sábado, 22 de agosto de 2026

Montemor e Vila Franca: as sete duras pegas aos complicados Silvas ontem no Campo Pequeno

Miguel Alvarenga - Foi fantástica, não só pela técnica e pelo valor demonstrado pelo forcado Rodrigo Andrade (dos Amadores de Vila Franca), mas sobretudo pelo conjunto das ajudas, a começar pela primeira, de Rodrigo Dotti, que viria depois a ser chamado à arena já no final da volta do companheiro - e por isso mereceu ganhar o Concurso de Pegas de ontem à noite no Campo Pequeno.

Mas a grande pega da noite foi a última, desse enorme forcado, para mim o melhor dos últimos tempos, que é José Maria Cortes Pena Monteiro, com uma brilhante e eficaz ajuda de seu irmão, o cabo António Cortes Pena Monteiro. O Grupo de Montemor vive um período de renovação e não está valente em ajudas como estava há pouco tempo. Mas José Maria é um forcadão e pêras, pega qualquer toiro, com ajudas ou sem ajudas...

Os dois grupos tinham acordado que, por se realizarem sete pegas, a última (que foi esta) não entraria em concurso. Foi pena que assim fosse. E foi pena, sobretudo, que o cabo António Pena Monteiro só se tenha lembrado do irmão para a última pega da corrida, perdendo assim a grande oportunidade de ganhar o Troféu "Manuel Trindade", instituído pela primeira vez em homenagem ao saudoso forcado dos Amadores de São Manços que há um ano perdeu a vida nesta arena a pegar um potente toiro da ganadaria Vinhas.

A pega de José Maria foi a única "pega à Montemor", numa noite sem o habitual brilhantismo, antes pelo contrário, para o grupo alentejano.

O Grupo de Montemor - para muitos referenciado como o grande grupo de forcados nacional - atravessa um período de transição e renovação, que todos os grupos atravessam e que ele próprio já atravessou. Retirados muitos dos pesos-pesados que fizeram a sua história nos últimos anos, o grupo renova-se e põe à prova novos valores, mas a realidade é que neste momento peca pela falta de bons "ajudas" (tem apenas projectos de futuros grandes "ajudas") e, há que dizê-lo, como crítica (ou antes, alerta) positiva, que precisa de rodar e olear toda a máquina para voltar a aceitar grandes desafios como este de ontem, de pegar os complicadíssimos Silvas.

O grupo deveria recatar-se, preparar a rapaziada nova, olear toda a sua máquina, aceitar só corridas "menos complicadas" e dar tempo ao tempo para regressar em força e com o esplendor de sempre.

Ontem, com Silvas mansos e complicados, o cabo Pena Monteiro utilizou dois dos últimos grandes pilares do grupo, Vasco Ponce (terceira pega da noite) e Joel Santos (quinta), mas faltaram quase sempre as ajudas e os dois valorosos forcados sentiram dificuldades acrescidas para consumar as suas pegas. Ponce concretizou à terceira e Joel só à quarta e com as ajudas carregadas.

A primeira pega, também sem o brilhantismo habitual da formação montemorense, foi consumada à terceira tentativa pelo valente, mas ainda pouco experiente, Miguel Cecílio.

Muito por cima estiveram ontem os Amadores de Vila Franca, com três rijas e grandes pegas ao primeiro intento, por intermédio dos já consagrados Miguel Faria (segunda pega da corrida, com uma ajuda fabulosa e decisiva de Diogo Miguel Sousa "Niño", a afirmar-se como um dos mais eficazes primeiros-ajudas da actualidade), Guilherme Dotti (quarta) e Rodrigo Andrade (sexta), este com uma ajuda fabulosa de Rodrigo Dotti, como já referi.

Os Amadores de Montemor brindaram a primeira pega ao cavaleiro Paco Velásquez (que confirmou a alternativa); a sua segunda pega (terceira da corrida) à imensa falange de antigos forcados e apoiantes do grupo que normalmente acorrem às praças sempre que pega a formação montemorense; a quinta da noite ao público; e a sétima à família do saudoso Dr. José Cabral, mais concretamente a seu filho.

Os Amadores de Vila Franca brindaram a sua primeira intervenção (segunda pega da noite) também à viúva e aos filhos do saudoso forcado de Montemor e reputado médico neurocirurgião Dr. José Cabral (falecido há um mês e ontem homenageado a título póstumo pelos empresários); a segunda (quarta da ordem ) aos céus, provavelmente à memória de Manuel Trindade e do Dr. José Cabral); e a terceira (sexta, a pega vencedora do concurso) aos pais e irmã do saudoso forcado Manuel Maria Trindade.

O primeiro Troféu "Manuel Trindade" foi entregue ao forcado Rodrigo Andrade (o júri era formado pelos cabos dos dois grupos), pela sexta pega da noite, por Pedro Trindade, pai do saudoso forcado de São Manços. Por se tratar do primeiro galardão com o nome do filho, o forcado vencedor fez questão de entregar o mesmo a Pedro Trindade, para que o guarde em sua casa, em nome da memória de seu filho. Um gesto bonito.

Fique agora com as sequências das seis rijas e duras pegas aos mansos toiros da ganadaria Herds. Dr. António Silva ontem no Campo Pequeno. Houve muitos "sopinha de corno" e os toiros deram imensa água pela barba aos forcados.

Pouco movimentados durante as lides, os sete toiros chegaram praticamente "inteiros" aos forcados, com força e poder, a complicar, a não se deixarem "agarrar", o que agravou e mais dificultou o labor dos dois grupos, sobretudo o do Grupo de Montemor, a viver um período menos feliz, de que se há-de levantar e recuperar. Força!

Fotos M. Alvarenga
















Primeira pega, pelo Grupo de Montemor, brindada a Paco
Velásquez, foi consumada por Miguel Cecílio, valente, valoroso,
mas ainda inexperiente para um "número" destes com toiros
Silva e... sem ajudas...















Miguel Faria (V. Franca) é um forcado poderoso e eficiente.
Fez grande pega ao segundo toiro da noite, brindada à família
do Dr. José Cabral, com uma ajuda brilhante de Diogo M. Sousa



















Forcado de méritos consagrados, Vasco Ponce (Montemor) pegou
o terceiro toiro à terceira, sem nunca contar com as ajudas dos
companheiros...











Quarta pega: enorme! Consumada à primeira, com o brilhantismo
e a emoção de sempre, pelo grande Guilherme Dotti (V. Franca)































Com um grupo impreparado para dar ajudas, o veterano Joel
Santos (Montemor) viu-se e desejou-se para pegar o quinto 
Silva da noite. Só o fez à quarta e com os companheiros "em cima"




















Grande pega, vencedora do concurso, a de Rodrigo Andrade
(V. Franca), ao sexto toiro, com ajuda fabulosa de Rodrigo Dotti.
Brindou aos pais e irmã do saudoso forcado Manuel Trindade


















A sétima pega não entrou no concurso... mas foi a grande pega
da corrida! Por José Maria Cortes Pena Monteiro, do Grupo de
Montemor, com uma ajuda imponente de seu irmão António,
o cabo. A praça veio abaixo!






1º Troféu "Manuel Trindade", para a melhor pega, foi entregue
por Pedro Trindade, pai do saudoso forcado de S. Manços, a 
Rodrigo Andrade, do GFA de Vila Franca, mas este fez questão de
que o galardão ficasse nas mãos do também antigo forcado, em
nome da memória de seu saudoso filho