segunda-feira, 27 de abril de 2026

Ontem, domingo: 18.705 leram o "Farpas"!

 

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Os Fernandes e Ventura: "cartel de Lisboa" arrasa em Alcácer!

Quiseram deitar esta corrida abaixo... mas os seus organizadores não descansaram um minuto, ninguém baixou os braços. E o público aficionado disse "Presente!", esgotando a lotação da praça. Alcácer precisou de todos. E todos estiveram lá. A corrida de hoje foi o Triunfo da Vontade.

Envolta em grande polémica nas semanas que a antecederam, chegando mesmo a correr perigo por obra e (des)graça de uma muito apregoada providência cautelar (desfeita em cima da hora por intervenção do empresário António Nunes), apesar de se tratar de uma corrida solidária e de beneficência em favor do movimento "Reerguer Alcácer", a corrida desta tarde na praça que tem o nome de Mestre João Branco Núncio foi um sucesso a todos os títulos, esgotou a lotação, conseguiu angariar uma receita de mais de 40 mil euros (41.613,10€) para o fim a que se destinava e artisticamente foi um êxito memorável, havendo que destacar os triunfos verdadeiramente estrondosos de Rui Fernandes, de Diego Ventura e de Duarte Fernandes - precisamente os componentes do cartel da corrida de 6 de Agosto no Campo Pequeno, segunda da temporada lisboeta, em que toma a alternativa o sobrinho de Rui Fernandes.

Lidaram-se toiros de distintas ganadarias e houve ainda a registar notáveis actuações de Gilberto Filipe, de Filipe Gonçalves e de João Ribeiro Telles.

Rijas pegas dos forcados de Montemor e de Lisboa, algumas mais complicadas que outras, mas felizmente sem feridos a registar.

Uma promoção louvável do empresário José Maria Charraz - que é de toda a justiça louvar e enaltecer. A ideia foi de Rui Fernandes e de Diego Ventura, Charraz agarrou nela, deitou mãos à obra e o resultado, bem revelador do espírito solidário que sempre foi apanágio dos homens da tauromaquia, é um dos momento altos, até agora, da presente temporada.

Fotos Pedro Gomes/"Farpas", João Silva e D.R./@Diego Ventura



Rui Fernandes, Diego Ventura e Duarte Fernandes: o "cartel
de Lisboa" marcou a tarde em Alcácer

domingo, 26 de abril de 2026

Sem gravidade: João Pedro "Açoriano" sofre aparatosa colhida em Las Ventas

O valoroso bandarilheiro João Pedro Silva "Açoriano" (foto), da Ilha Terceira, sofreu esta tarde uma aparatosa e perigosa colhida em Las Ventas quando bandarilhava o terceiro toiro da corrida, da ganadaria Palha, às ordens do matador espanhol Luis Gerpe - que, por ironia do destino, viria a sofrer no último toiro uma cornada na região parietal direita e um traumatismo no hemitórax, bem como um "puntazo" que causa hematoma na coxa direita, estando internado na Clínica La Fraternidad, em Madrid, para fazer exames radiológicos.

Neste que era o sexto festejo da temporada na Monumental de Madrid, o bandarilheiro João Pedro Silva foi colhido, segundo refere o site "Aplausos", "depois de deixar um importante par de bandarilhas ao terceiro toiro de Palha". Nada sofreu, felizmente, e voltou à arena para lidar com eficácia o sexto toiro da tarde, administrando os capotazos justos para o tércio de bandarilhas, "um trabalho discreto e eficaz que redondeou uma actuação notável" do toureiro dos Açores, refere o site "Aplausos", numa arena "onde se tem 'desmonterado' em cada uma das suas actuações durante estas últimas temporadas, sempre frente a toiros das denominadas ganadarias 'toristas'".

Na corrida desta tarde em Madrid lidaram-se cinco toiros de Palha (que ficaram algo aquém do que se esperava) e um de Couto de Fornilhos (o quinto), bem apresentados, tendo sido este o de melhor presença e maior volume.

Sánchez Vara foi ovacionado no primeiro toiro e silenciado no quarto; Francisco José Espada escutou ovações nos dois toiros; e Luis Gerpe, silenciado no seu primeiro, foi ferido pelo último, recolhendo à enfermaria e depois à Clínica La Freternidad, onde está internado para exames.

A Monumental de Las Ventas registou uma entrada de 12.129 espectadores.

