segunda-feira, 10 de agosto de 2026
Veja hoje no canal OneToro: o resumo do Concurso de Ganadarias de Alcochete
Não perca hoje, às 19h00, no canal OneToro, o programa "A Tarde Depois", com Margarida Calqueiro, com os melhores momentos, o resumo da tarde e as declarações de todos os protagonistas da corrida Concurso de Ganadarias de ontem em Alcochete.
Já na próxima sexta-feira 14 de Agosto, o canal OneToro transmite em directo a última corrida da Feira do Bodo em Abiul.
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Alcochete: Rui Fernandes marcou a diferença e repartiu as maiores ovações da tarde com os valentes forcados
Miguel Alvarenga - Num ano em que por tudo e por nada se realizaram concursos de ganadarias em quase todas as praças e a pretexto sabe-se lá do quê, se calhar da falta de curros completos, o Concurso de Alcochete, que se realizou ontem, como sempre, no domingo solene da Feira do Toiro-Toiro, continuou rotulado como um dos melhores e de maior prestígio. Os filhos do saudoso empresário "Nené" jamais deixaram de o dignificar, dando continuidade ao trabalho sério e dinâmico do nosso sempre recordado António José Cardoso.
As ganadarias de ontem eram seis das melhores e mais credenciadas. Mas a história é sempre igual, os toiros são como os melões, só lhes tomamos o gosto e descobrimos a bravura (ou não) depois de abertos.
Apresentação e trapio tinham eles todos. Bravura, nem por isso. Destacaram-se o de Ribeiro Telles, bravo e com muita transmissão, superiormente lidado em primeiro lugar por Rui Fernandes; e o de Passanha, lidado em segundo lugar com altos e baixos por Luis Rouxinol Júnior, um toiro bravo, nobre, com excelente presença e a transmitir emoção, a arrancar-se com alegria de todos os lados. Foram estes os vencedores dos prémios de bravura e apresentação, decisão assumida pelo júri composto pelos seis ganadeiros e que não motivou qualquer protesto por parte de público.
Foi bom, mas sem romper, limitando-se a cumprir bem, o toiro de Joaquim Brito Paes, que coube a João Ribeiro Telles lidar em segundo lugar; exigiu e pediu contas o de Cunhal Patrício também superiormente toureado por Rui Fernandes (ontem, o mais destacado dos três cavaleiros) em quarto lugar; marcou presença e pediu contas o bonito toiro de Branco Núncio com que João Telles obteve um bom triunfo em quinto lugar; e por fim, descompôs a tropa toda o toiro sobrero de Passanha, muito bem apresentado, outro toiro a dar emoção à tarde, cheio de sentido e de poder, que Rouxinol Jr. enfrentou com mais decisão que o seu primeiro e que no final deu água pela barba e muita sopa de corno aos valentes forcados de Alcochete...
O toiro da credenciada ganadaria coruchense Lopes Branco, de que tão bons frutos temos visto nos dois últimos anos, nomeadamente na corrida de Setembro em Sobral de Monte Agraço, onde a ganadaria tem sido muito merecidamente repetida e voltará a sê-lo este ano, desta vez destoou e não honrou o bom nome da divisa.
Saíu em terceiro lugar para Luis Rouxinol Júnior - que, diga-se de passagem, se apercebeu do que ali estava e nem o quis ver de longe, quanto mais de perto. Houve quem alvitrasse que o toiro "via mal", mas era desculpa de mau pagador: investiu com tanta clareza para o capote de Ricardo Alves que deu logo a entender que até era capaz de ver mosquitos na Outra Banda...
Era, pura e simplesmente, um toiro perdido de manso. Mas os mansos também se toureiam. Rouxinol andou ali para trás e para a frente, dizendo por gestos que o toiro não servia, negando-se a cravar o ferro. E depois de andarmos alguns minutos nisto, o director de corrida Ricardo Dias e o médico veterinário José Luis da Cruz mandaram recolher o toiro...
