Dois novilheiros praticantes e dois amadores, mais dois cavaleiros praticantes, compõem o cartel da denominada Grande Final da Liga Nacional de Novilhadas, uma promoção da PróToiro, anunciada para 21 de Novembro no Coliseu do Redondo.
Para trás ficaram quatro novilhadas realizadas em várias praças nacionais, em que participaram muitos novilheiros das diversas escolas taurinas existentes no nosso país.
Uma final pressupõe que tivesse um cartel integrado pelos triunfadores, pelos mais pontuados nas eliminatórias anteriores - que é o que costuma acontecer nestas iniciativas.
Ninguém entendeu que critério foi usado para montar o elenco que está anunciado como Grande Final. Sem desprimor algum pelos jovens toureiros que o integram, é legítimo que se questione por que razões outros ficaram de fora deste cartel final?
Mais confuso e mais complicado de entender é o facto de duas escolas de toureio com alunos a competir nesta Liga de Novilhadas fazerem parte da Comissão Organizadora da mesma...
"Quando quem compete, também decide, a imparcialidade desaparece" - acusa o cronista taurino Jaime Amante num pertinente artigo de opinião em que põe o dedo na ferida, dado à estampa na sua página da rede social Facebook - que aqui reproduzimos com a devida vénia.
Afinal, batem todos muitas palminhas, mas se calhar o rei vai nu...
Quando quem compete, também decide, a imparcialidade desaparece
Jaime Amante - Há questões na tauromaquia que merecem ser colocadas com frontalidade, mas também com serenidade e sentido de responsabilidade.
No início do ano, com pompa e circunstância, a PróToiro anunciou em Vila Franca de Xira a criação de uma Liga Nacional de Novilhadas, uma iniciativa que, à partida, poderia representar uma oportunidade para promover a formação, estimular a competição saudável e dar visibilidade aos jovens que procuram construir o seu caminho no mundo dos toiros.
Felicitei a iniciativa mas encontrei na mesma alguma ingenuidade na sua orgânica e no modo como a mesma se ia desenrolar.
Na Comissão Organizadora da 1ª Liga Nacional de Novilhadas, responsáveis da PróToiro e representantes da Escola de Toureio “José Falcão” de Vila Franca de Xira e da Escola de Toureio e Tauromaquia da Moita do Ribatejo.
De repente surge uma pergunta legítima: se duas das escolas participantes são simultaneamente convidadas a integrar a comissão responsável pela organização, regulamentação ou acompanhamento da própria Liga, onde fica a necessária independência?
Não se trata de pôr em causa pessoas, escolas ou instituições. Trata-se de uma questão de princípio e de transparência.
Quem participa numa competição deve ter exactamente as mesmas condições que os restantes concorrentes. E quem tem responsabilidades na definição das regras, critérios ou decisões da competição deverá, idealmente, estar suficientemente afastado dos interesses daqueles que nela competem.
Na Festa Brava, onde tantas vezes se fala de ética, seriedade, verdade e respeito pelas regras, estas preocupações não podem ser consideradas secundárias.
Uma Liga Nacional de Novilhadas, deve ser um espaço de igualdade, mérito e oportunidade para todos.
Por isso, a questão não é saber o que está correcto ou o que está errado. A questão é muito mais simples:
É possível uma Eescola ter simultaneamente alunos seus a participar e também ser parte da estrutura que organiza o evento, sem que surja um potencial conflito de interesses?
A expressão mais forte e tecnicamente adequada, se houver participação directa nas decisões que podem beneficiar ou prejudicar os concorrentes, “aqui surge um potencial conflito de interesses”.
Talvez seja uma situação perfeitamente regulamentada. Se assim for...
Anuncia-se para o dia 21 de Novembro na praça de toiros do Redondo, a Final da Liga Nacional de Novilhadas.
No que concerne ao toureio a pé participaram nas quatro novilhadas realizadas, 8 jovens toureiros, Rodrigo Lousa, Martím Velásquez, e João Maria Rodrigues com duas actuações e Vicente Sánchez, António Grilo "Toninho", Eduardo "Chibanga", João Fernandes e João Palha com uma participação cada.
Até aqui tudo “normal”, mas uma ou várias questões se colocam: com que critério foram escolhidos os quatro novilheiros anunciados para a “Final” ?
No decorrer das anteriores novilhadas realizadas, houve em algum momento, critérios previamente anunciados, de uma possível avaliação, com o fim de encontrar o triunfador de modo a participar na “Final” ?
Com que conceito, que princípios nortearam nas quatro novilhadas realizadas, a escolha dos participantes e que critérios estiveram em consideração ?
Uma competição (a Liga Nacional de Novilhadas foi uma competição?) só terá verdadeiramente êxito quando todos os participantes puderem olhar para ela e sentir que partem da mesma linha de saída, obedecem às mesmas regras e são julgados pelos mesmos critérios.
Na Tauromaquia, como na vida, a credibilidade também se paga e eu creio que a transparência nunca fez mal à Tauromaquia.
Afinal, quando quem compete, também decide, a imparcialidade desaparece...


