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"Nené" ladeado por João Mimo, cabo fundador do GFA de Alcochete, a que sucedeu em 1984 e por João Pedro Bolota, o cabo a que passou o testemunho da chefia do grupo em 1995 numa Corrida da Rádio no Campo Pequeno |
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O último encontro com o seu antigo sócio Rogério Amaro, testemunhado pelo "Farpas", há duas semanas na Taberna "Saudade" em Lisboa. Um jantar inesquecível |
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"Nené" era actualmente apoderado do cavaleiro João Ribeiro Telles, para o qual projectava uma grande campanha em 2018, comemorativa dos seus 10 anos de alternativa |
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Com o cavaleiro praticante António Prates, no ano passado em Beja, que também apoderava neste momento |
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A última vez que se fardou de forcado, em Junho de 2016, pegando o seu último toiro em Alcochete na corrida comemorativa dos 45 anos do GFA de Alcochete. "Lá estarei dentro de cinco anos, outra vez, nos 50 anos do grupo", prometera numa entrevista a Diogo Marcelino para o programa "Faenas TV" |
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"Nené" com o seu filho António José, que lhe seguiu os passos e era também valoroso forcados dos Amadores de Alcochete |

Recordamos em traços largos a trajectória do histórico Forcado e último dos grandes empresários taurinos nacionais, António Manuel Cardoso "Nené", que ontem perdeu tragicamente a vida num brutal acidente de automóvel, ao início da noite, próximo de Alcochete, quando regressava de Mourão, onde assistira ao festejo inaugural da temporada de 2018.
António Manuel Cardoso "Nené" nasceu em
Alcochete a 16 de Junho de 1954, tinha 64 anos. Em Agosto de 1971, com apenas 17 anos, vestiu pela primeira vez a jaqueta dos
Forcados Amadores de Alcochete, estreando-se numa corrida na
Monumental do Montijo.
Foi o segundo cabo dos
Amadores de Alcochete, que comandou entre 1984 e 1995, sucedendo a
João Mimo, o cabo fundador. Durante a sua permanência como líder do grupo viveu momentos difíceis com a morte de
Helder Antono, quando executava uma pega em
Alcochete e, pouco tempo depois, também o desaparecimento de
Nini, outro grande valor, que morreu também num acidente de automóvel. Ainda no ano passado, voltara a história gloriosa dos
Amadores de Alcochete a ficar ensombrada com a morte de
Fernando Quintella, vítima de colhida fatal quando pegava um toiro em Setembro na última corrida da
Feira da Moita.
"Esta merda nunca mais acaba...", desabafou ao
"Farpas", mal adivinhando que a próxima tragédia teria a ver consigo.
Em onze anos como cabo, elevou bem alto o prestígio e o nome dos
Amadores de Alcochete, retirando-se em 31 de Agosto de 1995 numa
Corrida da Rádio na praça do
Campo Pequeno, passando nessa noite o testemunho a
João Pedro Bolota. Já depois de cumprir 60 anos de idade, voltou a pegar em 2014 (sofrendo dura colhida de que resultou uma lesão no ombro) e em 2016 na corrida comemorativa dos
45 anos do seu grupo, ambas na praça de
Alcochete. Depois desta última pega, numa entrevista ao programa
"Faenas TV" (que aqui reproduzimos há momentos), manifestou o desejo de
"daqui a cinco anos voltar a pegar nos 50 anos do grupo".
No início dos anos 80, tornou-se também empresário tauromáquico, formando a empresa
Toiros & Tauromaquia com
Rogério Amaro. Impuseram o
toiro-toiro nas suas praças e geriram vários taudródromos nacionais. Só num ano, estiveram à frente de 13 praças de toiros, as principais do continente e também a de
Angra do Heroísmo, na
Ilha Terceira,
Açores.
Paralelamente, exerceu, primeiro em parceria com
Rogério Amaro e depois a solo, o apoderamento de vários toureiros, entre os quais o saudoso
José Mestre Batista (foram os seus últimos apoderados),
Vitor Mendes,
Joaquim Bastinhas,
Paulo Caetano,
João Palha Ribeiro Telles,
João Salgueiro,
Rui Bento e outros. Nos últimos anos, apoderou
João Maria Branco,
Rui Guerra e
Mateus Prieto e actualmente, era apoderado de
João Ribeiro Telles e do praticante
António Prates.
"Nené" geria neste momento as praças de
Évora e de
Alcochete (esta, há quase trinta anos) e concorrera recentemente à adjudicação da de
Vila Franca de Xira, que foi entregue à
Tauroleve de
Ricardo Levesinho. Caso tivesse ganho o concurso da
"Palha Blanco", praça que em anos anteriores já gerira, primeiro com
Rogério Amaro e de 2004 a 2007 sózinho, confessara ao
"Farpas" que tinha idealizado para a corrida do
Colete Encarnado, em Julho, um
"cartel monstro" com
Pablo Hermoso,
João Telles, o matador espanhol
Curro Díaz e os
Forcados de Vila Franca. Estava já a delinear a temporada nas duas referidas praças,
Évora e
Alcochete, tendo prevista para a 16 de Agosto em
Alcochete a apresentação no nosso país de
Guillermo Hermoso de Mendoza, filho de
Pablo. Com grande entusiasmo, projectava também uma grande campanha para
João Ribeiro Telles, que nesta temporada comemora os seus dez anos de alternativa e também a temporada do lançamento definitivo de
António Prates rumo à alternativa, depois de ter sido o cavaleiro-revelação de 2017.
Era, como bem refere
Paulo Pessoa de Carvalho, presidente da
Associação Portuguesa de Empresários Tauromáquicos (APET), o
"último grande empresário taurino nacional" na verdadeira acepção da palavra. Vivia da sua actividade empresarial, era um profissional
"dos pés à cabeça", um
"homem de ideias e de ideais", como também sublinha
João Moura Caetano na sua página oficial do
Facebook.
Como já referimos,
António Manuel Cardoso era casado com
Paula Cardoso, de quem tinha dois filhos,
Margarida e
António José, também valoroso forcado dos
Amadores de Alcochete, sendo também pai de
Cláudia, fruto do seu primeiro casamento.
Fotos Emílio de Jesus, Maria Mil-Homens e M. Alvarenga