Miguel Alvarenga - Tenho, alguns sabem, uma costela musical, do fado, sobretudo. Cruzei-me algumas vez com o Luis Represas quando ele entrou no espectáculo “Um Dia no Alentejo” do meu querido Gonçalo da Câmara Pereira, eu depois entrei no “Fado é Vida”, mas ele não. Mas nunca fomos íntimos, nem sem ser íntimos, não tenho nenhuma foto ao lado dele, como tanta gente publicou as suas ao longo deste triste dia nas redes sociais.
Mesmo sem o conhecer, todos conhecíamos o Luis Represas. Das noites no “Xafarix”, do outro bar que ele teve na Expo e depois continuou mais alguns anos, dos temos em que era sócio do Cajó Ferreira - mas acima de tudo, conheciamo-lo porque ele fez parte das nossas vidas. Crescemos a ouvi-lo. E tinha uma da vozes mais bonitas que fizeram parte das nossas vidas.
Os Trovante e o Luis Represas cresceram enquanto nós também crescíamos. Ainda há uma semana fiquei agarrado ao televisor, especado, a ouvi-lo no concerto que voltou este ano a juntar os Trovante no Pavilhão Atlântico. Parecia-me que ele estava bem, apenas com uns 50 anos a mais, como eu, como todos nós. Mas não estava, pelos vistos.
Hoje de manhã estava no “Corte Inglês” quando a Fatucha telefonou e me disse: “Morreu o Represas”.
Confesso que passei um dia mais triste do que os outros dias.
Ele tinha espectáculos já anunciados para 2027, onde ia comemorar 50 anos de carreira. Começámos então ao mesmo tempo. Eu comemorei os meus (50) este ano. Como vêem, crescemos juntos. Se calhar o Represas nunca me leu, mas eu ouvi-o milhões de vezes e ainda agora estou a ouvir outra vez.
“Há sempre alguém que nos faz falta… ai, saudade”.
Descansa em paz. E canta muito lá no Céu!
Foto D.R.