O toiro não coxeava, via bem a quilómetros de distância, não tinha qualquer anomalia para além da assustadora mansidão demonstrada. Isso é razão para recolher um toiro?... Muito confusa anda a nossa Festarola...
Vamos ao que aconteceu.
Rui Fernandes atingiu um plano de maestria e maturidade, de consistência e de segurança, que fazem hoje dele uma das principais figuras do nosso toureio a cavalo, pena só que toureie pouco por cá - este ano até está a tourear mais e ainda bem que o faz, que sempre vai marcando a diferença e abanando a monótona moda do mais do mesmo...
Lidou com suprema elegância e bom gosto, aprumando-se em todos os detalhes, cravando com emoção e rematando as sortes com poderio e temple, o primeiro toiro da tarde, o bravo e premiado exemplar da ganadaria Ribeiro Telles, um toiro que cresceu e muito transmitiu.
Em quarto lugar toureou o toiro de Cunhal Patrício (lide brindada a João Salvação "Ninan", ex-cabo dos forcados do Aposento do Barrete Verde), que não era o que estava apartado para a corrida e que se inutilizou na embolação. O toiro tinha teclas, era exigente e pedia contas. Rui Fernandes deu-lhe as continhas todas, lidou-o com saber e arte, esteve a gosto, desfrutou, está um Senhor Toureiro! Marcou toda a diferença.
João Ribeiro Telles toureou em segundo lugar o toiro de Joaquim Brito Paes, que apenas cumpriu sem a excelência com que o fizeram os irmãos lidados na primeira corrida desta feita. Andou regular o cavaleiro da Torrinha, sem um brilhantismo por aí além.
No quinto toiro, o sério e bem apresentado representante da ganadaria Branco Núncio, um toiro que impôs respeito e transmitia seriedade, esteve João Ribeiro Telles no seu melhor, bregando com acerto, lidando com arte, cravando com destacada emoção, levantando o público das bancadas.
Luis Rouxinol Jr. andou ontem algo aquém dele próprio. Pode ter acusado o cansaço e o stress de haver toureado na véspera na Ilha Graciosa, ter vindo a correr a Alcochete e regressar outra vez à ilha açoreana, onde toureia novamente esta segunda-feira. Pode ter sentido a divisão da quadra de cavalos.
Não quis ver o toiro manso de Lopes Branco, lidou em terceiro lugar o Passanha que deveria tourear em último lugar e começou logo por levar um valente aperto contra as tábuas, limitando-se depois a lidar sem a alegria e a dinâmica que o caracterizam. O toiro, que ganhou merecidamente o prémio de apresentação, foi bravo e apertou, tinha emoção e transmitia a seriedade que marca os momentos de verdade.
Em sexto lugar lidou outro toiro de Passanha, o sobrero, voltando a cumprir apenas. O toiro impôs-se e impôs respeito. Rouxinol esteve acertado, apontou bons ferros e a lide decorreu até com música, mas sem um esplendor por aí além.
Em fim de festa, quase a estragando, o Passanha deu água pela barba aos forcados Amadores de Alcochete, que optaram por o tentar pegar de cernelha com a valorosa dupla Miguel Direito (cernelheiro) e João Ferreira (rabejador). Pese embora a entrega e o esforço dos campinos no seu trabalho, o toiro esteve sempre de olho nos forcados, com um sentido e um poder que anunciaram desde logo que vinha ali uma carga de trabalhos. E assim foi.
Por diversas vezes tiveram a cernelha praticamente consumada, mas acabou sempre por dar para o torto.
Já com algum alvoroço entre tábuas e vários forcados antigos a dar apoio ao grupo, tentou-se a pega de caras, a sesgo, mas nas duas primeiras abordagens o toiro levou todos pela frente, tendo sido a pega consumada à terceira, sendo o já bastante maltratado e visivelmente diminuído Miguel Direito o forcado de cara. É um facto contra o qual me bato há anos. Devia haver lei, regras, que não permitissem que um forcado (ou um toureiro) neste estado fosse outra vez ao palco (arena) enfrentar o toiro.
