sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Protoiro lamente mortes de João Patinhas e António Manuel Cardoso "Nené"



A Protoiro – Federação Portuguesa de Tauromaquia lamenta profundamente a morte de duas figuras emblemáticas da tauromaquia, João Patinhas (foto ao lado) e António Manuel Cardoso “Nené” (foto de cima), ocorridas no dia de ontem.

João Patinhas, um histórico da forcadagem, faleceu em Évora com 82 anos. Foi nesta cidade que em 1963 fundou o Grupo de Forcados de Évora, liderando-o até Maio de 1989. O seu percurso extraordinário incluiu passagens pelos forcados de Santarém e de Montemor e atuações no México. A sua passagem pelas arenas deixou um exemplo de galhardia e elevação que encarnam a figura do forcado amador.
De forma inesperada e vítima de um acidente de viação, António Manuel Cardoso “Nené” faleceu quando regressava a casa após ter assistido ao primeiro festival taurino da temporada, em Mourão.
António Cardoso, antigo cabo dos Forcados Amadores de Alcochete, era o mais antigo empresário taurino nacional em actividade e tinha a seu cargo as praças de touros de Alcochete (há mais de duas décadas) e de Évora. Era uma das maiores referências na tauromaquia portuguesa pelo seu empreendedorismo, aficion e dedicação ao mundo tauromáquico, deixando um lastro de prestígio exemplar para as novas gerações. Era pai do forcado António José Cardoso e apoderado dos cavaleiros João Ribeiro Telles Jr. e António Prates.
Às famílias e amigos destes dois vultos da tauromaquia nacional, a Protoiro apresenta as mais sentidas condolências.

Protoiro
Federação Portuguesa de Tauromaquia

Fotos Emílio de Jesus



Velório de "Nené" a partir das 17h30 no Salão Nobre da Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898 em Alcochete



Já são conhecidos os pormenores das cerimónias fúnebres do já saudoso António Manuel Cardoso "Nené" (na foto ao lado, na praça do Campo Pequeno, com Carlos Ferreira, seu actual braço-direita na empresa Toiros & Tauromaquia e António José Pinto, antiga glória dos Forcados Amadores de Alcochete e seu amigo de sempre), que vão de decorrer entre o dia de hoje e o de amanhã em Alcochete, de onde era natural e onde residia.
O corpo vai estar em câmara ardente a partir das 17h30 no Salão Nobre da Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898 (Banda de Alcochete), mesmo junto à sede dos Forcados Amadores de Alcochete, onde será o velório.
Amanhã, sábado, às 13 horas, terá início a marcha fúnebre até à praça de toiros de Alcochete (a menina dos seus olhos), onde se realizará uma missa, seguindo-se o enterro, às 15h30, para o cemitério local, onde será sepultado.
Que em paz descanse.

Fotos Florindo Piteira e Maria Mil-Homens




"Nené": lembrar uma vida dedicada à Tauromaquia

"Nené" ladeado por João Mimo, cabo fundador do GFA de Alcochete, a que
sucedeu em 1984 e por João Pedro Bolota, o cabo a que passou o testemunho
da chefia do grupo em 1995 numa Corrida da Rádio no Campo Pequeno
O último encontro com o seu antigo sócio Rogério Amaro, testemunhado pelo
"Farpas", há duas semanas na Taberna "Saudade" em Lisboa. Um jantar
inesquecível
"Nené" era actualmente apoderado do cavaleiro João Ribeiro Telles, para o qual
projectava uma grande campanha em 2018, comemorativa dos seus 10 anos de
alternativa
Com o cavaleiro praticante António Prates, no ano passado em Beja, que também
apoderava neste momento
A última vez que se fardou de forcado, em Junho de 2016, pegando o seu último
toiro em Alcochete na corrida comemorativa dos 45 anos do GFA de Alcochete.
"Lá estarei dentro de cinco anos, outra vez, nos 50 anos do grupo", prometera
numa entrevista a Diogo Marcelino para o programa "Faenas TV"
"Nené" com o seu filho António José, que lhe seguiu os passos e era também
valoroso forcados dos Amadores de Alcochete

Recordamos em traços largos a trajectória do histórico Forcado e último dos grandes empresários taurinos nacionais, António Manuel Cardoso "Nené", que ontem perdeu tragicamente a vida num brutal acidente de automóvel, ao início da noite, próximo de Alcochete, quando regressava de Mourão, onde assistira ao festejo inaugural da temporada de 2018.

