Jaime Amante - Muitas vezes, a grandeza artística, o poderio, a sinceridade toureira e a capacidade física de um toureiro permanece invisível aos olhos de quem - como eu - presume de estar ao dia em relação a novos valores.
Reconheço que sobre Ismael Martín, não só estive distraído como desconhecia o seu potencial como toureiro. O seu nome ecoou o ano passado quando viajou até à Ilha Terceira, pela mão do meu amigo de longa data Paco Duarte e o triunfo na corrida do Ramo Grande indicava que ali havia “toureiro grande em corpo pequeno”. Por momentos recordou-me o Maestro Domingo Valderrama.
Anteontem via televisão em directo de Las Ventas, no 23º festejo da Feira de Santo Isidro, Ismael Martín reivindicou justiça para a sua ainda curta mas triunfal trajectória. O toureiro de Salamanca, mas curiosamente nascido na Suiça, pode e deve ocupar um lugar diferente no tradicional “escalafón taurino”.
Não é fácil reconhecer a complexidade das aptidões de um toureiro; aquilo que hoje parece comum pode revelar-se extraordinário numa observação mais atenta e foi para mim o agradavél da corrida de Madrid e das duas lides de Ismael Martín.
Como agradável e eficaz foi a contribuição do nosso conterrâneo Joaquim Oliveira, bandarilheiro hoje ao serviço do salamantino.
Como nota final, quando algumas empresas portuguesas procuram nomes sonantes para preencher os poucos momentos de toureio a pé nas nossas praças de toiros, jovens toureiros como o diestro charro juntamente com os matadores portugueses no activo podem ser uma solução bem agradável.
"O talento nem sempre é invisível; por vezes, somos nós que ainda não sabemos reconhecê-lo".








