Miguel Alvarenga - Sou distraído demais... Sabia que este ano cumpro 50 anos de Jornalismo e que "O Diabo", onde comecei (apesar de antes já ter publicado textos e crónicas nos jornais "Cidade de Tomar", dirigido pelo meu saudoso primo Gonçalo Macedo; no jornal "A Presença" do Padre Jorge Lereno; e de João Queiroz ter publicado a minha primeira crónica taurina, salvo erro em 1973, na revista "Broncas & Olés", antecessora da "Novo Burladero"), mas não me lembrava ao certo do dia...
Foi o meu querido e "velho" amigo Pombeiro (a recuperar, graças a Deus, de mais uma "cornada" difícil de saúde... de que vai sair em ombros e em glória!) quem ontem me telefonou ao fim do dia a dizer que estava escrito pelo nosso amigo Teixeira (o rei das efemérides) que eu fazia meio século de jornalismo... precisamente ontem!
Ia jantar com a minha filha Maria Ana - e fui (foto de cima). Olhem, festejei com ela o meu aniversário jornalístico num belo jantar no Restaurante "Oh Hipólito", na Avenida de Berna (Lisboa), que existe, imaginem, desde 1947. Não ia lá há "milhões de anos"... antigamente, era miúdo, antes das touradas do Campo Pequeno, ia lá muitas vezes jantar com o meu Pai e o meu irmão Nuno. Adorei voltar, comemos muito bem e os preços são normais. Voltarei!
Lembrei-me destes 50 anos. Do que aprendi com dois grandes mestres, Vera Lagoa e Manuel Maria Múrias n'"A Rua", com o Zé Manuel Teixeira, o António Maria Zorro, o Carlos Martinho Simões, tantos! Fui em "A Rua" Chefe de Redacção de um punhado de grandes jornalistas, lembro-me particularmente de António Lopes Ribeiro, uma pessoa fantástica e um repórter à antiga, todos se lembram dele como apresentador do "Museu do Cinema" na RTP com o maestro António Melo ("boa nôte!").
Vivi tempos formidáveis nestes dois grandes jornais, num tempo em que não era fácil ser jornalista de um jornal destes. Acho que fomos todos uns grandes Heróis, a começar pela minha querida Maria Armanda (Vera Lagoa) e pelo meu querido Manuel Múrias. Foram 50 anos fantásticos, que depois viraram para os toiros, que passaram por "O Crime", de que fui director muitos anos, por "O Título" com o meu querido Fernando Alegrete, por tantas outras aventuras.
Recordo as investigações (bem atribuladas) de Camarate com Augusto Cid e o Nuno Rogeiro nos tempos de "O Diabo", as muitas reportagens com os arrependidos das "FP-25 de Abril", as ameaças de morte que recebi (e Vera Lagoa) dessa organização terrorista, os tempos de luta gloriosa no ELP, quando batemos os pés e partimos as portas dos comunistas (e partimos também muitos deles...), os tempos heróicos do Liceu D. Leonor, enfim, uma vida.
50 anos são uma vida. Espero viver outros tantos. Agradeço a Deus, à minha Família, a Vera Lagoa e Manuel Múrias tudo o que me ensinaram. Espero nunca os desiludir. Sou como sou, foram 50 anos de Jornalismo "à minha maneira"! Contando verdades, desmascarando a mentira. Até estive preso... e orgulho-me muito disso! Fui o segundo jornalista, depois de Manuel Múrias, a cumprir pena de prisão por "crime" de "abuso" de liberdade de imprensa depois do maldito 25 de Abril... Obrigado a todos os que estiveram a meu lado ou por perto nestes 50 anos. Valeu a pena. Tanto, que não me importo nada de cumprir outros 50! Venham eles! Sem medo!
Foto D.R.
PS - Odeio estas modernices e se pudesse acaba com elas, nem que fosse outra vez "à bomba"!, mas pedi a essa coisa chamada Inteligência Artificial que fizesse uma caricatura minha e saíu a que reproduzo lá em cima. Obrigadinho!