António Manuel Cardoso "Nené" nasceu em Alcochete a 16 de Junho de 1954, tinha 64 anos. Em Agosto de 1971, com apenas 17 anos, vestiu pela primeira vez a jaqueta dos Forcados Amadores de Alcochete, estreando-se numa corrida na Monumental do Montijo.
Foi o segundo cabo dos Amadores de Alcochete, que comandou entre 1984 e 1995, sucedendo a João Mimo, o cabo fundador. Durante a sua permanência como líder do grupo viveu momentos difíceis com a morte de Helder Antono, quando executava uma pega em Alcochete e, pouco tempo depois, também o desaparecimento de Nini, outro grande valor, que morreu também num acidente de automóvel. Ainda no ano passado, voltara a história gloriosa dos Amadores de Alcochete a ficar ensombrada com a morte de Fernando Quintella, vítima de colhida fatal quando pegava um toiro em Setembro na última corrida da Feira da Moita. "Esta merda nunca mais acaba...", desabafou ao "Farpas", mal adivinhando que a próxima tragédia teria a ver consigo.
Em onze anos como cabo, elevou bem alto o prestígio e o nome dos Amadores de Alcochete, retirando-se em 31 de Agosto de 1995 numa Corrida da Rádio na praça do Campo Pequeno, passando nessa noite o testemunho a João Pedro Bolota. Já depois de cumprir 60 anos de idade, voltou a pegar em 2014 (sofrendo dura colhida de que resultou uma lesão no ombro) e em 2016 na corrida comemorativa dos 45 anos do seu grupo, ambas na praça de Alcochete. Depois desta última pega, numa entrevista ao programa "Faenas TV" (que aqui reproduzimos há momentos), manifestou o desejo de "daqui a cinco anos voltar a pegar nos 50 anos do grupo".
No início dos anos 80, tornou-se também empresário tauromáquico, formando a empresa Toiros & Tauromaquia com Rogério Amaro. Impuseram o toiro-toiro nas suas praças e geriram vários taudródromos nacionais. Só num ano, estiveram à frente de 13 praças de toiros, as principais do continente e também a de Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira, Açores.
Paralelamente, exerceu, primeiro em parceria com Rogério Amaro e depois a solo, o apoderamento de vários toureiros, entre os quais o saudoso José Mestre Batista (foram os seus últimos apoderados), Vitor Mendes, Joaquim Bastinhas, Paulo Caetano, João Palha Ribeiro Telles, João Salgueiro, Rui Bento e outros. Nos últimos anos, apoderou João Maria Branco, Rui Guerra e Mateus Prieto e actualmente, era apoderado de João Ribeiro Telles e do praticante António Prates.
"Nené" geria neste momento as praças de Évora e de Alcochete (esta, há quase trinta anos) e concorrera recentemente à adjudicação da de Vila Franca de Xira, que foi entregue à Tauroleve de Ricardo Levesinho. Caso tivesse ganho o concurso da "Palha Blanco", praça que em anos anteriores já gerira, primeiro com Rogério Amaro e de 2004 a 2007 sózinho, confessara ao "Farpas" que tinha idealizado para a corrida do Colete Encarnado, em Julho, um "cartel monstro" com Pablo Hermoso, João Telles, o matador espanhol Curro Díaz e os Forcados de Vila Franca. Estava já a delinear a temporada nas duas referidas praças, Évora e Alcochete, tendo prevista para a 16 de Agosto em Alcochete a apresentação no nosso país de Guillermo Hermoso de Mendoza, filho de Pablo. Com grande entusiasmo, projectava também uma grande campanha para João Ribeiro Telles, que nesta temporada comemora os seus dez anos de alternativa e também a temporada do lançamento definitivo de António Prates rumo à alternativa, depois de ter sido o cavaleiro-revelação de 2017.
Era, como bem refere Paulo Pessoa de Carvalho, presidente da Associação Portuguesa de Empresários Tauromáquicos (APET), o "último grande empresário taurino nacional" na verdadeira acepção da palavra. Vivia da sua actividade empresarial, era um profissional "dos pés à cabeça", um "homem de ideias e de ideais", como também sublinha João Moura Caetano na sua página oficial do Facebook.
Como já referimos, António Manuel Cardoso era casado com Paula Cardoso, de quem tinha dois filhos, Margarida e António José, também valoroso forcado dos Amadores de Alcochete, sendo também pai de Cláudia, fruto do seu primeiro casamento.