Verdadeiro herói da tarde, Miguel Direito acabou por consumar a pega na sua terceira tentativa de caras, após várias tentativas para pegar de cernelha, depois de quase meia-hora em praça, tempo demasiado, mas que o director de corrida Ricardo Dias permitiu que assim fosse e se arrastasse, não o critico, antes reconheço a sua condescendência e a sua aficion, o seu estatuto de antigo forcado para deixar a coisa andar até que os valentes forcados de Alcochete salvassem, como salvaram, a honra do seu convento. É preciso, às vezes, haver excepções para depois se confirmarem as regras. Ricardo Dias esteve bem. Melhor dizendo, não se pode dizer que tenha estado mal de todo.
As outras cinco pegas valeram a tarde e reafirmaram a grandeza dos Amadores de Alcochete, grupo onde parece finalmente ultrapassada a tempestade (causada por divergências eternas quando foi empossado o novo cabo) e a cujo seio, felizmente, voltou a bonança - pelo menos evidente com as presenças na trincheira, ao lado do grupo, dos antigos cabos João Pedro Bolota e Nuno Santana, que na última temporada tinham andado meio arredados.
Miguel Direito dedicou, aliás, a pega de cernelha a estes dois antigos cabos e também a Vasco Pinto, que assistia num camarote.
As cinco pegas de caras que antecederam a cernelha foram consumada por Miguel Cruz (à segunda); João Pereira (à primeira); pelo "menino" Pedro Nascimento, outra vez em grande (à primeira, um pegão como o que fizera na sexta-feira!); o cabo António José Cardoso (à segunda) com uma primeira ajuda fabulosa de Gonçalo Catalão, que o acompanhou na volta à arena; e Vitor Marques (à primeira) - a seguir, publicaremos o habitual bloco com todas as fotos das seis pegas, fique por aqui.
Desta vez, assim sim, não foi ignorada a honrosa presença, a presidir à corrida, do aficionado presidente da Câmara Fernando Pinto, tendo-lhe o Grupo de Alcochete dedicado a sua primeira pega, por Miguel Cruz. Um político que defende a tauromaquia sem complexos e honra sempre a tradição taurina da sua vila ribeirinha assistindo às corridas na praça
Uma palavra de apreço e um aplauso às boas intervenções dos seis bandarilheiros que coadjuvaram as lides dos cavaleiros: Hugo Silva e João Santos (equipa de Rui Fernandes), Duarte Alegrete e Diogo Fernandes (João Telles), Ricardo Alves e João Martins (Rouxinol Jr.).
Excelente direcção, como acima referi, do diligente e muito aficionado Ricardo Dias, que esteve ontem assessorado pelo reputado médico veterinário José Luis da Cruz.
E na terça à noite há mais - a terceira e última corrida da importante Feira do Toiro-Toiro. Segue-se na quinta um espectáculo, sempre emotivo, de recortadores. Alcochete viva a sua semana de festa em grande.
Fotos João Silva e M. Alvarenga
| Um "casão" ontem em Alcochete |
Fim-de-semana de triunfos para Moura Caetano, que no sábado é o cabeça de cartaz da Corrida "Farpas" na Nazaré
A celebrar com grande brilhantismo o 20º aniversário da sua alternativa (a primeira concedida após a reinauguração do Campo Pequeno em 2006), João Moura Caetano continua a somar triunfos e a deixar o perfume da sua arte e do temple do seu bom toureio nas praças por onde passa. O último fim-de-semana constituiu mais uma jornada de enorme sucesso para o cavaleiro de Monforte, que caminha a passos largos para se classificar, pelo quarto ano consecutivo, como líder do escalafón da temporada.
Moura Caetano bordou o toureio na corrida de rejoneio de sexta-feira em El Puerto de Santa Maria, onde só não rematou em beleza pelo uso menos feliz do rojão de morte, que o impediu de cortar as orelhas e cruzar em ombros a Porta Grande, como merecia.
