segunda-feira, 22 de junho de 2026

Coruche e Aposento da Moita honraram arte dos forcados na Monumental de Badajoz

Miguel Alvarenga - Como já aqui referimos, os forcados Amadores de Coruche (capitaneados por João Prates) e Amadores do Aposento da Moita (sob o comando de Luis Canto Moniz) actuaram este sábado na corrida de rejoneio que abriu a Feira de San Juan em Badajoz, duas presenças com as quais a empresa FIT procurou - pela emoção das pegas - arrastar mais público à Monumental, aposta que resultou em cheio. A enorme praça da cidade fronteiriça registou uma das maiores entradas dos últimos anos numa corrida de cavaleiros (cerca de meia lotação preenchida). 

Por decisão dos cavaleiros, só foram pegados os três primeiros toiros da corrida, todos eles pertencentes à ganadaria portuguesa de Francisco Romão Tenório, de comportamento menos agressivo para os cavalos, mas com pata e com força diante da forcadagem.

Tiago Pata, dos Amadores de Coruche, brindou ao público a primeira pega da noite (a corrida iniciou-se às 21h30), que consumou à terceira. Na primeira tentativa, o toiro fintou-o e passou-lhe ao lado... Na segunda, sofreu violento derrote. À terceira consumou com brilhantismo e excelente intervenção do primeiro ajuda, assim como de todos os companheiros. Não deu volta à arena.

A segunda pega foi executada por Luis Canto Moniz, cabo do Aposento da Moita, com a decisão, a perfeição e o poderio com que nos habituou. Grande pega e grandes ajudas dos companheiros. Canto Moniz dedicou a sua intervenção ao empresário e antigo matador António Barrera, director da empresa FIT (grupo mexicano que gere esta e outras praças espanholas e a que pertence o português Rui Bento). Deu aplaudida volta à arena com Diego Ventura

A terceira pega esteve a cargo de Paulo Galamba, dos Amadores de Coruche, que consumou com decisão e total perfeição ao primeiro intento (brindou ao público). O forcado deu volta à arena com Guillermo Hermoso.

Pelo facto de só terem sido pegados três toiros, seria normal que cada grupo fizesse uma pega e que o grupo mais antigo (Coruche) convidasse depois quatro forcados do outro grupo para com ele repartir a pega ao terceiro toiro, mas isso não aconteceu.

Como já aqui referimos ontem, e segundo nos informou João Prates, cabo dos Amadores de Coruche, o seu grupo não repartiu a pega com o Aposento da Moita porque este grupo declinou o convite para o fazer.

Ficam as fotos das sequências das três pegas com que os forcados de Coruche e do Aposento da Moita honraram em Badajoz a nobre e tão portuguesa arte de pegar toiros... em hastes limpas, ainda por cima, não embolados, ao contrário do que acontece no nosso país. 

Fotos M. Alvarenga















Tiago Pata (Coruche) na primeira pega, à terceira tentativa









Luis Canto Moniz, cabo do Aposento da Moita, pegou à
primeira o segundo toiro da corrida, brindando a António
Barrera, antigo matador, director da empresa FIT










Terceira pega executada à primeira por Paulo Galamba (Coruche)

Ontem, domingo: 25.698 leram o "Farpas"!

 

Visualizações
de páginas de hoje
45 
Visualizações 
de página de ontem
25 698
Visualizações de páginas 
no último mês
557 036
Histórico total 
de visualizações 
de páginas

55 504 309



João Salgueiro agradece os brindes de Ventura e Rui Fernandes

Brindado por Diego Ventura (que lhe dedicou a sua primeira actuação) e por Rui Fernandes (que lhe dedicou um ferro na sua segunda lide) - nas fotos de cima - este sábado em Badajoz, João Salgueiro publicou hoje nas redes sociais este texto de agradecimento ao bonito gesto e à homenagem dos dois companheiros:

"Hoje tenho de agradecer a dois Companheiros e dois Grandes Toureiros. Em primeiro lugar, por me terem proporcionado a oportunidade de desfrutar do seu toureio e, depois, pelos brindes que me fizeram.


"Ao Diego Ventura, agradeço o brinde mais bonito que alguma vez recebi. Jamais esquecerei as suas palavras.


"Ao Rui Fernandes, agradeço igualmente a bandarilha que me dedicou, bem como o carinho com que me trata, Ele e toda a sua família.