Fotos Emílio de Jesus, Maria Mil-Homens e M. Alvarenga


Suspendemos as publicações agendadas para hoje em respeito pelo luto e pelo momento difícil que todos atravessamos



Respeitando o luto e prestando neste momento tão duro as nossas maiores homenagens às memórias de António Manuel Cardoso "Nené" (na foto de cima, dando a volta à arena de Alcochete em Junho de 2016, depois da sua última pega na corrida de comemoração dos 45 anos do Grupo de Forcados Amadores de Alcochete) e de João Nunes Patinhas (foto ao lado), cabo fundador do Grupo de Forcados Amadores de Évora, o "Farpas" suspende hoje todas as publicações que tinha agendadas - entre as quais a reportagem da festa de aniversário do Maestro José Júlio, quarta-feira no Campo Pequeno e a primeira grande entrevista de Ricardo Levesinho depois de ter ganho o concurso para adjudicação da praça de Vila Franca, bem como a reportagem do primeiro festejo da temporada, ontem realizado em Mourão -, publicando-as só amanhã, sábado.
João Patinhas vai hoje a sepultar em Évora, depois de celebrada uma última missa às 14 horas na Igreja de Santiago e o velório de António Manuel Cardoso "Nené", como há momentos noticiámos, vai ter lugar hoje mesmo em Alcochete (em local a designar), realizando-se as cerimónias fúnebres amanhã, sábado, também em Alcochete.

Fotos Emílio de Jesus e M. Alvarenga

"Faenas TV": a última pega de "Nené", a 17 de Junho de 2016 em Alcochete na comemoração dos 45 anos do GFA de Alcochete

Velório de "Nené" hoje em Alcochete e funeral amanhã


Última Hora - O velório de António Manuel Cardoso "Nené", cujo corpo se encontra ainda no Hospital do Barreiro, realiza-se hoje em Alcochete, depois das 16 horas, não sendo ainda conhecido o local onde estará em câmara ardente. O funeral vai ter lugar amanhã.

Foto Maria Mil-Homens


Mundo taurino em estado de choque com a morte de "Nené"

João Moura "sem palavras" num momento em que o mundo taurino está em
estado de choque pela morte de "Nené", que tinha 64 anos e perdeu a vida ontem
ao início da noite num brutal acidente de automóvel próximo de Alcochete, quando
regressava de Mourão, onde assistira ao primeiro festejo da temporada
Família Caetano lamenta a morte do antigo apoderado de Paulo, "um homem de
ideias e de ideais"
António Manuel Cardoso "Nené" numa cerimónia no Salão Nobre do Campo
Pequeno com Rui Bento, José Tinoca e Paulo Pessoa de Carvalho, presidente da
Associação Portuguesa de Empresários Tauromáquicos, que lamentou em
comunicado a morte do "maior empresário da actualidade". Em baixo, "Nené"
com Pablo Hermoso de Mendoza, no ano passado em Évora. Desde o México,
o rejoneador navarro lamentou também a trágica ocorrência e endereçou
sentidos pêsames a toda a família taurina portuguesa


