Faleceu hoje José Alberto Bartissol, histórico bandarilheiro, professor da Escola de Toureio e diretor de corrida, cuja vida ficou profundamente ligada à história da tauromaquia portuguesa e à formação de novas gerações de toureiros.
Nascido em Lisboa, a 5 de Setembro de 1936, José Alberto Bartissol era oriundo de uma família com profundas raízes na Festa Brava. Era neto de Luciano Moreira, fundador, em 1903, da escola de toureio que viria a desempenhar um papel importante na formação de jovens valores do toureio a pé.
A sua ligação às arenas começou em 1954, quando se apresentou como toureiro amador na praça de toiros de Algés. Em Novembro de 1958, foi-lhe atribuída a categoria de novilheiro praticante, dando continuidade ao seu percurso taurino.
A 24 de Julho de 1960, prestou provas para bandarilheiro praticante na praça de toiros da Nazaré. A 19 de Maio de 1963, tomou a alternativa de bandarilheiro na praça de toiros do Campo Pequeno, em Lisboa, tendo sido aprovado por unanimidade.
Para além da carreira nas arenas, José Alberto Bartissol dedicou uma parte significativa da sua vida ao ensino do toureio. Em 1959, assumiu a direção da escola fundada pelo seu avô, dando continuidade a um legado familiar de transmissão de conhecimentos e formação de jovens. Sob a sua direção, a instituição passou a designar-se Escola de Toureio da Tertúlia "Festa Brava", reforçando a ligação àquela instituição taurina.
A sua dedicação ao ensino contribuiu para a formação de novos valores e para a preservação dos conhecimentos e das tradições do toureio a pé. O seu trabalho pedagógico ficou também registado num documentário da RTP, de 1973, no qual surge a orientar jovens aspirantes a toureiros.
Depois de deixar as arenas, manteve-se ligado à Festa Brava no exercício das funções de director de corrida. Nesse papel, destacou-se pelo rigor e pela intransigência na defesa do cumprimento da lei, características que marcaram o seu percurso e lhe granjearam o respeito no meio taurino.
A ligação à Tertúlia "Festa Brava" foi igualmente marcante, tendo sido distinguido como sócio honorário da instituição, em reconhecimento pela sua dedicação e pelo contributo prestado ao longo de décadas.
Com a sua morte, desaparece uma figura de referência da tauromaquia portuguesa, cujo percurso reuniu a experiência das arenas, a dedicação ao ensino e o exercício de funções de responsabilidade na condução dos espetáculos taurinos.
Fica o legado de um homem que dedicou grande parte da sua vida à Festa Brava, contribuindo para a formação de novos profissionais e para a transmissão de uma tradição que atravessa gerações.
Touradas/Facebook

