Luto no mundo tauromáquico, no seio dos forcados e, muito em particular, no grupo de forcados Amadores de Montemor - pela morte de António José Zuzarte, quinto cabo do grupo, ainda hoje recordado como um dos mais eficazes intérpretes da pega de cernelha, sorte que partilhou inúmeras vezes com o saudoso rabejador Simão Nunes Comenda.
António José Zuzarte tinha 86 anos (faria 87 na próxima semana, no dia 7 de Agosto) e morreu hoje no Hospital Garcia de Orta, em Almada, onde estava há duas semanas internado, vítima de doença prolongada.
Natural de Veiros do Alentejo, onde nasceu a 7 de Agosto de 1939, António José Zuzarte fardou-se pela primeira vez em 11 de Agosto de 1957 na praça de toiros de Vila Viçosa, iniciando aí uma carreira brilhante como forcado amador - honrando a jaqueta durante 23 anos.
Forcado nº 76 do GFA de Montemor, António José Zuzarte foi um dos forcados com maior longevidade no grupo, tendo sido o quinto cabo (de 1971 a 1979). Era um forcado completo, sendo a sua especialidade a pega de cernelha, como acima referimos.
António José Zuzarte despediu-se das arenas e de cabo a 2 de Setembro de 1979 na corrida comemorativa dos 40 anos dos Amadores de Montemor, passando o testemunho a João Cortes.
"A despedida de Zuzarte, do forcado que levantara as praças com as suas cernelhas a partir de 1957, cuja atitude firme em 1970 conseguira que o grupo de Montemor não se extinguisse, que passara por um difícil período de "exílio" de Montemor de 1971 a 1977 e que, em 1978, conseguira a solução do problema dos dois grupos, foi comovedora para quem conhecia a sua historia. Esse jovem de Veiros do Alentejo, que ligou indissoluvelmente o seu nome ao grupo de Montemor pela dedicação que lhe votou, entregou o grupo, com o alto prestigio intacto, nas mãos dos seus companheiros" - (texto retirado do livro dos Forcados de Montemor).
António José Zuzarte era entomologista amador (biólogo ou cientista focado no estudo dos insectos, abrangendo desde a sua classificação e fisiologia até ao seu comportamento), faceta que poucos lhe conheciam, mas que há poucos anos foi alvo de grande reportagem no jornal "Público": durante anos e anos, apanhou centenas de insectos dentro e fora de Portugal, tinha mais 17.000. Há poucos anos doou-o ao Museu Nacional de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa.
Não são ainda conhecidos pormenores das cerimónias fúnebres - que aqui divulgaremos assim que haja informação.
A toda a Família enlutada, em particular a sua Mulher, seus amigos e ao GFA de Montemor, endereçamos as mais sentidas condolências.
Que em paz descanse.
Foto M. Alvarenga