"Por cada um de nós que cair, outro se levantará" - é com estas palavras, simples e tão carregadas de emoção, que o Grupo de Forcados Amadores de Alcochete recorda o seu antigo cabo António Manuel Cardoso "Nené" na sua página oficial da rede social Facebook, num momento em que o mundo taurino está em estado de choque com a trágica morte do último grande empresário taurino nacional, ocorrida ontem ao início da noite num acidente de automóvel próximo de Alcochete, quando regressava de Mourão, onde assistira ao primeiro festejo da temporada.
Um dia trágico para a Festa Brava, que desde manhã ficara também marcado pela morte de João Nunes Patinhas - que hoje vai a sepultar em Évora -, cabo fundador dos Forcados Amadores de Évora, com 82 anos de idade.
A APET, Associação Portuguesa de Empresários Tauromáquicos, refere em comunicado assinado pelo seu presidente Paulo Pessoa de Carvalho, que "perdeu-se o maior empresário tauromáquico da actualidade".
"Não quero ser injusto ou egoísta a falar desta tragédia, não faço aqui uma memória (e são tantas!) pessoal do que foi, de quem é, da importância do 'Néné', falo de uma forma institucional e incontornável para a nossa festa de toiros, que sofreu ontem a sua maior perca dos últimos tempos", afirma Pessoa de Carvalho. E acrescenta:
"A APET, a que presido, está de tal forma transtornada e comovida que não há dúvida de que a tragédia que aconteceu a ninguém pode deixar indiferente, os telefonemas que recebi, as pessoas que lamentam e estão tristes com o que aconteceu, as quezílias que se esquecem e a saudade que já nos abarcou, demonstram a dimensão do Homem, da pessoa, que é o 'Néné'! Não quero aqui falar em nomes para não me esquecer de ninguém, mas neste momento, a APET em total união, manifesta o seu pesar e tristeza pela enorme e trágica desgraça que nos bateu à porta".
Nas redes sociais, toureiros e empresários de Portugal e de Espanha lamentam a trágica morte de António Manuel Cardoso.
"Foi uma das figuras do nosso meio taurino, grande empresário, apoderado ainda do maestro Paulo Caetano e um homem de personalidade forte que sempre esteve ligado ao mundo das touradas de forma inteira. Grande forcado e grande representante de Alcochete. Um homem de ideias e de ideais", escreve João Moura Caetano na sua página do Facebook.
"É com imensa tristeza e pesar que recebemos a notícia do trágico falecimento de Ant´ºonio Manuel Cardoso 'Nené'. Estamos sem palavras", escrevem na mesma rede social os cavaleiro João Moura e Miguel Moura.
Desde o México, onde se encontra em campanha, também Pablo Hermoso de Mendoza lamentar o desaparecimento do famoso empresário, recordando que nas praças de Alcochete e de Évora, que geria actualmente, "tinha apostado forte nos últimos anos na minha figura e isso tinha dado azo a que entre nós se iniciasse uma mais que sincera amizade. Para este ano, estávamos estudando já a data para debute de meu filho Guillermo em Portugal em algumas das praças que geria".
"Toda a família taurina da equipa de Pablo Hermoso de Mendoza, encabeçada pelo próprio Pablo e desde terras mexicanas, enviamos um forte abraço e os nossos mais sentidos pêsames à família do nosso querido 'Nené' e a toda a família taurina portuguesa", sublinha-se num comunicado emitido pelo rejoneador navarro.
António Manuel Cardoso "Nené" era casado com Paula Cardoso e pai de três filhos, Margarida e António José, fruto desta união e Cláudia, do seu primeiro casamento - a quem endereçamos as mais sentidas condolências, bem como a todos os restantes familiares e amigos e ao Grupo de Forcados Amadores de Alcochete, de que foi o segundo cabo, sucedendo ao fundador João Mimo.

Fotos Maria Mil-Homens, Emílio de Jesus e Sérgio Batista

Festa na Herdade da Baracha anulada pela morte de "Nené"


A festa que amanhã, sábado, estava anunciada para a Herdade da Baracha, fica anulada, informa a organização, "devido à grande perda de António Manuel Cardoso 'Nené', alguém que era um pilar na tauromaquia, não havendo espírito para festas".
Realizar-se-à numa outra ocasião.


Forcados Académicos de Coimbra realizam primeiro treino do ano


O Grupo de Forcados Académicos de Coimbra realiza amanhã, sábado, o seu primeiro treino da temporada em Formoselha, Santo Varão (Montemor-o-Velho), na herdade da ganadaria de José Roque.



Ontem, 5ª feira: 7.611 leram o "Farpas"


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Tanta história, tantos anos e depois...

O nosso último encontro, sábado passado, no jantar de entrega de troféus do
Clube Taurino da Chamusca
"Nené" com João Ribeiro Telles, que apoderava e com quem tinha tantos
projectos para a comemoração, esta temporada, dos 10 anos de alternativa
Há duas semanas na Taberna "Saudade", em Lisboa, o último grande encontro
dos dois antigos sócios, Rogério Amaro e "Nené", testemunhado por mim num
jantar cheio de histórias
Quarenta anos de uma amizade tão sólida
Na noite de alternativa de Rui Salvador, no Hotel Alfa, em Lisboa, comigo, com
Mestre Batista e Rogério Amaro
Forcado de alma: Aos 60 anos, em 2014, a última colhida em Alcochete, onde
voltou a pegar na corrida de reposição da estátua de Helder Antono


