Miguel Alvarenga - Perdemos a praça de toiros de Viana do Castelo - e não fomos capazes de fazer nada para o evitar.
Perdemos a praça de toiros da Póvoa de Varzim - e também não fomos capazes de fazer nada, nem sequer de reagir, para evitar que isso acontecesse.
Comemos e calámos. Somos brandos e parece que não sabemos respeitar os costumes.
Perdemos a praça de Albufeira, esta por razões diferentes, porque o antigo e saudoso proprietário a preferiu vender - e também não fizemos absolutamente nada para que as coisas acontecessem de modo distinto. Deixámos andar. Comemos e calámos.
Ficámos sem a tradicional corrida da Benedita e também encolhemos os ombros, deixámos andar...
Agora perdemos, se calhar para sempre, a praça de Montemor-o-Novo e ninguém levantou a voz, salvo duas ou três excepções protagonizadas por antigos forcados em protestos nas redes sociais. Comemos e calámos outra vez.
Reduziram as corridas do Campo Pequeno para apenas quatro e ninguém protestou. Continuámos a viver (e a alimentar) alegremente as noites de tourada na capital como se fossem muitas...
Ao contrário destas tristes anomalias, houve este ano duas excepções: o povo da Terrugem (Elvas) uniu-se, arregaçou as mangas e recuperou a sua praça de toiros, que estava interditada pela IGAC pela necessidade de algumas obras de recuperação e melhoramento; e o empresário Luis Miguel Pombeiro deitou mãos à obra e impediu que também fechasse para sempre a praça de Vila Nova da Barquinha, precisamente aquela onde ele se estreou nos anos 80.
Estava interditada pela IGAC, não dera corridas no ano passado, fizeram-se as obras necessárias, agora está um brilho e pronta para reabrir, o que acontecerá já na próxima sexta-feira 11 de Setembro com uma noite festiva de cartel internacional (cartaz em baixo).
Estivemo-nos todos nas tintas para Viana do Castelo, para Póvoa do Varzim, para a Benedita, para Albufeira, para Montemor, para a redução do número de corridas em Lisboa (qualquer dia serão duas e depois nenhuma).
É importante que não nos estejamos também nas tintas para a Barquinha. É importante, muito importante mesmo, que marquemos presença nesta sexta-feira.
Se não formos capazes de o fazer, então que ninguém mais volte a chorar lágrimas de crocodilo quando fecharem mais praças. Teremos aquilo que, se calhar, merecemos.
Fotos D.R.




