda tarde no país vizinho e cortou duas orelhas, tal como ocorrera no domingo no seu debute entre nuestros hermanos.
Os dois toureiros portugueses actuavam ontem "mano-a-mano" neste espectáculos e ambos sairam triunfalmente em ombros.

Fotos D.R.



Marcos Bastinhas com Pablo e Lea Vicens na Feira de Don Benito



Marcos Bastinhas (foto de cima) toureia com Pablo Hermoso de Mendoza e Lea Vicens no dia 8 de Setembro na corrida de rejoneio da Feira de Don Benito (Badajoz), que ontem foi oficialmente apresentada pela empresa Coso de Badajoz (José Cutiño), pertencente à mexicana Fusión Internacional por la Tauromaquia. Os toiros para esta corrida de rejoneio pertencem à ganadaria de Sánchez y Sánchez.
A feira está ainda composta por uma corrida de toiros e uma novilhada. No dia 7 de Setembro (nocturna), com toiros de Zalduendo, toureiam Enrique Ponce, Roca Rey e Ginés Marín; no dia 9 será uma novilhada de Diego García de la Peña com cartel formado por António Pintiado, Carlos Domínguez, Alejandro Riviero e Ismael Jiménez.
O cartaz da Feira de Don Benito (foto ao lado) é uma homenagem a "Manolete", no centenário do seu nascimento, uma pintura do artista colombiano Diego Ramos.

Fotos Fernando Clemente e FIT/aplausos.es

  

Irra que é demais!


Fantástico! Estes tipos não aprendem... Acabamos de receber mais um email de "um aficionado" contendo em anexo os cartazes de duas corridas que se vão celebrar brevemente, com a seguinte e gritante solicitação:
"Boas tardes, serve o presente email a pedido da empresa para divulgação dos espectáculos"...
Ou seja, nós recebemos os cartazes de vossas excelências e corremos a estampá-los aqui gratuitamente, por amor a essa empresa (que desconhecemos qual é...), publicitando-lhe de mão beijada os seus espectáculos para que o público deles tenha conhecimento (no espaço taurino mais visto do país, ainda por cima!) e a eles acorra.
Saberão esses tipos o que é publicitar um espectáculo?
Experimentem, insisto, enviar os mesmos cartazes para os canais televisivos... pode dar-se o caso de que abram os telejornais a promovê-los... a troco da absolutamente nada.
Irra, que até enerva o amadorismo assustador desta malta!...

Foto D.R.


David Antunes aparatosamente colhido ontem na Arruda



O consagrado bandarilheiro vilafranquense David Antunes, sobrinho do Maestro José Júlio, membro da quadrilha de Luis Rouxinol Jr. e também da de seu pai, sofreu ontem uma violenta e aparatosa colhida na Arruda dos Vinhos quando bregava o potente toiro do Engº Jorge de Carvalho, com 560 quilos, vencedor dos prémios de bravura e de apresentação que se disputavam no tradicional Concurso de Ganadarias que ali se celebra nesta data há 19 anos.
Um dos melhores bandarilheiros da actualidade, David Antunes foi violentamente agarrado e derrubado pelo toiro, que não mais o largou no chão, apesar da pronta intervenção de outros companheiros e de forcados e do próprio Luis Rouxinol (pai) que, num gesto que lhe é muito habitual, foi dos primeiros a saltar à praça e a rabejar valentemente o toiro em auxílio do seu fiel colaborador, fazendo-lhe ainda no final um arrojado desplante na cara.
David Antunes, a quem depois Luis Rouxinol Jr. dedicou o seu último ferro (foto ao lado), sofreu escoriações na cara, mas nenhuma lesão grave, felizmente. Esta noite estará no Campo Pequeno na corrida de celebração dos 125 anos da inauguração da praça, actuando às ordens de Luis Rouxinol, formando parelha com Manuel dos Santos "Becas".