Miguel Alvarenga - Ainda há dias recordámos tantas histórias do passado, que foi nosso e era nosso, naquele inesquecível jantar com o Rogério Amaro. Ainda há dias fumámos um último cigarro, ia lá eu imaginar que era o último, no sábado, no jantar dos troféus do Clube Taurino da Chamusca. Ainda anteontem, véspera de Mourão e da abertura oficial da temporada, me telefonaste e estivemos não seu quanto tempo à conversa e marcámos para a próxima semana um outro jantar com o Rogério.
Queria dizer-te aqui tanta coisa e não consigo, meu querido “Nené”. Que foste grande no mundo dos toiros todos sabem. Forcado enorme, recordo ainda as tuas duas últimas pegas, já tinhas ultrapassado os 60 anos e a alma continuava igual. Empresário exemplar, notável, o mais antigo e sempre a mesma garra, a mesma irreverência, a mesma seriedade.
Foi o Emílio que me telefonou, tínhamos acabado de chegar os dois de um dia bem passado em Tomar. “Já sabes, Miguel?”. Mas já sei o quê? “Morreu o Nené”. Fiquei gelado, fiquei sem saber o que dizer, fiquei sem saber nada.
Foram quarenta anos de uma amizade tão sólida, tão bonita, tanta cumplicidade, tanta “malandrice”, tanta história, “Nené”, tanto projecto que estava ainda para vir.
Penso, sei lá se penso, numa qualquer “maldição”, mas prefiro acreditar que foram só coincidências, mesmo que não haja coincidências. Morreu, sob o teu comando, o Helder Antono a pegar um toiro em Alcochete. Morreu o Nini, também, num estúpido acidente de viação. Morreu no ano passado o Fernando Quintella, a pegar um toiro na Moita. Todos do teu Grupo de Alcochete. E disseste-me, aquando da morte do Fernando: “Caramba, esta merda não pára, já é demais”. E agora foste tu. Que merda de vida, “Nené”.
Quantas vezes amuavas, ainda há dias, porque eu escrevi isto ou aquilo. E quantas vezes voltavas com aquele sorriso malandro, podias zangar-te com todo o mundo, “mas contigo nunca”, dizias, era uma amizade demasiado profunda e à prova de bala, eram quarenta anos de cumplicidade. E agora, “Nené”?
O que é que eu vou dizer agora à Paula, tua Mulher, aos filhos que adoravas, o António José e a Margarida? Como me lembro da cara de aflição dela na noite em que sofreste a última colhida em Alcochete, quando aos 60 anos voltaste a pegar na corrida de reposição da estátua do Helder Antono - há quatro anos.
A vida é mesmo uma passagem. São momentos. E nós partilhámos tantos. E tu fizeste parte de tantos momentos da minha vida.
E eu vou-te lembrar sempre, mesmo que o faça com lágrimas nos olhos agora. É demasiado brutal, é demasiado estúpido, não tem lógica e não faz sentido nenhum que te tenhas ido embora assim tão de repente, assim tão depressa, quando faltava ainda tanto para viver.
Queria escrever tanta coisa, “Nené”, mas as palavras vão-me saindo do teclado quase sem nexo, quase também sem sentido e sem vontade nenhuma de escrever nada.
Porquê, “Nené”? E porquê tu?
Talvez Deus explique, se houver Deus e eu acredito que há. Talvez tivesse chegado a tua hora. Mas não precisava de ser uma hora assim tão brutal.
Estejas agora onde estiveres, sei lá, toma um último abraço, um derradeiro beijo, talvez uma despedida ou apenas um simples até um dia. Gosto tanto de ti. Sempre, “Nené”.

