domingo, 27 de setembro de 2026

Montemor e Académicos de Elvas: as 6 pegas desta sexta-feira no Coliseu esgotado

Miguel Alvarenga - Frente a toiros das ganadarias Passanha e São Marcos, poderosos, exigentes, alguns com teclas e a pedirem contas, os valentes grupos de forcados Amadores de Montemor, capitaneados por António Cortes Pena Monteiro, e Académicos de Elvas, comandados por Pedro Curião, viveram esta sexta-feira no Coliseu de Elvas (com a lotação esgotada e um grande ambiente de entusiasmo e de aficion nas bancadas) uma noite de emoções fortes. Fortíssimas, mesmo!

Vasco Ponce, forcado de alma, forcado de enorme poderio e com História escrita, fez ao primeiro toiro da corrida, da ganadaria São Marcos, a última pega da sua vida. Como é tradição, os forcados de Montemor não despem a jaqueta quando decidem que é o momento de colocar um ponto final na sua carreira, por norma a despedida fica marcada por um brinde a todos os companheiros e sempre no cenário da tradicional corrida da feira de Setembro na sua praça. Mas neste momento, infelizmente, o Grupo de Montemor não tem praça. Está interditada, por necessidade de obras, pela IGAC. E por isso o adeus de Vasco Ponce teve esta sexta-feira por palco o Coliseu de Elvas.

Fez o valente forcado duas primeiras tentativas sem sucesso, mais por falta de ajudas dos companheiros do que propriamente por culpa sua. Aguentou uma enormidade, mas acabou "fora de cena" nas duas primeiras intervenções. À terceira, com maior decisão e melhor empenho dos ajudas, consumou a pega e depois acompanhou João Salgueiro na volta à arena. No fim, o cavaleiro afastou-se, empurrou-o para o centro da arena e ficou também nos tércios a bater-lhe palmas. Como todo o público. Adeus, Forcado!

José Pedro Silva, dos Académicos de Elvas, fez ao primeiro intento a segunda pega da noite, a um toiro de Passanha, tendo brindado a Vasco Ponce. O toiro arrancou-se de repente e o forcado aguentou a brusca investida que nem um valente, fechando-se com técnica e muita decisão, contando com a ajuda coesa e em força de todos os companheiros. O cavaleiro Rui Fernandes agradeceu as ovações do público no centro da arena com o forcado e depois deixou-o, dando este a volta a sós, sob forte aclamação dos aficionados.

O terceiro toiro, de São Marcos, foi pegado de cernelha, com toda a perfeição, pelo cabo de Montemor, António Cortes Pena Monteiro, com o valoroso Joel Santos a rabejar. O toiro não "rabujou" muito e a pega foi consumada sem problemas. Deram ambos a volta à arena com Marcos Bastinhas, a quem tinham brindado esta sorte de cernelha.

Para pegar o quarto toiro da noite, um Passanha exigente e com teclas, superiormente lidado por João Salgueiro, saltou à arena o forcado Miguel Sadio, dos Académicos de Elvas - que brindou a pega à Banda de Música. O toiro não era pêra doce, em três duras tentativas desarmou-o sempre com violentos e altos derrotes, até que na última o forcado ficou desmaiado e foi retirado de maca. Segundo as informações que conseguimos obter, recuperou os sentidos na enfermaria e não sofreu nenhuma lesão grave. O toiro acabou por ser pegado por João Carlos, a sesgo e com as ajudas carregadas. Uma pega sem brilhantismo, mas salvou-se, ao menos, a honra do convento elvense.

A pega ao quinto toiro, um exemplar bravo e muito sério da ganadaria São Marcos, foi consumada à primeira tentativa por José Maria Cortes Pena Monteiro, dos Amadores de Montemor, irmão do cabo, na minha opinião o melhor forcado da actualidade, muito na linha de valor, técnica e poder que eram apanágios de seu sempre lembrado tio, o saudoso cabo José Maria Cortes.

José Maria foi provocar o toiro nos seus terrenos, mandou na investida, recuou e templou como os toureiros de arte, reuniu e fechou-se com toda a decisão e toda a bravura que lhe vai na alma, o toiro fugiu ao grupo, desviou a rota para a esquerda, mas o valente forcado jamais lhe saíu da cara, fechado que nem uma lapa. Enorme. Um hino à nobre arte de pegar toiros. Os companheiros acorreram (e correram) a ajudar e a pega ficou brilhantemente consumada.

José María Cortes - que brindou esta pega espectacular a Nuno Vacas de Carvalho, em cuja casa teve lugar a fardação do grupo - deu aplaudida volta à arena com Rui Fernandes e o maioral da ganadaria, premiado com essa merecida honra pelo director de corrida Domingos Jeremias.

Por fim, a sexta pega esteve de novo a cargo dos anfitriões Académicos de Elvas, grupo que, apesar de não pegar muito, se encontra em excelente forma, tendo sido Luis Carvalho o forcado de cara. Brindou a Marcos Bastinhas. Pega rija e valorosa, emotiva, com o toiro - de Passanha - também a fugir ao grupo e o forcado fechado e sem desarmar. Chave de ouro a encerrar da melhor forma uma rija noite de pegas no Coliseu de Elvas.

Houve brindes variados por parte dos forcados, mas nem um aos familiares do inesquecível José Tello Barradas, cujo centenário do nascimento se homenageava nesta corrida. Uma falha lamentável.

Fique com as fotos das sequências das seis valorosas e emotivas  intervenções dos forcados de Montemor e de Elvas. Ao longo deste domingo vamos trazer-lhe os melhores momentos das lides dos cavaleiros João Salgueiro, Rui Fernandes e Marcos Bastinhas.

Fotos M. Alvarenga

GFA de Montemor, comandado por António Cortes Pena Monteiro
GFA Académicos de Elvas, capitaneado por Pedro Curião






























A última pega da valorosa carreira de Vasco Ponce (Montemor)
foi consumada à terceira e um toiro de São Marcos










Pega brilhante e emotiva de José Pedro Silva (Elvas) ao segundo
toiro da noite, da ganadaria Passanha







Grupo de Montemor pegou o terceiro toiro (S. Marcos) de
cernelha por intermédio do cabo António Pena Monteiro e de
Joel Santos. Brindaram a Bastinhas























Quarto toiro (Passanha): após três duras tentativas, Miguel
Sadio (Elvas) foi retirado de maca. Pega consumada por João
Carlos a sesgo e com as ajudas carregadas













O hino à arte de pegar toiros, no quinto da ordem (S. Marcos),
interpretado pelo enorme José María Cortes. Momento alto!











Luis Carvalho (Elvas) fechou com chave de ouro, e à primeira
tentativa, uma noite de muitas emoções vividas pelos forcados