Fotos Plaza 1 e "Aplausos"

João Pedro Silva (segundo a contar da direita) ao lado de Luis
Gerpe, com a equipa do matador, antes da corrida


Momento da colhida do bandarilheiro da Ilha Terceira

João Pedro lidando o sexto toiro, com um penso na cara depois
de ter sido atendido na enfermaria 

Sánchez Vara
Francisco José Espada


Luis Gerpe foi colhido pelo sexto toiro, da ganadaria Palha

Mérida: única orelha da tarde para Tomás Bastos

Tomás Bastos cortou a única orelha da tarde hoje na novilhada da Feira de Primavera em Mérida. O valoroso novilheiro vilafranquense foi ovacionado no primeiro novilho e cortou ao quarto uma orelha - o único troféu atribuído hoje em Mérida.

Os novilhos pertenciam à ganadaria lusa de Couto de Fornilhos, que sairam bem apresentados e sérios, mas "desluzidos" na maioria.

Carlos Tirado, o novilheiro de Huelva, foi ovacionado nos dois novilhos, escutando dois avisos no segundo do seu lote; e Julio Méndez escutou ovação nos dois.

A praça registou uma entrada fraca de um quarto.

Fotos Toiros La Merced/María Rosa Quintero

Sobral: Esaú Fernández e um novilho "de bandeira" de Varela Crujo

Miguel Alvarenga - Este festival taurino que José Luis Gomes organiza há vários anos em Sobral de Monte Agraço, a favor da Tertúlia Tauromáquica Sobralense, sempre no dia 25 de Abril, sem ter propriamente qualquer razão directa com essa data, é, este sim, um verdadeiro festival misto, com igual número de cavaleiros e de espadas (normalmente dois matadores e um novilheiro, dando-se assim oportunidade a um novo, como ontem e nos últimos anos aconteceu) e não "uma pouca vergonha" como os festivais que a APET aconselhou os seus associados a promoverem, chamando-lhes "mistos", mas enfiando um matador, estilo esmola aos pobres (ao toureio a pé), no meio da santa cavalaria...

Ontem tourearam o matador espanhol Esaú Fernández e o português Manuel Dias Gomes e o novilheiro praticante João Fernandes, aluno do matador António João Ferreira (que o acompanhava) na muito produtiva Escola de Vila Franca, vencedor na última temporada do troféu "Orelha de Ouro" na Nazaré. E que aconselho vivamente a que vão ver quando se anunciar, porque vale a pena - e tem futuro. 

Esaú Fernández é um dos mais interessantes matadores de toiros da nova vaga em Espanha. Tem 36 anos, nasceu em Camas, Sevilha, onde um dia nasceu também o Niño Sábio do toureio, o saudoso Paco Camino, e tem já um historial de destaque, sendo no momento um dos toureiros "especialistas em Miuras" e outras ganadarias duras... daquelas de que as Figuras fogem... e ele "traga". Porque tem valor para isso.

Apresentou-se de luces em Jaén em 28 de Maio de 2005 e cortou logo três orelhas nessa estreia. Depois debutou com picadores em Las Matas (Madrid) a 1 de Maio de 2009, apresentou-se em Las Ventas (Madrid) a 21 de Março de 2010 e tomou a alternativa em Sevilha em 3 de Maio de 2011 apadrinhado por Morante de la Puebla, com o testemunho de "El Cid", cortando duas orelhas e saindo em ombros pela porta principal. Confirmou a alternativa em Madrid a 11 de Maio de 2012 com Uceda Leal como padrinho e David Mora a testemunhar. Como podem atestar, não é um toureiro qualquer...

A sua relação de amizade com Manuel Dias Gomes terá pesado na escolha do empresário José Luis Gomes para que ontem o tivesse trazido ao Sobral, mas digamos que a razão maior está no historial do matador sevilhano e na certeza de que não viria, como alguns vêm, defraudar o público lusitano.

Esaú só tinha toureado uma vez em Portugal, foi em Agosto de 2024 numa das corridas de morte em Barrancos, onde alternou precisamente com Manuel Dias Gomes. Ontem estava pela vez primeira num festejo formal, ainda que sendo um festival, em Portugal. Com ele e a sua equipa veio Gregório de Jesus, seu apoderado, antigo matador de toiros que foi a testemunha da alternativa de matador de toiros do nosso Paco Duarte.

E ainda bem que Esaú veio - porque teve a sorte de lhe ter tocado um novilho de bandeira, verdadeiramente excepcional, da triunfadora ganadaria Varela Crujo, ao qual desenhou uma artística e muito inspirada faena de muleta, depois de ter preenchido com bonitas verónicas e chicuelinas o tércio de capote, a que Dias Gomes respondeu também com três cingidas chicuelinas.

Com a muleta, Esaú Fernández entendeu que tinha pela frente importante matéria prima para marcar com um êxito esta sua apresentação em Portugal e recebeu o novilho com uma bonita série de derechazos de joelhos em terra, seguindo depois para a realização de uma faena profunda, completa, com um novilho que não acabava mais.