Fotos Fernando Clemente, D.R., Emílio de Jesus, Patrício Estay, M. Alvarenga e "DN"

Viatura de "Nené" foi projectada por uma ribanceira

O automóvel do empresário "Nené" foi projectado por uma ribanceira depois
de embater em duas viaturas
No local do acidente estiveram 21 operacionais e nove veículos dos Bombeiros
de Alcochete e Montijo, GNR de Alcochete e duas viaturas médicas. Na foto de
baixo, um dos automóveis envolvidos no acidente 


O automóvel do empresário António Manuel Cardoso "Nené" terá, segundo a CMTV, embatido num outro (o da foto ao lado) e numa terceira viatura (comercial), havendo também a registar dois feridos, que foram transportados ao hospital e que seguiam nos outros carros. A GNR investiga agora as causas do acidente.
A viatura de "Nené" foi projectada por uma ribanceira abaixo e segundo as autoridades o empresário terá tido morte imediata, sendo o corpo depois recolhido e transportado na ambulância dos Bombeiros de Alcochete para a morgue do Hospital do Barreiro.
Segundo a CMTV, o acidente ocorreu ontem, quinta-feira, às 20h30 na EN4 junto ao cruzamento da Academia do Sposting, em Alcochete. No local estiveram 21 operacionais e nove veículos dos Bombeiros de Alcochete e Montijo, GNR de Alcochete e duas viaturas médicas.
O famoso empresário, apoderado dos cavaleiros tauromáquicos João Ribeiro Telles e António Prates, regressava de Mourão, onde ontem assistira ao primeiro festejo da temporada taurina nacional.
António Manuel Cardoso "Nené", de 64 anos, decano dos empresários tauromáquicos nacionais e antigo cabo dos Forcados Amadores de Alcochete, era casado com Paula Cardoso e pai de António José (também forcado dos Amadores de Alcochete) e Margarida, tendo ainda uma outra filha do seu primeiro casamento - a quem endereçamos os mais sentidos pêsames.

Fotos "CM" e CMTV

"Nené": as últimas fotos ontem à tarde em Mourão

"Nené" assistiu ao Festival de Mourão, ontem, num camarote da praça de toiros
de Mourão com Carlos Ferreira, que era nos últimos anos o seu mais directo
colaborador e braço-direito na empresa Toiros & Tauromaquia
"Nené" e Carlos Ferreira (em segundo plano) com o ganadero Manuel Calejo Pires,
a quem pertenciam os novilhos-toiros lidados ontem no primeiro Festival Taurino
do ano
"Nené" com Carlos Ferreira ontem à tarde em Mourão, antes do início do primeiro
festejo taurino da temporada 

Estas são as últimas fotos do nosso querido António Manuel Cardoso "Nené" ontem à tarde em Mourão, onde se deslocou na companhia de Carlos Ferreira (ambos nas fotos), seu colaborador e seu braço-direito na empresa Toiros & Tauromaquia, que durante vinte anos geriu com Rogério Amaro e nos últimos anos sózinho.
O decano dos empresários taurinos nacionais assistiu num camarote na praça de toiros de Mourão ao primeiro festejo da temporada nacional e ao final do dia viajou para Évora no carro de Carlos Ferreira para apanhar o seu, que ali deixara.
Foi na viagem para Alcochete, onde morava, quando vinha sózinho ao volante do seu automóvel, que sofreu um brutal acidente de viação na Estrada Nacional nº 4, falecendo no local, que envolveu três viaturas, segundo está a noticiar a CMTV, desconhecendo-se ainda mais pormenores sobre o desastre.
Segundo aquela estação, o corpo de "Nené" terá sido levado para a morgue do Hospital do Barreiro, devendo as cerimónias fúnebres realizar-se no fim-de-semana em Alcochete.

Fotos Maria Mil-Homens

Notícia brutal: António Manuel Cardoso "Nené" morre em acidente de viação quando regressava de Mourão


Notícia brutal, inesperada, a última que queríamos dar: morreu António Manuel Cardoso "Nené", antigo cabo dos Forcados Amadores de Alcochete e o mais antigo dos empresários taurinos nacionais, actual gerente das praças de toiros de Alcochete (há mais de duas décadas) e de Évora, apoderado dos cavaleiros João Ribeiro Telles e António Prates.
"Nené" regressava de Mourão, onde esta tarde se realizou o primeiro festejo taurino da temporada, quando sofreu um brutal acidente de automóvel na Estrada Nacional nº 4, próximo da Academia do Sporting e quando estava já quase a chegar a casa, em Alcochete. No acidente, segundo a CMTV, estiveram envolvidas três viaturas e não se sabe ainda se há a registar mais alguma vítima mortal.
O famoso empresário tauromáquico vinha sózinho ao volante do seu automóvel, depois de ter viajado de Mourão até Évora com Carlos Ferreira, seu braço-direito na empresa da praça de toiros de Évora. Aí tomou a sua viatura e dirigia-se sózinho para casa quando o acidente, de que se conhecem ainda poucos pormenores, ocorreu.