"Obrigado. Fica o enorme desejo de nos reencontrarmos brevemente nas arenas.


"Um abraço, 


João Salgueiro


Fotos Departamento Comunicação FIT


Rui Fernandes, Diego Ventura e Guillermo Hermoso: os melhores momentos no sábado em Badajoz

Deixamos-lhe agora alguns dos melhores momentos das actuações do cavaleiro Rui Fernandes e dos rejoneadores Diego Ventura e Guillermo Hermoso de Mendoza na corrida deste sábado em Badajoz, primeira das duas que compõem a Feira de San Juan (na quarta-feira toureiam Morante, Talavante e David de Miranda - um trio imperdível!), frente a toiros do ganadeiro português Francisco Romão Tenório - bem apresentados, com mobilidade, mas com fraca agressividade, não transmitindo, retirando pela sua extrema "bondade" emoção ao brilhante empenho e à muita entrega e brio profissional dos três cavaleiros. Foi pena... porque os três estiveram muitíssimo bem e, com outro tipo de toiros, teria sido mais emotiva a noite.

Rui Fernandes lidou primorosamente os seus dois toiros. Desacertado com o rojão de morte no primeiro da noite (a corrida, devido ao calor, iniciou-se às 21h30), matou ao segundo descabelho e foi silenciado, o mesmo resultado que teve o forcado Tiago Pata, dos Amadores de Coruche, que consumou a pega ao terceiro intento.

No quarto toiro, outro exemplar de Romão Tenório, este com mais chama, Rui Fernandes superiorizou-se, protagonizando uma lide de maestria e arte, galvanizando o público com brega perfeita, ferros a pisar terrenos de compromisso e espectaculares "piruetas" na cara do oponente. Matou de um rojão certeiro, mas o toiro demorou a cair, sendo premiado com uma merecida e muito aplaudida orelha. Tinha direito a outra. Ou há moralidade...

Diego Ventura esteve acima da média frente aos seus dois toiros, marcando a diferença, reafirmando o estatuto indiscutível de primeiro entre os primeiros. Tudo o que faz é bem feito, todos os detalhes revelam a superioridade da sua tauromaquia, a total e completa afinação das suas máquinas (entenda-se: dos seus cavalos craques). É um toureiro de outra galáxia. Cortou quatro orelhas, as duas a cada um dos toiros, e no quinto da ordem teve fortíssima petição de rabo, que o presidente se recusou a conceder-lhe, manifestando-lhe Ventura o seu descontentamento no momento em que recebeu as orelhas. Destaque para o bonito brinde que fez a João Salgueiro no seu primeiro toiro.

Guillermo Hermoso de Mendoza é um jovem ainda com muito quilómetro para percorrer, até chegar ao patamar em que se encontram os dois companheiros de cartel. Mas é um cavaleiro promissor, aguerrido e com excelente noção de lide - e de espectáculo. Cortou uma orelha ao seu primeiro toiro e as duas ao segundo, saindo triunfalmente em ombros com Ventura.

Como ontem já aqui referimos e a seguir vamos mostrar em pormenor com a publicação das fotos, os três primeiros toiros foram pegados pelos forcados Amadores de Coruche (duas pegas, uma à terceira e outra à primeira) e Amadores do Aposento da Moita (uma pega à primeira) - que defenderam com toda a valentia e toda a dignidade a tão portuguesa e tão nobre arte de pegar toiros.

Com a FIT (empresa mexicana que gere a praça e a que pertence Rui Bento) em processo de tentar recuperar e devolver à Monumental de Badajoz a força e a importância que já teve, a corrida de rejoneadores registou uma entrada de público superior ao habitual, a rondar a meia lotação preenchida. Para quarta-feira espera-se mais público.

Fotos M. Alvarenga








Rui Fernandes no primeiro toiro da noite






Ventura brindou a primeira lide a Salgueiro e homenageou-o
com um recital de bom toureio premiado com duas orelhas




Guillermo Hermoso cortou uma orelha ao terceiro toiro







Foto João Silva





Uma orelha: lide de maestria de Rui Fernandes no quarto
toiro da corrida










Mais uma "lide de estrondo": mais duas orelhas e forte petição
de rabo (não concedido) no segundo toiro de Ventura







Guillermo cortou duas orelhas ao sexto e saíu em ombros com
Diego Ventura