segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Novilhada "Orelha de Ouro": futuro da tauromaquia entusiasmou aficionados na Nazaré



Fernando José (texto e fotos) - Depois do sucesso do ano anterior, grande expectativa rodeava esta Novilhada “Orelha de Ouro” - que se realizou este sábado na Nazaré - e maior ficou devido às condições climatéricas que se fizeram sentir este fim-de-semana na região Oeste… poucas horas antes tudo estava em "aberto", mas a meio da tarde o tempo melhorou, até abriu o sol, boa temperatura e os aficionados não se fizeram rogados e rumaram até à mítica praça de toiros do Sítio da Nazaré, que na hora em que Álvaro Pequicho tocou o trompete apresentava meia casa, o que é sinal forte que havia um bom registo de aderência do público.


Devido às fortes chuvadas que cairam de véspera as condições da arena não eram as melhores, mas o director da corrida José Soares, em coordenação com a empresa Doses de Bravura, decidiu alterar o “programa", entrando em primeiro lugar os novilheiros.


Abriu a contenda João Mexia que, tal como as restantes figuras do cartel, sentiu as dificuldades do piso, mas mostrou valor e deixou na retina dos presentes excelentes pormenores.


De seguida foi a vez de João Fernandes, vencedor do troféu em 2025, que também passou com nota positiva, embora não fosse esta a "sua tarde" pois logo nos primeiros lances de capote acabou por ser volteado três vezes, felizmente sem consequências por deslizes que não se podem cometer.


Martim Velásquez, que fez a sua estreia na praça da vila piscatória, esteve muito seguro, não cometeu erros, executou uma lide perfeita perante um excelente exemplar da ganadaria Oliveiras, Irmãos, que tal como o quarto novilho que coube em sorte a Rodrigo Lousa, mostrou muita qualidade.


O estreante novilheiro Lousa toureou a gosto, aproveitou com as duas mãos a oportunidade, esteve alegre e no final convidou o ganadeiro Paulo Tomé a compartilhar a volta à arena dividindo os aplausos vindos do público entusiasmado.


Já no que toca a cavaleiros, Luís Pimenta mostrou-se em excelente forma, confirmando que está a atravessar um bom momento, certamente já a pensar na importante corrida de Almeirim (alternativa), esteve desembaraçado, escolheu sempre os terrenos, esteve perfeito na cravagem como na brega transmitindo o seu contentamento às bancadas.


A encerrar a novilhada esteve o "Neto do Campo Pequeno"... João Gregório de Oliveira, um jovem neto de ganadeiro (Francisco Gregório de Oliveira - que reapareceu, graças a Deus, recuperado de um grave problema de saúde), que exerceu durante vários anos as funções de neto nas corridas de gala à antiga portuguesa em Lisboa, que cresceu no meio de cavalos e toiros, apresentou-se bem montado, toureando alegre, ladeando muito bem os cavalos e cumpriu com perfeição a cravagem e a brega do último novilho vindo das terras de Monfortinho - da ganadaria Veiga Teixeira.


As duas pegas dos Amadores de Montemor foram repartidas por Simão Comenda, neto do sempre recordado cernelheiro, com o mesmo nome, que concretizou à segunda tentativa; e a última pertenceu a Francisco Corrêa de Sá, filho do antigo cabo Rodrigo Corrêa de Sá, que se fechou bem à primeira tentativa.


No final, Rui Bento e João Queiroz, responsáveis pela nobre iniciativa, entraram na arena, chamaram os quatro novilheiros a quem dirigiram generosas palavras de apreço pelo progresso nas respectivas carreiras, finalizando com a entrega da “Orelha de Oiuo” a João Mexia.


A corrida foi superiormente dirigida por José Soares, assessorado pelo médico veterinário Miguel Matias.


O público gostou e a organização prometeu reeditar a novilhada em 2027.

Os quatro novilheiros que disputaram a "Orelha de Ouro": João
Mexia (vencedor), João Fernandes, Martim Velásquez e Rodrigo
Lousa








João Mexia




João Fernandes





Martim Velásquez





Rodrigo Lousa deu volta à arena com o ganadeiro Paulo Tomé




Luis Pimenta - a caminho da alternativa!





João Gregório de Oliveira, antigo "neto" das corridas de gala
no Campo Pequeno
Futuras estrelas do GFA de Montemor com o veterano Paulo
Pessoa de Carvalho




Simão Comenda (neto do saudoso forcado do mesmo nome)
fez a primeira pega da novilhada






Segunda pega esteve a cargo de Francisco Corrêa de Sá, filho 
do antigo cado Rodrigo Corrêa de Sé