Fotos Carlos Silva



Arruda, ontem: Luis Rouxinol Jr. deu mais um importante passo em frente

Actuação exuberante e emotiva de Rouxinol Jr. deu-lhe ontem, com justiça e
absoluto merecimento, o troféu da melhor lide na corrida nocturna e de casa
cheia na Arruda dos Vinhos. O jovem cavaleiro continua a marcar a diferença
entre os novos no ano da sua aplaudida alternativa em Lisboa - onde se impõe
que regresse numa das três corridas que faltam na Temporada Histórica
No último toiro, do Engº Jorge de Carvalho, vencedor absoluto do Concurso de
Ganadarias (ganhando os troféus de bravura e de apresentação), os dois
triunfadores da noite na volta à arena: Luis Rouxinol Jr. e o forcado Pedro Sabino,
dos Amadores da Arruda dos Vinhos
Aficion, rigor e bom senso na direcção de corrida
de Rogério Jóia ontem na Arruda
A corrida foi antecedida pelo sempre apreciado cortejo das Touradas Reais, de
gala à antiga portuguesa, tendo sido net, uma vez mais, o menino João Maria
Gregório de Oliveira
Ana Batista lidou com aprumo e a usual alegria e bom
gosto um novilho de Casquinha
Manuel Telles Bastos fez gala da sua muita classe numa lide boa ao toiro de
Luis Rocha, que cresceu, mas se adiantava
Ritmada e artística lide de Duarte Pinto a um toiro de Lampreia que pedia contas
Grande actuação de Francisco Palha com o encastado toiro
de Santiago, a demonstrar o grande momento que vive
em mais uma temporada de plena consagração
Lide esforçada a arrojada de Miguel Moura, pisando terrenos de compromisso
para conseguir cravar os ferros no toiro manso de Manuel Veiga que passou
a noite nas tábuas, recusando ir à luta
Muito bem esteve Guilherme Dotti (Vila Franca) na primeira pega da noite,
à primeira tentativa
João Costa (Arruda) consumou à primeira a segunda pega da corrida
Gonçalo Filipe (Vila Franca) na terceira pega da noite, à segunda
Tiago Silva (Arruda) consumou à segunda a quarte pega da noite
Pedro Silva, de Vila Franca, fez uma grande pega e a mais
tecnicamente perfeita ao quinto toiro. Pena que tivesse
escorregado na cara do toiro na primeira tentativa,
consumando com brilhantismo à segunda
Sequência da última pega da noite, vencedora do troféu em disputa, consumada
à primeira por Pedro Sabino e que resultou emotva, levantando o público das
bancadas. Um forcado eficiente e valente dos Amadores da Arruda


Miguel Alvarenga - O jovem cavaleiro Luis Rouxinol Júnior sagrou-se ontem maior triunfador da corrida de gala à antiga portuguesa que se celebrou na praça da Arruda dos Vinhos, cheia até às bandeiras (à tarde esteve também cheia a praça de Coruche, o que comprova o que digo há imenso tempo: não há crise nenhuma na Tauromaquia, há é touradas a mais e muitas sem razão de ser e, principalmente, sem interesse ou chamariz algum...), numa noite de fraquito Concurso de Ganadarias (já vi melhores) e onde há a registar também duas excelentes actuações de Duarte Pinto e de Francisco Palha, sobretudo a deste último.
Com o toiro que denotou melhores condições de lide (por isso, vencedor do sempre subjectivo prémio de bravura) e mais espectacular apresentação (vencedor também desse troféu, o único que recebeu aplausos quando entrou na arena), pertencente à ganadaria do empresário da praça, Engº Jorge de Carvalho, o novo Rouxinol esteve exuberante e artista numa lide em crescendo e cheia de fulgor, a reafirmar, no ano da sua aplaudida alternativa em Lisboa, os magníficos progressos que exibe de corrida para corrida e a cada vez maior e mais definitiva confirmação de que vai ser um caso e de que marca, na realidade, entre os novos, a diferença, a grande diferença.
Arrojo, ousadia, arte e um enorme sentido de lide são apanágios deste jovem cavaleiro que se começa a destacar por ele próprio e a distanciar-se a passos largos do estigma de ser "o filho do Luis Rouxinol". Luis André está a marcar esta temporada.

