Miguel Alvarenga - Realmente é uma pena que Duarte Fernandes toureie tão pouco em Portugal. Melhor dizendo: pena é que os empresários que temos não sejam Manuéis Gonçalves, não tenham visão para olhar o futuro e continuem a ignorar, para não lhe pagar o que merece (e merece mesmo, como ontem se viu em Alcácer!), que existe por cá um cavaleiro como ele, capaz de revolucionar isto tudo de um momento para o outro. Como ontem aconteceu em Alcácer. Sem fazer comparações, a realidade é que até Ventura estremeceu com o abanão que Duarte Fernandes deu aos costumes ontem na praça que tem o nome de Mestre João Branco Núncio...
A corrida de beneficência de ontem, um louvável projecto que saíu das cabeças de Rui Fernandes e de Diego Ventura e que contou desde a primeira hora com todo o apoio logístico do empresário José Maria Charraz, visava ajudar as vítimas das cheias que assolaram Alcácer do Sal. Conseguiu-se angariar mais de 40 mil euros para uma boa causa. O cartel era de alto nível. O público meteu a cabeça e esgotou a lotação. E ainda houve quem quisesse estragar esta festa... Mas isso é assunto para uma outra análise. É preciso correr daqui com a Cambada! Vamos conseguir fazê-lo. Acreditem que vamos. Mais adiante.
Rui Fernandes abriu praça com uma lide memorável. É um dos primeiros, mas não toureia pelo preço da uva mijona e essa é a principal razão pela qual o vemos tão poucas vezes em praças nacionais. Nunca se vergou às novas regras. E faz ele bem.
Ventura é Ventura e ontem a sua presença na arena de Alcácer foi um momento de verdadeiro assombro. Mais nada a acrescentar. Não é igual.
Gilberto Filipe veio a seguir e coube-lhe a sempre difícil missão de conseguir brilhar depois de um estrondo de Ventura. Mas conseguiu. Porque é bom.
Filipe Gonçalves alternou o bom com o regular, mas não saíu deste confronto de cabeça baixa.
João Telles inutilizou com um ferro mal cravado o toiro da sua ganadaria. Coisas (azares) que podem acontecer aos melhores. E ele é um dos melhores. Toureou no fim um exemplar da Herdade de Camarate sem qualidade e por isso a sua passagem por Alcácer não teve grande história.
Duarte Fernandes arrasou, foi o maior. E deixou o recado aos empresários. Há muito temos que não vivemos uma crise de valores tão grande como a que estamos a atravessar. Há muito bons cavaleiros, mas nenhum tem os dotes especiais que tiveram João Moura, João Salgueiro e outros para arrastar gente às praças. Os bons são muito bons, mas são todos iguais. E Duarte Fernandes é diferente. Invistam, senhores empresários. Se não investirem na Festa e naqueles que podem abanar a Festa, mais tarde ou mais cedo isto acaba...
Lidam-se toiros, por esta ordem, das ganadarias São Marcos, Guiomar Moura, Camarate, Santa Maria, Ribeiro Telles (substituído pelo sobrero de Herdade de Camarate) e Romão Tenório.
Pegaram os forcados de Montemor (Ricardo Batista à segunda; Miguel Carolino à terceira; e Miguel Cecílio à segunda) e de Lisboa (Miguel Santos à segunda; Duarte Nascimento à terceira; e Manuel Braga à primeira).
Um senão: houve poeira a mais na praça. Não era preciso...
Dirigiu António Santos assessorado pelo médico veterinário Carlos Santana. E a corrida foi presidida por Clarisse Santos, nova presidente da Câmara de Alcácer do Sal.
Foto João Silva

