Há 50 anos, o "Espontâneo Zip-Zip" saíu em ombros da Monumental de Santarém e foi levado em triunfo pelas ruas da cidade até ao Café Central
Manuel Valente estava no auge, o país falava dele. Um ano antes atrevera-se a saltar à arena do Campo Pequeno quando em praça estava a tourear o famoso matador espanhol Francisco Rivera "Paquirri", ao tempo o ídolo da aficion portuguesa, que teve o bonito gesto de o deixar dar uns muletazos ao toiro antes de ser preso pelo Chefe Pires, que à época comandava todas as semanas a equipa da PSP de serviço à primeira praça do país.
O jovem aspirante a toureiro foi poucos dias depois entrevistado por Carlos Cruz, Raul Solnado e Fialho Gouveia no grande programa televisivo desse tempo, o "Zip-Zip" (RTP) e depressa ficou conhecido como o "Espontâneo Zip-Zip".
Mas o caso que hoje aqui recordamos aconteceu um ano depois disso, a 10 de Junho de 1970, cumpre-se hoje meio século.
Na Monumental "Celestino Graça", de Santarém, teve lugar uma novilhada de juventude integrada na VII Feira Nacional da Agricultura e na XVII Feira do Ribatejo. Lidaram-se oito toiros de Manuel João Coimbra Barbosa e actuaram os então promissores cavaleiros amadores Carlos Empis (que viria depois a ser cabo dos gloriosos Forcados Amadores de Santarém) e Emídio Pinto (que anos depois se sagraria como uma das maiores figuras do toureio equestre dos anos 70 e 80) e os novilheiros Manuel António, Manuel Valente e José Mareco, no tempo três estrelas da nova vaga do toureio a pé. As pegas foram executadas pelos forcados Amadores Académicos de Vila Franca, que eram capitaneados por Miguel Palha Van-Zeller (cartaz ao lado).
Para além de ser um toureiro que estava na moda, Manuel Valente obteve um êxito enorme nessa tarde e no final saíu da Monumental em ombros e foi passeado pelas ruas da capital ribatejana, em triunfo, até ao Café Central (foto de cima) - um feito e uma proeza que ficou na história da "Celestino Graça" e que poucos conseguiram até hoje igualar.
50 anos depois, olé, Manuel Valente!
Fotos D.R.
