sábado, 11 de abril de 2026

Luis Miguel Pombeiro conta as primeiras novidades oficiais do Campo Pequeno e sublinha que "só com quatro corridas não podemos agradar a gregos e a troianos"

É a entrevista por que todos esperavam. Luis Miguel Pombeiro, da empresa Ovação e Palmas, gestor taurino do Campo Pequeno, o empresário que "bateu os pés" à pandemia e levou por diante a continuidade da realização das corridas de toiros quando todos os outros deram um passo atrás, fala pela primeira vez sobre o que vai ser e como vai ser a temporada na Catedral do Toureio Nacional, hoje infelizmente reduzida a quatro festejos, quando até nos tempos da covid se realizaram seis.

Continua unido ao empresário alentejano José Maria Charraz, seu parceiro desde a temporada passada e na gestão das quatro corridas de Lisboa têm este ano um conselheiro que dispensa apresentações, o Maestro Paulo Caetano.

Nesta entrevista exclusiva ao "Farpas", Luis Miguel Pombeiro confirma o cartel que adiantámos para a corrida de abertura da temporada em 16 de Julho e confirma também o segundo (6 de Agosto, a alternativa de Duarte Fernandes, com Rui Fernandes e Diego Ventura), anunciando que os outros dois estão ainda a ser formados. Um será de comemoração dos vinte anos de alternativa do cavaleiro João Moura Caetano e o outro será, provavelmente a encerrar a temporada em Setembro, uma corrida de gala à antiga portuguesa com um elenco de seis cavaleiros (essencialmente formado por jovens da nova vaga) e onde se homenageará Mestre Luis Miguel da Veiga pelos seus 60 anos de alternativa.

Os cartéis serão apresentados no início de Maio - Pombeiro e Charraz estão apenas à espera da confirmação das encontrar uma data em que Morante de la Puebla e Diego Ventura tenham disponibilidade para estar presentes nesse acto.

Nesta entrevista, Luis Miguel Pombeiro fala também, pela primeira vez, da sua luta, outra vez, contra um problema oncológico - cuja vitória encara com toda a esperança.

Vamos ouvi-lo e conhecer as primeiras novidades oficiais da temporada do Campo Pequeno.

Entrevista de Miguel Alvarenga

- Vou abordar-te no plural, porque a gestão taurina do Campo Pequeno não é só tua, mas também de José Maria Charraz. Confirmam a presença de Fermín Bohórquez Domecq na corrida de abertura? 

Sim confirmamos! Esse video que ontem o “Farpas” publicou comprova que está a treinar com afinco para vir triunfar. Dá a importância ao Campo Pequeno que outros não dão…

- Fermín Bohórquez toureou em 2013 também na corrida de abertura da temporada em Lisboa, no tempo de Rui Bento. Não mais voltou e entretanto até deixou de tourear. A que propósito vem agora este regresso?

- Tem toureado e vai continuar a tourear em alguns festivais, embora esteja, de facto, afastado da actividade regular, e ainda há três anos o homenageámos no Campo Pequeno, foi em 2023 (foto em baixo). O desafio para regressar foi lançado por Morante a Fermín, que de imediato aceitou!



- Esse desafio surgiu então depois de contratarem Morante para a corrida de abertura da temporada?

- Sim, o desafio para que Fermín voltasse a Lisboa foi-lhe lançado por Morante, de quem é amigo. Sugerido à empresa o seu nome e também o de António Ribeiro Telles e o de Tomás Bastos, de imediato aceitámos por ser diferente, por ser uma corrida de exemplos. Logo pelos toiros de cavalo que serão de uma ganadaria portuguesa de excepção.


- Que ganadaria?


- Vai ser anunciada muito em breve…


- Pelo que me estás a contar, foi então Morante quem “montou” este primeiro cartel…


- Não propriamente. Como eu disse, sugeriu nomes. Desafiou Fermín Bohórquez, e sendo este de uma geração mais antiga, sugeriu que o outro cavaleiro fosse António Telles. Deu-nos ideias, que nós os dois analisamos e concluímos que seria um cartel muito interessante, de figuras que são exemplos e que seria um cartel atractivo para os aficionados.


- Exemplos. Explica… 


- António Telles é o exemplo do clássico, das regras de bem montar e bem tourear à portuguesa. É uma Figura máxima e de referência histórica! Dispensa mais apresentações. Fermín Bohórquez Domecq é um exemplo da pureza, do temple, de bem montar, sem martingalas e executando um toureio pausado e de frente. Um exemplo para os mais novos. Conheci e acompanhei o seu Pai aqui em Portugal com os saudosos João Cortesão e o José Zuquete, quando vinha ver cavalos para tourear. Um Senhor. Depois vi muitas vezes o Fermín filho a tourear fabulosamente com o ‘Marismenño’ e depois com o ‘Triunfador’ e bordava o toureio puro com verdade! Sem haver um contacto regular, há da minha parte uma admiração e respeito como Figura que é e por tudo o que tem feito pela Tauromaquia em Espanha! Tal como Morante! E Morante é outro exemplo. Morante é diferente! E a sua diferença de pureza e verdade marcam. Sabes bem e que está à vista de todos também com o toureio puro e antigo. Fenómeno! Sem palavras... E o Tomás Bastos é exemplo de resiliência, de seguir exemplos para alcançar o estrelato como todos os seus alternantes e como conseguiram Vitor Mendes e Pedrito de Portugal, com outros na calha para seguir estes exemplos.