No sábado, perante toiros de nota alta da ganadaria de seu pai, Paulo Caetano, deixou a sua marca a norte, na corrida mista em Nave de Haver, só não saindo também em ombros com Paco Velásquez e o matador Manuel Dias Gomes porque, terminada a lide do seu segundo toiro, teve que rumar a Tomar, onde toureou e voltou a triunfar à noite, frente a um exigente toiro da ganadaria Branco Núncio.
João Moura Caetano toureia amanhã, terça-feira, na terceira e última corrida da Feira do Toiro-Toiro em Alcochete e no sábado é o cabeça de cartaz da 14ª Corrida "Farpas" na Nazaré, onde reparte cartel com Marcos Bastinhas e João Telles e os forcados de Montemor e Portalegre, com toiros de Manuel Veiga.
Terminará a temporada com duas corridas significativas: comemorará os 20 anos de alternativa a 4 de Setembro na última corrida do Campo Pequeno (de gala à antiga portuguesa) e a 5 de Outubro fecha a época encerrando-se com seis toiros no Coliseu do Redondo.
Foto M. Alvarenga
Assim triunfou Luis Pimenta no sábado no festival na Terrugem
Os videos falam verdade e não dão espaço a enganos: veja este. Luis Pimenta esteve sensacional no sábado na praça alentejana da Terrugem, onde a empresa Toiros com Arte promoveu um festival a favor das obras que ali foram feitas.
Luis Pimenta toureia de hoje a uma semana, 17 de Agosto, na Monumental de Coruche (Concurso de Ganadarias do Sorraia), ao lado de João Telles e João Salgueiro da Costa, e dos forcados Amadores de Coruche, tendo integrado este cartel por ter sido o triunfador do festival celebrado nesta mesma praça em Maio.
A 18 de Setembro toma a alternativa na sua terra, Almeirim, na tradicional Corrida das Vindimas, apadrinhado por João Salgueiro, com o testemunho de Marcos Bastinhas e dos forcados de Santarém e Chamusca, com toiros da ganadaria Mata-o-Demo.
Video D.R.
Nuno Casquinha na próxima 2ª feira na Feira Torista de Navarra em Tafalla
No ano em que está a celebrar o 15º aniversário da sua alternativa - infelizmente, com notada ausência nas praças do seu país... mas assim vai a nossa Festa! -, o matador vilafranquense Nuno Casquinha vai actuar na próxima segunda-feira 17 de Agosto na praça de toiros de Tafalla, na terceira e última das corridas da anunciada Feira Torista de Navarra, a do Toiro-Toiro (cartaz em baixo).
O valoroso diestro nacional reparte cartel com Imanol Sánchez e Diego García frente a toiros das ganadarias portuguesas Couto de Fornilhos e Santa Teresa.
Imagem e foto D.R.
Agradável festejo da Liga Nacional de Novilhadas ontem na Figueira da Foz
A Figueira da Foz recebeu ontem com entusiasmo a segunda novilhada da Liga Nacional de Novilhadas, um projecto da Federação PróToiro coordenado por Paulo Pessoa de Carvalho, presidente da Associação de Empresários Tauromáquicos.
Foi uma tarde marcada pelo entusiasmo, pela entrega e pela vontade de triunfar dos jovens valores que pisaram a arena da Figueira da Foz.
A Liga Nacional de Novilhadas afirma-se como uma importante iniciativa de promoção e valorização dos novos talentos do toureio a cavalo e a pé, proporcionando oportunidades de crescimento e afirmação às novas gerações e contribuindo, simultaneamente, para a dinamização de praças com forte tradição taurina.
Neste âmbito, a Doses de Bravura, enquanto empresa responsável pela gestão do Coliseu Figueirense, decidiu associar-se à Liga Nacional de Novilhadas, colaborando na realização desta segunda etapa da temporada na Figueira da Foz e reforçando o seu compromisso com a promoção e valorização da tauromaquia e dos jovens valores.
