segunda-feira, 28 de setembro de 2026
As 7 pegas da corrida de sábado em Paio Pires
Miguel Alvarenga - Reza a história da emblemática ganadaria de Pedro Canas Vigouroux que estes toiros não são fáceis, pelo contrário, costumam "ser brutos" (e os "brancos" ainda mais!), exigentes, com teclas e a pedir contas a quem os toureia e a quem os tenta pegar.
Cumprindo a sua tradição histórica, os seis toiros jaboneros de Canas Vigouroux lidados esta sábado na praça de Paio Pires, na corrida de gala à antiga portuguesa comemorativa dos 50 anos da sua inauguração, deram alguma água pela barba aos forcados dos grupos das Caldas da Rainha, de Monsaraz e do Ramo Grande (estes vindos da Ilha Terceira mesmo em cima da hora, porque houve problemas com o avião em que estavam para vir na sexta-feira).
Dignos e a defenderam com toda a bravura a honra das suas jaquetas, os três grupos denotaram, contudo, alguma falta de rodagem (entenda-se: falta de corridas), sendo de aplaudir a coragem que tiverem, nesse contexto, ao aceitar este duro desafio de estar em Paio Pires a enfrentar os temidos toiros de Canas Vigouroux.
O primeiro toiro era bravo, mas tinha pouca força. António Casimiro, dos Amadores das Caldas, só o pegou à terceira tentativa, falhando as duas primeiras por não ter estado bem na cara do toiro. À terceira, consumou por fim com extraordinária intervenção do primeiro-ajuda, que foi, afinal, quem pegou o toiro e por isso merecia ter dado ele volta à arena. Brindou aos dinâmicos organizadores das corridas nesta praça, António José Casaca e Nelson Lopes.
André Claudino, do Grupo de Monsaraz, pegou também à terceira tentativa o segundo toiro da tarde, um toiro poderoso e com raça. Nas duas primeiras intervenções e apesar da sempre pronta actuação do primeiro-ajuda, nunca se fechou bem de braços. À terceira foi de vez, de novo com decisiva intervenção do primeiro-ajuda e de todos os outros companheiros. Nas duas pegas, esteve bem a ajudar todo o grupo.
Gonçalo Batista, dos forcados açoreanos do Ramo Grande (Praia da Vitória, Ilha Terceira) saltou à arena para pegar o terceiro toiro da corrida, animal com pata como os anteriores, mas sem complicar em demasia. Derrotado na primeira tentativa, consumou com brio à segunda e com excelentes ajudas de todos os companheiros.
António Proa, jovem forcado dos Amadores das Caldas que já dera nas vistas na temporada passada e se está a revelar nesta como um poderoso, com raça e com técnica, pegou o quarto toiro à segunda tentativa com muito brio e aplaudido valor. Brindou a pega a Duarte Mira, o novo cabo dos Forcados de Lisboa, que assistia à corrida numa barreira. Na primeira tentativa, pecou por "estender os braços" ao toiro (tocar piano, como se dia na geria) e sofreu um derrote lateral que o tirou de cena. Na segunda, fechou-se com decisão, consumando a melhor pega até ao momento.
João Ramalho, dos Amadores de Monsaraz, faria a seguir a primeira e única pega à primeira das seis que foram feitas, com um total de doze tentativas, aos toiros "brancos" de Canas Vigouroux. Bem a recuar e a mandar na investida, fechou-se com decisão e o grupo esteve muito bem, uma vez mais, a ajudar. Acabou por ser esta a pega da tarde. O forcado brindou aos dois organizadores António J. Casaca e Nelson Lopes.
A sexta e última pega aos "Canas" esteve a cargo de Rui Dinis, o cabo do Grupo do Ramo Grande, que também brindou aos dois membros do Departamento Taurino responsáveis pela promoção das corridas de toiros nesta praça. Derrotado com violência na primeira tentativa, saíu a queixar-se de um ombro, foi "reanimado" junto às tábuas pelo antigo cabo Manuel Pires e acabou por consumar a pega na sua segunda intervenção, com raça e com valor e com o grupo a ajudar coeso e em força.
Em sétimo lugar foi lidado (e bem, como já ontem aqui tive a oportunidade de sublinhar) pelo cavaleiro amador João Gregório de Oliveira um novilho-toiro da ganadaria Lopes Branco, de nota alta, que substituiu o que estava anunciado de Francisco Gregório de Oliveira (avô do jovem cavaleiro).
O normal seria o Grupo das Caldas repartir esta sétima pega com elementos dos dois outros grupos, mas assim não o entendeu o cabo Duarte Manoel, sendo a formação completa integrada por forcados do seu grupo. Na cara, sem dificuldades de maior, esteve Bernardo Seia, que pegou à primeira tentativa.
Fique agora com as imagens das sequências das sete pegas de Paio Pires.
Fotos M. Alvarenga
| António Casimiro (Caldas) na primeira pega da tarde, à terceira |
| André Claudino (Monsaraz) pegou também à terceira o segundo toiro da tarde |
| Terceira pega consumada à segunda por Gonçalo Batista, do grupo açoreano do Ramo Grande (Praia da Vitória, Ilha Terceira) |
| Rija pega de António Proa (Caldas), à segunda tentativa, ao quarto "Canas" da corrida, brindada a Duarte Mira, novo cabo do GFA de Lisboa |
| A pega da tarde: João Ramalho (Monsaraz) à primeira, com o maior toiro da corrida... 620 quilos! |
| Rui Dinis, cabo do Ramo Grande, pegou à segunda o sexto e último toiro "branco" de Canas Vigouroux |
| Novilho de Lopes Branco foi pegado à primeira por Bernardo Seia (Caldas da Rainha) |