Francisco Palha em noite de grande fulgor

Outro cavaleiro que deu no ano passado o chamado Grito do Ipiranga e não mais parou de surpreender, é Francisco Palha. Lide brilhante e também ousada e com ferros de uma imensa verdade, a pisar terrenos de compromisso, a arriscar, sem facilidades e sem folclores para a bancada, todo ele é aprumo, todo ele é classe e todo ele é arte e valor. Grande Palhinha ontem na Arruda diante de um toiro exigente de Santiago, que teve bom comportamento e cresceu ao longo da lide, estando também bem apresentado para um concurso de ganadarias.
Outra actuação digna de destaque foi a de Duarte Pinto no terceiro toiro da corrida, o exemplar da ganadaria Lampreia, que não foi fácil, mas ao qual o cavaleiro de Paço D'Arcos logrou dar a volta, com acertada brega e emotivos ferros, bem ao seu estilo comunicativo e sempre em sintonia com o público.
Ana Batista abriu praça com um novilho de Nuno Casquinha que por não ter quatro anos não entrou em concurso e que substituia o toiro de Varela Crujo, que se inutilizou, segundo o empresário. menos bem com os ferros compridos, veio-lhe a casta acima com os curtos, entrando nos terrenos do oponente e cravando com emoção, numa lide que veio sempre de menos a mais e terminou em beleza para a bonita cavaleira de Salvaterra.
O toiro do Engº Luis Rocha, segundo da ordem, de escasso trapio e fraca apresentação para um concurso de ganadarias, foi crescendo ao longo da lide, mas adiantava-se e com ele Manuel Ribeiro Telles Bastos teve uma actuação pautada pela regularidade e pela classe que é, desde sempre, a maior virtude da sua bonita interpretação do toureio equestre à maneira antiga. Os compridos cravou-os à tira e nos curtos já foi mais de frente, cravando ao estribo de alto a baixo, bem, ao melhor estilo clássico dos bons Ribeiro Telles. Fez questão, como escrevi anteriormente, de que a sua actuação não fosse tida em conta pelo júri na decisão de atribuir o prémio à melhor lide, mas isso são contas do rosário do Manuel e não minhas, respeito-o.
O toiro de Manuel Veiga, quinto da noite, também de apresentação curtinha para um concurso de ganadarias, foi manso e bem cedo se ficou pelas tábuas, recusando ir à luta. Miguel Moura, a viver uma temporada de importantes triunfos e de grande afirmação, esteve valente e com atitude. Bem montado, foi-se ao toiro com decisão e vontade de marcar a diferença, entrando por ele dentro em terrenos de grande aperto e alto compromisso. Foi uma lide esforçada e de grande entrega, mas sem brilhantismo pela falta de toiro.

Forcados de V. Franca e Arruda em triunfo

As pegas, sem dificuldades de maior, foram executadas pelos Forcados Amadores de Vila Franca de Xira e pelos Amadores da Arruda dos Vinhos, um grupo menos rodado e menos visto, mas com valor e em boa forma.
Pelos vilafranquenses pegaram Guilherme Dotti (muito bem, à primeira), Gonçalo Filipe (à segunda) e Pedro Silva (não fosse ter consumado à segunda, apenas e só porque escorregou e caíu na cara do toiro na primeira tentativa, pegando depois brilhantemente, e esta teria sido a grande pega da noite, pela arte, pela técnica e pelo aprumo que o forcado evidenciou no cite, a recuar, mandando na investida e a dar a maior prioridade ao toiro e a fechar-se com enorme decisão, bem ajudado pelo grupo já quase em cima das tábuas).
Pelo grupo da casa foram caras João Costa (à primeira), Tiago Silva (à segunda) e Pedro Sabino (à primeira, numa pega que resultou emotiva pelo derrote alto que o toiro lhe deu e que venceu o prémio em disputa para a melhor da noite).
Direcção aficionada e rigorosa, com o bom senso que lhe reconhecemos, de Rogério Jóia, que esteve ontem assessorado pelo médico veterinário Dr. José Manuel Lourenço. A corrida iniciou-se com as sempre apreciadas cortesias de gala à antiga portuguesa, evocando as Touradas Reais, com a participação da Charanga a Cavalo da GNR e do neto que voltou a ser o menino João Maria Gregório de Oliveira.
Nota negativa, apenas, para o excesso de capotazos dados aos toiros pela esmagadora maioria dos bandarilheiros. Está na moda os cavaleiros tourearem "mano-a-mano" com os seus bandarilheiros e isso é uma prática que tem que acabar. Para mais, num concurso de ganadarias. Houve capinhas a mais, tempo a mais, dentro da arena...

Fotos Carlos Silva