Foram lidados novilhos das ganadarias Eng. Luís Rocha e São Marcos, que deram bom jogo ao longo da tarde, proporcionando condições para uma novilhada dinâmica e com momentos de interesse e emoção.
Na arena actuaram os cavaleiros Mariana Avó e Nelson Lavajo, bem como os novilheiros António Grilo “Toninho”, Vicente Sánchez e Martim Velázquez, numa tarde marcada pela entrega, pela vontade e pela ambição dos jovens intervenientes.
Também os forcados Académicos de Coimbra marcaram presença na arena, concretizando duas pegas, ambas à segunda tentativa, contribuindo para o ambiente e para a dinâmica do espetáculo.
Mais do que procurar apontar vencedores ou triunfadores, a tarde vivida no Coliseu Figueirense foi, acima de tudo, uma celebração da Festa e da nova geração do toureio.
O público acompanhou os intervenientes com entusiasmo e apoio constante, proporcionando um ambiente de grande aficion ao longo de toda a tarde.
Este domingo, na Figueira da Foz, quem triunfou foi a Festa, num espectáculo que cumpriu o propósito da Liga Nacional de Novilhadas de dar palco e oportunidade aos jovens
valores e de aproximar o público das novas gerações da tauromaquia.
A Liga Nacional de Novilhadas prossegue agora a sua temporada, com a próxima etapa agendada para esta sexta-feira, 14 de Agosto, em São Romão (cartaz em baixo).
Fotos D.R./@Liga Nacional de Novilhadas
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| O cavaleiro nortenho Nelson Lavajo - rumo à alternativa |
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| Mais um passo em frente de Mariana Avó |
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| Pegas estiveram a cargo dos Académicos de Coimbra |
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| "Toninho" |
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| Vicente Sánchez |
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| Martim Velásquez |
Rodrigo Lousa ovacionado em novilhada da Liga Internacional de Escolas Taurina
O promissor novilheiro Rodrigo Lousa, aluno da Escola de Toureio "José Falcão" de Vila Franca, foi ovacionado este sábado em Miraflores de la Sierra (Madrid), numa classe prática do projecto Liga Internacional de Escolas Taurinas, em que se lidaram cinco novilhos da ganadaria San Román.
O toureiro luso repartiu cartel com Manolo Martínez (ovação), Alonso Mateo (ovação), Juan Morales (que cortou a única orelha) e Mário García (ovação).
Foto D.R.
Alcochete: Miguel Direito, o Herói da tarde
| Miguel Direito... parecia ele que vinha de Alcácer-Quibir! |
Os toiros de Passanha (prémio apresentação) e David R. Telles (prémio bravura) foram ontem os vencedores do tradicional Concurso de Ganadarias que encheu por completo a carismática praça de Alcochete nesta que foi a segunda corrida da Feira do Toiro-Toiro. O júri era constituído pelos seis ganadeiros e a decisão não criou qualquer celeuma entre o público. Ouviram-se aplausos, nem um único assobio de protesto.
Lidaram-se, por esta ordem, toiros de David R. Telles, Joaquim Brito Paes, Passanha (era o sexto da ordem e entrou em vez do de Lopes Branco, devolvido aos currais porque... era manso! Onde é que já se viu isto?...), Cunhal Patrício (entrou no concurso, mas não era o toiro inicialmente anunciado, esse inutilizou-se na embolarão e foram buscar um substituto à ganadaria), Branco Núncio e um sobrero de Passanha (a substituir o recolhido de Lopes Branco).
Na foto de baixo, os ganadeiros Diogo Passanha e João R. Telles exibindo os troféus - que foram entregues pelo presidente da Câmara Fernando Pinto e pela vereadora Fátima Soares.
