No mesmo dia e à mesma hora em que foi galardoado na Gala da Tauromaquia com o prémio do público como cavaleiro praticante triunfador da temporada nacional, o jovem rejoneador luso-mexicano André Gonçalves obteve um triunfo apoteótico na novilhada celebrada em Tlaxcala (México), onde bordou o toureio no seu segundo novilho e cortou uma orelha, tendo forte petição da segunda, que injustamente a presidência lhe negou.
Mesmo privado da mais que merecida saída em ombros pela porta grande, o jovem André (16 anos) deu aplaudida volta à arena com o ganadero de Zacatepec (foto de cima), com o público a aclamá-lo aos gritos de "Torero! Torero!".
No novilho que abriu praça, André teve também uma actuação de muito mérito e grande impacto, perdendo pelo menos uma orelha com o rojão de morte.
Há muito tempo, referem os cronistas mexicanos, que uma novilhada em Tlaxcala "não deixava tão grato sabor e tão fortes emoções como esta, onde, se não tivesse havido falhas na sorte suprema, se teriam cortado várias orelhas e os três toureiros teriam saído em ombros".
André repartiu cartel com os novilheiros Jesús Sosa (palmas e volta à arena) e Miriam Cabas (volta à arena nos dois novilhos) e com os Forcados de Tlaxcala, de que se destacou Luis Tenório com uma grande pega ao primeiro novilho. Lidaram-se a cavalo dois novilhos de Zacatepec e, a pé, quatro das ganadarias Atlanga, Tepetzala e Monte Caldera.
Foi enquanto participava nesta novilhada que André Gonçalves soube da distinção que acabara de receber na Gala da Tauromaquia como melhor cavaleiro praticante eleito pelo público, enquanto que o distinguido pelo júri foi Duarte Fernandes. Uma distinção que assume particular importância e especial relevância se tivermos em conta que o jovem ginete apenas participou em dois festejos na temporada portuguesa, o primeiro em Paio Pires e o segundo em Évora.
André Gonçalves, filho do reputado equitador Tiago Perna e de mãe mexicana, esteve representado na Gala da Tauromaquia por seu tio David Perna e por Henrique Lázaro, conhecido aficionado de Alcácer do Sal, amigo da família Perna e que foi quem subiu ao palco para receber o prémio - que, como todos os outros, foi um bonito quadro pintado por João Quintella.
Fotos D.R.