- Acreditam que é um cartel para esgotar?


- Sem dúvida! Sem ainda estar apresentado, porque os cartéis só serão apresentados aos abonados e à imprensa nos primeiros dias de Maio, e visto que alguém te foi informando do que se estava a passar, é por isso que respondo, porque assim deve ser, primeiro questionar quem organiza e depois informar os aficionados.


- E os outros cartéis? Há corrida de gala ou não? Quem vem? Com quatro corridas apenas, fica muito mais difícil montar os cartéis? 


- Sim, é difícil mas neste momento é o que podemos fazer. Mas teremos vários atractivos que a a seu tempo se saberão, como homenagens e corridas comemorativas.


- Confirma-se então a corrida comemorativa dos vinte anos de alternativa de João Moura Caetano e também uma homenagem a Mestre Luis Miguel da Veiga pelos 60 aos de alternativa?


- O primeiro cartel está conhecido…


- Faltam os toiros e os forcados, serão os do Aposento da Chamusca, como já foi referido, embora não oficialmente?


- Não está ainda designado o grupo de forcados, em breve será anunciado.


- Lidam-se a cavalo dois toiros de uma ganadaria e a pé serão de outra?


- Sim, mas isso será a seu tempo anunciado. 


- Está também confirmado o cartel da segunda corrida, a 6 de Agosto, com Rui Fernandes, Diego Ventura e a alternativa de Duarte Fernandes?


- Está também confirmado, conforme o José Maria revelou na entrevista que deu à revista “Novo Burladero” e que tu mesmo citaste no “Farpas”. Mas, voltando à tua pergunta, confirmamos, sim, que nas duas outras corridas, ainda sem os cartéis rematados, numa se homenageará João Moura Caetano pelos vinte anos de alternativa, foi o primeiro cavaleiro a receber a alternativa no “novo” Campo Pequeno depois das obras; e moura será prestada homenagem a Mestre Luis Miguel da Veiga, que há sessenta anos tomou a alternativa nesta praça.


- Os cartéis são feitos em conjunto pelos parceiros? 


- Sim claro. Pese embora possam ser negociados por apenas um, há sempre informação e acordo sobre as propostas de um ou de outro, como também o José Maria explicou na referida entrevista à “Novo Burladero”. E os resultados já estão aí nesta primeira corrida, que não estando eu presente (nas negociações), dei o meu acordo de imediato. Em conjunto, e quando discordamos nalguma coisa, vamos falando até ao acordo final. Não há problemas de espécie alguma entre nós. 


- Então e como referiste, o cartel de 6 de Agosto também está confirmado? 


- Tudo o que afirmou o José Maria na entrevista que já referiste está feito. A temporada será apresentada nos primeiros dias de Maio e queremos ter a presença dos intervenientes. Teremos um período de alguns dias para a renovação de abonos e outro de quinze dias para os novos abonos, ambos com desconto. Passado esse período, serão postos à vendas os bilhetes das corridas individualmente. 


- Com apenas quatro corridas, é natural que ficarão de fora algumas Figuras?


- Em apenas quatro corridas, haverá sempre quem não possa ir. Haverá uma corrida de seis cavaleiros exactamente por esse motivo e com gente jovem, porque felizmente temos cavaleiros que garantem a continuidade da nossa Festa.


- Uma corrida de Dinastias?


- É uma possibilidade. A seu tempo se saberá. Ja falta menos de um mês para apresentarmos os cartéis definitivos. Repito: para já, é aquilo que nos é possível fazer, mas é claro que com apenas quatro corridas é impossível agradar a gregos e a troianos. Já quando eram mais havia críticas e se apontava este e aquela que deviam estar e não estavam, quanto mais com quatro. Não é fácil, mas vamos fazer o nosso melhor!


- E Roca Rey, sim ou não?


- Posso adiantar que vamos apresentar uma grande temporada com quatro grandes corridas. Roca Rey foi um grande sucesso no ano passado e foi, desde logo, uma da hipótese que equacionámos para repetir este ano. Houve contactos, houve interesse das duas partes, mas não posso garantir nada, não tem sido fácil encontrar uma data.


- Uma questão que muito se comenta pelos bastidores. O Maestro Paulo Caetano também integra a equipa de gestão do Campo Pequeno?


- Inventam muita coisa, dizem muita coisa e nós temos evitado fazer comentários, desmentidos, etc. O meu querido amigo Paulo Caetano está a meu lado como conselheiro. É uma figura que respeito e admiro e cujos conselhos consideramos muito válidos.


- E como está a saúde, Luis Miguel?


- A recuperar, graças a Deus, mas só no final de Maio saberei os resultadios. Tenho muita fé e aproveito para agradecer a todos os que de alguma forma me têm telefonado e também aos que têm tido paciência para me aturar e aturar algumas falhas minhas… Bem hajam!


Fotos M. Alvarenga