domingo, 19 de julho de 2026

Memórias do Campo Pequeno: há 68 anos reprovaram Mestre Batista na alternativa...

Em 19 de Julho de 1958 (era um sábado), José Mestre Batista (na foto de cima, em sua casa em Vila Franca, ano de 1978, concedendo uma entrevista a Miguel Alvarenga para o semanário "A Rua") foi reprovado na sua alternativa na praça do Campo Pequeno. Um caso inédito, ao tempo, e que teve mais a ver com o incómodo que ele significava para os cavaleiros instalados, do que propriamente por falta de aptidões para alcançar essa importante meta.

D. Francisco de Mascarenhas, o cavaleiro-fidalgo, falecido em Março deste ano, que se afastara das arenas dois anos antes por problemas de visão, prestou-se de imediato a reaparecer por um dia para dar a alternativa a Mestre Batista, o que aconteceu a 15 de Setembro desse mesmo ano de 1958 na praça "Daniel do Nascimento" na Moita.

José Mestre Batista, um verdadeiro revolucionário do toureio a cavalo, morreu em 17 de Fevereiro de 1985, com 42 anos, vítima de um ataque de asma, num hotel da cidade espanhola de Zafra, onde passava o fim-de-semana de Carnaval com a Mulher e o filho.

Em Agosto de 2020, nas vésperas de ser homenageado pelo empresário Luis Miguel Pombeiro no Campo Pequeno pelos seus 75 anos de alternativa (único toureiro que celebrou tel efeméride em vida), D. Francisco recordou numa entrevista ao "Farpas":

"Retirei-me em 1956 por sofrer de miopia. Tive imensa pena, mas fui obrigado a deixar de tourear por problemas de visão. Só reapareci em 1958 para dar a alternativa na Moita ao José Mestre Batista. Tinham-no chumbado na alternativa no Campo Pequeno e eu achei aquilo uma injustiça e fui com ele para a Moita para lhe dar a alternativa"

O "chumbo" na alternativa de Mestre Batista em Lisboa ficou a marcar este dia 19 de Julho na História do "velho" Campo Pequeno. Mas houve mais datas marcantes. Recordamos outras três.

Neste mesmo dia 19 de Julho, no ano de 1972 (era uma quarta-feira), realizou-se no Campo Pequeno uma corrida de gala à antiga portuguesa promovida pela Câmara Municipal de Lisboa inserida nas tradicionais Festas da Cidade - vão passados 54 anos (primeiro carta em baixo).

Lidaram-se toiros de Maria Manuela Andrade Salgueiro e actuaram os cavaleiros José Mestre Batista, Luis Miguel da Veiga, Vitor Ribeiro (pai), Fernando de Andrade Salgueiro, Frederico Cunha e o então amador D. José João Zoio, que no ano seguinte tomaria a alternativa apadrinhado por João Núncio nesta mesma praça na corrida comemorativa dos 50 anos da alternativa do Mestre. As pegas estiveram a cargo dos Amadores de Montemor e Ribatejo, capitaneados respectivamente por António José Zuzarte e Rui Souto Barreiros.


Também neste dia 19 de Julho, mas no ano de 1979, realizou-se no Campo Pequeno uma corrida mista em que actuaram os cavaleiros José Mestre Batista e José Maldonado Cortes e os matadores Mário Coelho (recentemente falecido) e o espanhol Tomás Campuzano. As pegas estiveram nessa noite a cargo dos Amadores do Montijo, sob o comando de Rogério Amaro. Lidaram-se toiros de João Núncio (cartaz de cima). Já lá vão 47 anos (segundo cartaz em baixo).

Ainda neste dia 19 de Julho, mas no ano de 1984, há 32 anos, o Campo Pequeno foi palco da primeira corrida de toiros do partido CDS, que na década de 70 realizara já três garraiadas nesta praça. Lidaram-se toiros da ganadaria do Dr. Ortigão Costa e o cartel era composto pelos cavaleiros Luis Miguel da Veiga, Emídio Pinto e João Moura e pelos forcados Amadores de Santarém capitaneados por Carlos Grave (terceiro cartaz em baixo).


Fotos Luis Azevedo/Estúdio Z, Fernando Gonçalves/Unipress e D.R.