João Moura Jr., o líder incontestado do pelotão de cavaleiros tauromáquicos nacionais, terminou a sua campanha sendo proclamado no último sábado, pelo quarto ano consecutivo, como triunfador máximo da temporada na importante Monumental de Santarém. Somou um festival e doze corridas, oito no continente, três nos Açores (Ilha Terceira) e uma em França (Mejanes). Agora chegou a ver de falar o apoderado. Nesta entrevista ao “Farpas”, Francisco Mendonça Mira faz um balanço da temporada do seu cavaleiro, analisa pormenores relevantes da campanha, confessa que os desafios “foram escolhidos a dedo e estudados ao pormenor” e abre um pouco o livro sobre o que vai ser a próxima época de 2027, em que João Moura Jr. comemora vinte anos de alternativa.
Entrevista de Miguel Alvarenga
- Que balanço faz da temporada de 2026 do João Moura Jr.?
- Foi uma temporada muito especial, à imagem da anterior, com desafios importantes, escolhidos a dedo e estudados ao pormenor. Houve uma estratégia bem definida na escolha das praças, das datas e dos cartéis.
Foram doze corridas e um festival, com compromissos de grande responsabilidade. Dentro dessas doze corridas, tivemos quatro mano-a-manos, estivemos nas três corridas das Sanjoaninas na Ilha Terceira e fizemos uma passagem por França. Marcámos presença duas vezes em Santarém, Portalegre e Vila Franca, onde encerrámos a temporada. Cada compromisso tinha um objectivo e foi escolhido pelo peso da praça, pela importância da data e pelo desafio do cartel.
Depois, houve o festival de Sevilha, com um significado muito especial. O João teve o privilégio de participar na despedida do seu pai daquela arena. Foi um dos momentos mais emotivos da temporada, pelo que o seu pai representa para ele e para a História da Tauromaquia.
- Qual foi, para si, o momento ou a lide mais triunfal da temporada?
- Felizmente, foram vários. Em todas as corridas houve momentos que marcaram muito o público. Destacaria, antes de mais, as praças cheias ou esgotadas onde o João actuou, porque essa resposta do público tem um significado enorme para nós.
Se tiver de escolher uma lide, guardo com especial emoção a do Colete Encarnado, em Vila Franca, frente a um bravo toiro da Condessa do Sobral. Não se pode tourear com mais verdade. E ver um público tão exigente como o da “Palha Blanco” entregar-se por completo tornou aquele momento ainda mais especial. Na minha opinião, foi a lide da temporada.
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| Vila Franca, Colete Encarnado - um ferro incrível! |
- Uma das características desta temporada foi a gestão das presenças e dos cartéis. O que procuraram com essa estratégia?
- Em Portugal continental, toureámos apenas uma corrida por mês e não repetimos confrontos com os competidores directos do João, com uma única excepção, João Salgueiro, em Vila Franca. Este foi um dos pontos mais importantes da temporada e uma opção inteiramente consciente.
Queríamos criar expectativa em torno de cada atuação. Dar espaço entre corridas, apresentar confrontos diferentes e fazer com que cada presença do João tivesse um interesse próprio. Entendemos que essa gestão também faz parte do trabalho de valorizar um toureiro. Escolher quando, onde e com quem aparece, contribui para que o público tenha sempre vontade de o voltar a ver.
-Essa escolha de compromissos também se reflectiu na exigência dos curros lidados?
- O João continua a exigir de si próprio o máximo, e isso está bem patente nos curros que lidou. Numa temporada de poucas corridas, lidar sete toiros de Veiga Teixeira demonstra bem o grau de exigência e de responsabilidade que assumiu.
A ambição de se superar e o compromisso com cada praça e com cada aficion têm sido uma constante. E esse compromisso voltou a ser reconhecido em Santarém, onde recebeu, pelo quarto ano consecutivo, o prémio de triunfador da temporada. Uma distinção que nos orgulha e que acrescenta responsabilidade para o futuro.
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| Foto da equipa na última corrida em V. Franca Foto Miguel Calçada |
- Em 2027, o João comemora 20 anos de alternativa. O que pode adiantar sobre essa temporada?
- Estamos já a delinear e a trabalhar essa temporada com a máxima ilusão. Depois de dois anos em que conseguimos desenhar temporadas diferentes, com desafios muito próprios, encontrar novas ideias e voltar a elevar a fasquia é também um desafio para nós.
O que podemos desde já desvendar é que queremos voltar a fazer poucas corridas em Portugal. Sentimos que essa gestão das presenças tem sido uma das chaves do sucesso, porque cria expectativa, valoriza cada actuação e dá-nos outra margem de negociação. Permite-nos também construir compromissos com as empresas, com tempo e objectivos bem definidos. Esse trabalho faz parte do cuidado que colocamos na estratégia e na escolha de cada corrida.
Já temos algumas ideias inovadoras para 2027 e houve também já aproximações de empresas, o que nos deixa satisfeitos. É um sinal de que reconhecem o valor do João e a importância da sua presença nos seus cartéis.
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| Nas Sanjoaninas (Ilha Terceira), onde este ano toureou nas três corridas |
- E as Sanjoaninas, feira da Ilha Terceira, onde o João é um verdadeiro ídolo, que lugar poderão ter nessa temporada tão especial?
- A Monumental de Angra do Heroísmo é uma praça fundamental na carreira do João, sobretudo nos últimos anos. Tem sido uma presença constante na ilha Terceira, onde temos feito história com uma encerrona, um mano-a-mano, o pleno das corridas e praças esgotadas. Acima de tudo, tem havido um compromisso máximo do João com aquela aficion, ano após ano.
Para 2027, temos de analisar com muito cuidado se voltar a estar presente será benéfico para o João e para a própria feira. A vontade de regressar existe, até pela ligação tão especial que temos à Terceira, mas também sentimos a responsabilidade de gerir bem a sua presença. Temos uma relação muito boa com a empresa e será uma reflexão que faremos em conjunto, com abertura e confiança, para percebermos o que faz mais sentido para ambas as partes.
- Há outras praças onde gostariam certamente de assinalar esses 20 anos de alternativa?
- Naturalmente, há praças onde gostaríamos de estar, algumas onde temos marcado presença todos os anos e outras onde o João já não toureia há bastante tempo. Sem precisar de as enumerar, temos algumas praças e datas em mente que gostaríamos de integrar numa temporada com um significado tão especial.
Sabemos, contudo, que as limitações de algumas praças poderão dificultar o entendimento com as respectivas empresas. Não está em causa a relação profissional entre empresas e apoderado, mas a possibilidade de conciliar a realidade de cada praça com os valores que o João tem vindo a alcançar nos últimos anos.
Essa valorização resulta de muito trabalho, de uma estratégia cuidada e, sobretudo, da entrega e do compromisso do João com o triunfo. Temos vontade de encontrar soluções, com respeito pelo esforço das empresas, mas cabe-nos também preservar aquilo que tanto trabalho deu a construir. É com esse equilíbrio que estamos a preparar uma temporada tão especial.
Fotos D.R./@João Moura Jr. e Miguel Calçada
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| Santarém, 10 de Junho - praça cheia |
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| Em Reguengos, no mano-a-mano com Rui Fernandes |
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| Alcochete, no mano-a-mano com Francisco Palha |
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| Portalegre - mano-a-mano com seu irmão Miguel |
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| 4 de Outubro em Sevilha - na despedida de seu pai da Real Maestranza |

