Com uma grande enchente (um "casão", fruto do bom trabalho da jovem empresa Toiros & Tauromaquia e da bem montada e superiormente rematada feira) e um ambiente de luxo na praça, a corrida viu-se, mas foi meio sonsa e demorada (começou às 18h30, meia hora mais tarde do que fora anunciada, dizem que assim haveria menos calor...) e teve pouca história. Melhor dizendo, soube a pouco...
Rui Fernandes - primeiro com o toiro de Ribeiro Telles vencedor do prémio de melhor bravura, depois com o de Cunhal Patrício - foi, dos três, aquele que mais se destacou, com duas lides de muita técnica e maestria que chegaram ao público e o entusiasmaram.
João Ribeiro Telles esteve apenas regular com o toiro de Joaquim Brito Paes e obteve depois um triunfo mais forte no quinto, de Branco Núncio.
Luis Rouxinol Jr. andou para a frente e para trás e não chegou a cravar um ferro no toiro de Lopes Branco, que era manso perdido, mas os mansos também se lidam. O director de corrida Ricardo Dias e o veterinário José Luis da Cruz mandaram recolher o toiro... porquê? Porque era manso?... Alguma vez se viu uma coisa assim? Os mansos também se toureiam, meus senhores!
Rouxinol Jr. esteve (ou não chegou a estar) irregular com o toiro de Passanha, que era o seu segundo e ganhou o prémio de apresentação, um toiro espectacular que esteve muito por cima do cavaleiro. Em último lugar lidou o sobrero, que também era de Passanha, com o qual não chegou a cantar... Rouxinol Jr. é, todos o reconhecemos, muitíssimo melhor do que foi ontem em Alcochete. Há dias assim...
Na sua habitual encerrona, como sempre, tarde triunfal (mas sem facilidades, complicada, dura) para os valentes forcados Amadores de Alcochete.
Pegas a cargo de Miguel Cruz (à segunda); João Pereira (à primeira); outra vez Pedro Nascimento (um pegão ao primeiro intento, não tenho dúvidas em desde já aclamar este pequeno-grande forcado como a grande revelação destra temporada!); o cabo António José Cardoso (à segunda, com uma enorme primeira-ajuda de Gonçalo Catalão, que também deu volta à arena); e Vitor Marques (à primeira).
O último toiro, o sobrero de Passanha, que estava praticamente inteiro, com um poder enorme e um sentido brutal, foi tentado pegar de cernelha por várias vezes pela dupla Miguel Direito (cernelheiro) e João Ferreira (rabejador). Condescendente e a demonstrar respeito e aficion, o respeitável director de corrida Ricardo Dias (também ele antigo forcado) deixou a coisa andar sem mandar recolher o toiro, apesar de aquela "batalha" ter durado quase meia hora...
Por fim, o grupo optou pela pega de caras, a sesgo, com Miguel Direito já bastante diminuído a consumar a pega à terceira - nas condições em que ele estava devia ser proibido mandar um forcado para a cara de um toiro, estou cansado de escrever isso!
Na primeira tentativa, o toiro atirou tudo ao ar. Na segunda, igual e à terceira fez-se a pega. No final, quando Rouxinol dava a volta (e porque a dava?...), Miguel Direito entrou na arena, parecia ele que vinha de Alcácer-Quibir, todo rasgado (foto de cima), e a praça explodiu numa calorosa ovação. Estava eleito o Herói da tarde!
Ao longo do dia desta segunda-feira, não perca a detalhada análise de Miguel Alvarenga, as fotos das seis pegas e os melhores momentos das lides dos três cavaleiros. Vamos ter um dia em cheio!
Fotos M. Alvarenga
| Os ganadeiros vencedores: Diogo Passanha (apresentação) e João Ribeiro Telles (bravura) |
| Outra vez um pegão de Pedro Nascimento, forcado revelação desta temporada |
| Rui Fernandes: duas lides de maestria e experiência |
| João Telles espectacular no seu segundo toiro, de Branco Núncio |
| Rouxinol Jr. não toureou o toiro de Lopes Branco... que era manso. Lidou dois Passanhas, mas ontem não cantou de galo... |
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