Sensível e aficionado, o director Ricardo Dias honrou o novilho com volta à arena antes de ser recolhido e o público aplaudiu de pé a bravura e a raça do fantástico exemplar de Varela Crujo - que no final voltou para o campo, indultado pelo ilustre ganadeiro António Manuel da Cruz e Crujo Fialho Afonso, que confessou ao "Farpas" a sua satisfação pelo comportamento do animal e, sobretudo, pelo momento extraordinário que a ganadaria atravessa. Seu filho Bernardo foi também autorizado pelo director a acompanhar Esaú Fernández nas duas muito aplaudidas voltas que este deu à arena (foto em cima). Quando o toiro era recolhido, Esaú saíu à arena e aplaudiu-o também nos médios, saudando o ganadeiro que se encontrava na bancada.

A qualidade fantástica do novilho e a maestria com que Esaú Fernández o toureou tornaram este momento o mais importante da lide a pé que preencheu a segunda parte do festival, mas há que destacar também a muito artística faena de Manuel Dias Gomes e a raça com que se revelou o jovem novilheiro João Fernandes, promissor toureiro de rara intuição, que não deixa dúvidas a ninguém de que vai ser e fazer história nesta arte que escolheu.

Eram também novilhos de nota alta os que Dias Gomes e João Fernandes enfrentaram em quinto e sexto lugar, ambos pertencentes também à ganadaria Varela Crujo.

Manuel Duas Gomes, ainda e sempre "o mais sevilhano dos toureiros lusitanos", preencheu um tércio de capote marcado pela arte e o bom gosto usuais, iniciando com bonitas verónicas de joelhos em terra e depois arrimadas chicuelinas, a que João Fernandes respondeu com uma aplaudida intervenção.

Com a muleta, Manuel Dias Gomes abriu o livro e encantou-nos com o temple e o poderio com que sempre toureia, aproveitando a boa qualidade do novilho e pondo em prática a sua forma de sentir e interpretar a arte que herdou de seu Avô, o saudoso Augusto Gomes Júnior, segundo matador de toiros de Portugal e primeiro novilheiro a tourear trajado de luces em Espanha.

Manuel é um clássico, uma referência, o mais cotado dos matadores de toiros portugueses da actualidade. Já triunfara forte em Portalegre, num dos tais festivais "entalado" entre a cavalaria. Ontem voltou a triunfar nesta que é, há já alguns anos, uma das suas praças talismã.

O jovem João Fernandes é actualmente uma das mais destacadas estrelas da muito produtiva Escola de Toureio "José Falcão" de Vila Franca de Xira e ontem deixou bem patente, ao lado de duas figuras, que é possuidor de uma raça e de uma fibra que prometem ajudá-lo a chegar longe. Se a sorte o ajudar, não vai ser apenas mais um, nem será uma daquelas "grandes promessas" que depois, infelizmente, acabam por ficar pelo caminho. João Fernandes tem qualquer coisa dentro que vai fazer dele um toureiro com importância.

Recebeu o novilho com uma larga afarolada de joelhos e seguiu com bem desenhadas verónicas, para depois demonstrar na faena de muleta que tem (muitas) pernas para andar. Esteve artista e esteve mandão. Vê-se que é um principiante... cheio de princípios. Nunca o tinha visto tourear. Foi uma muito agradável surpresa descobrir este jovem toureiro. Força, João!

Esaú Fernández brindou a sua faena a Manuel Dias Gomes; Manuel Dias Gomes brindou a sua a Madalena Cruz, provedora da Santa Casa da Misericórdia; e João Fernandes brindou ao público a sua arte.

Destaco também neste bloco de reportagem, em baixo, os brilhantes pares de bandarilhas de Duarte SilvaMiguel MaltinhaFilipe GravitoSérgio NunesRui Ferreira e ainda de um bandarilheiro espanhol (no último novilho).

Fotos M. Alvarenga

Manuel Dias Gomes e Esaú Fernández
João Fernandes e o seu mestre António João Ferreira


Bonito tércio de capote de Esaú Fernández...

... a que Manuel Dias Gomes "respondeu" com esta arte!

Brinde de Esaú Fernández a Manuel Dias Gomes










Uma faena "sem fim" a um novilho de sonho de Varela Crujo




Arte e templo nas chicuelinas e verónicas de Dias Gomes...


... a que João Fernandes "respondeu" com este vistoso quite

Brinde de Dias Gomes à provedora Madalena Cruz













Manuel Dias Gomes: faena brilhante "de duas orelhas"!





















João Fernandes "tem qualquer coisa" de especial!
Sérgio Nunes
Filipe Gravito

Duarte Silva
Miguel Maltinha
Rui Ferreira