Diego Ventura continua imparável, não há quem o agarre, é indiscutivelmente o maior rejoneador de todos os tempos, por isso não é de admirar os resultados que obteve esta tarde em Zafra: duas orelhas no primeiro toiro e duas orelhas e rabo no segundo, quinto da ordem, no qual o ganadeiro português Armando João Moura foi muito merecidamente premiado com volta à arena acompanhando Ventura e o forcado do Aposento da Moita.
Leonardo Hernández aproveitou as belíssimas qualidades dois toiros da ganadaria Maria Guiomar Cortes de Moura e fez alarde da sua arte e da sua raça: cortou as duas orelhas ao primeiro toiro do seu lote e mais uma ao segundo, último da corrida.
Mas foi a maestria de João Salgueiro, que não toureava em Espanha há já alguns anos (e agora é muito provável que volte em força na próxima temporada), que dominou a tarde em Zafra, com muitos aficionados portugueses na bancada a apoiá-lo.
João Salgueiro marcou esta temporada nacional. Todas as suas corridas foram acontecimentos que todos vão lembrar. A temporada não foi a mesma desde que o Génio regressou às arenas em Julho na corrida do Colete Encarnado em Vila Franca. Precisamente o mesmo cenário onde na noite da próxima terça-feira termina esta sua história temporada.
Hoje em Zafra, Salgueiro teria cortado as duas orelhas se tem morto bem o primeiro toiro. Foi aplaudido. No segundo, quarto da ordem, abriu o livro e bordou o toureiro. Cortou duas orelhas e no final saíu em ombros com os dois companheiros de cartel e também com Armando João Moura (foto de cima), que foi outro grande triunfador da tarde pelo sucesso dos seus bons toiros. O segundo toiro, "Aragonés", nº 92, teve honras de volta à arena no arraste.
Vamos ler o que escreveu o crítico António Girol no site "Mundotoro", palavras de louvor à ganadaria e ao cavaleiro luso, que transcrevemos com a devida vénia:
"A corrida de Guiomar de Moura, com um toiro de volta à arena e outros cinco de muito boa nota, permitiu que o veterano João Salgueiro, Diego Ventura e Leonardo Hernández mostrassem o melhor das suas tauromaquias e proporcionassem momentos de grande satisfação ao público".
E no capítulo referente a Salgueiro, assim descreve o crítico espanhol a passagem do Génio de Valada pela arena de Zafra:
"Trinta e oito anos de alternativa abrilhantam o percurso do português João Salgueiro, que, no quarto toiro, demonstrou a sua mestria na equitação e uma vontade própria de quem está a iniciar-se na profissão. O 'Ojo de Rey' é o cavalo de eleição da sua quadra, como ficou evidente numa lide elegante, em que se destacaram o ajuste nas batidas e a toreria na saída da cara do toiro. Salgueiro agradou muito aos aficionados pelo seu classicismo, ao abordar sempre de frente a reunião com o exemplar de Guiomar de Moura, que, tal como os seus irmãos, foi bravo e muito nobre.
"Cortou duas orelhas e desforrou-se do primeiro toiro, perante o qual também rubricou uma grande atuação, que acabou por ficar manchada pelo uso do verduguillo (estoque de descabellar).
"É sempre agradável para o aficionado ver um cavaleiro como Salgueiro numa praça tão histórica como a de Zafra, por onde passaram alguns dos mais importantes toureiros a cavalo da história da tauromaquia, e constatar que o classicismo estará sempre na moda".
Nesta corrida actuaram também os forcados do Aposento da Moita, capitaneados por Luis Canto Moniz, repetidos pelo empresário Joaquín Domínguez (um grande amigo de Portugal) devido ao triunfo que aqui obtiveram no ano anterior.
Os forcados moitenses pegaram o primeiro, quinto e sexto toiros por intermédio de Tiago Nobre (à segunda tentativa), Lourenço Silva e Duarte Ventura, ambos ao primeiro intento.
Fotos D.R. e Fernando José
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| Nesta sua histórica temporada do regresso às arenas, Salgueiro também marcou em Espanha, onde pode voltar em força no próximo ano |
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| Triunfo grande da ganadaria Maria Guiomar Moura. Armando João deu volta à arena no quinto e o segundo toiro foi premiado também com volta ao ruedo no arraste |
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| Os três forcados autores das aplaudidas pegas dos Amadores do Aposento da Moita |