Foto Maria Mil-Homens


quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Primeira grande entrevista de Levesinho amanhã aqui no "Farpas"


Amanhã, aqui no "Farpas", não perca a primeira grande entrevista do empresário Ricardo Levesinho (Tauroleve), depois de ter ganho o concurso para a adjudicação da praça de toiros de Vila Franca de Xira.
As datas, os projectos e os primeiros nomes para 2018 na "Palha Blanco", o recordar dos primeiros anos como gerente da praça em 2008, as ideias que delineou também para a temporada na Figueira da Foz, cuja praça lhe foi um ano mais entregue - e ainda a polémica sobre alguns concorrentes a Vila Franca que lhe quiseram "fazer a cama".
Sem papas na língua, com a frontalidade e a clareza que o caracterizam, uma entrevista que vai dar que falar!
A não perder, por nada deste mundo, amanhã aqui no "Farpas"!

Foto Maria Mil-Homens



De hoje a domingo: Chocolate no Campo Pequeno


Foto D.R./@Campo Pequeno

Bonita festa de homenagem aos 83 anos do Maestro José Júlio ontem no Campo Pequeno



O Maestro José Júlio esteve ontem rodeado por muitos amigos e admiradores no jantar que decorreu nas arcadas da praça de toiros do Campo Pequeno, promovido pelo Bar "Volapié" em comemoração do seus 83º aniversário natalício.
Na foto de cima, apagando as velas e, ao lado, com a equipa gerente da praça - Drª Paula Mattmouros Resende (com seu marido, Rui Oliveira) e Rui Bento - e Miguel Alvarenga.
Uma grande reportagem de Maria João Mil-Homens a não perder amanhã aqui no "Farpas".

Fotos Maria Mil-Homens


Festa perde um dos seus grandes: adeus, João Patinhas!

João Nunes Patinhas morreu hoje em Évora com 82 anos
Com Bernardo, seu filho, também ex-cabo do GFA de Évora
João Patinhas com Hugo Teixeira, o seu querido amigo mexicano Enrique Fraga,
Miguel Alvarenga e João Cortesão

Miguel Alvarenga - Não é a repetição de um lugar comum. A Festa de Toiros fica verdadeiramente mais pobre - e cada vez mais só - com a morte de João Nunes Patinhas, um histórico da forcadagem e um dos últimos grandes românticos da nossa tauromaquia, um Homem que dava gosto ouvir falar. Pelos seus conhecimentos, pela sua experiência, mas sobretudo pela grandeza da sua humildade.
João Patinhas tinha 82 anos e morreu hoje em Évora, a terra que ele tanto amava. E onde um dia, 11 de Agosto de 1963, fundou o Grupo de Forcados da cidade, comandando-o até Maio de 1989.
Foi um grande Forcado e um extraordinário formador de forcados e condutor de homens. Fazia parte de uma geração-outra, de que era, na verdade, um dos últimos grandes representantes.
Antes de formar e fundar o Grupo de Évora, passou pelos de Santarém e de Montemor. Pegar toiros foi a forma como se destacou neste mundo da tauromaquia, marcando a diferença, levando a outras paragens - ao México, por exemplo, onde era ídolo - essa tão nobre e tão portuguesa arte de ser e viver Forcado.
João Patinhas foi casado com Dª Maria Carmen Baleiro Salgueiro Patinhas, falecida em 2015 e era pai de Bernardo (ex-cabo, também, dos Amadores de Évora) e de Inês Patinhas e do saudoso João Nuno Patinhas, que quis o destino que nos deixasse ainda na flor da vida.
A seus queridos filhos, a quem soube transmitir os exemplos e os valores que sempre defendeu em vida, abraço e beijo já com a enorme saudade do Amigo que me deu a honra de o ser e com quem tanto apreendi.
O corpo de João Patinhas está em câmara ardente da Igreja de Santiago, em Évora, onde amanhã, sexta-feira. será celebrada missa às 14 horas, segundo depois o funeral para o cemitério da cidade.
Que em paz descanse.
Até sempre, meu Amigo!

Fotos Emílio de Jesus e D.R.

Ontem, 4ª feira: 8.011 leram o "Farpas"


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