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| Foram noites de sonho: um ferro à Batista na antiga arena do Campo Pequeno |
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| Luis Miguel da Veiga: vamos amanhã voltar a vê-lo vestido de toureiro e a fazer as cortesias na nocturna do Campo Pequeno |
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| "Nunca fomos rivais", diz Luis Miguel da Veiga (em baixo, à direita). À esquerda, cartaz do primeiro mano-a-mano que disputaram em 1972 em Beja, patente no Museu Mestre Batista em Reguengos de Monsaraz |


José Mestre Batista e Luis Miguel da
Veiga conheceram-se ainda jovens, em Montemor e tornaram-se grandes amigos e
companheiros. A diferença de idades (7 anos), não obstou a que construíssem uma
sólida amizade, baseada no respeito mútuo e no objectivo comum de virem a ser
figuras do toureio, objectivo que ambos conseguiram, marcando uma época que foi
uma autêntica lufada de ar fresco no panorama do toureio a cavalo em Portugal.
"Nunca fomos rivais", fez
questão de salientar Luis Miguel da Veiga, em declarações ao site do Campo Pequeno, a propósito da sua participação na corrida de
homenagem a José Mestre Batista, a realizar amanhã, quinta-feira, dia 9, no
Campo Pequeno, na qual fará as cortesias com o cavaleiro francês Luc Jalabert
(afilhado de alternativa do homenageado). "Nunca tive com o José Mestre
Batista a mínima discussão ao longo das mais de 400 corridas em que partilhámos
cartel, oitenta das quais no Campo Pequeno. Competimos com a máxima lealdade,
cada um expressando, com autenticidade, a sua forma de interpretar e de sentir
o toureio a cavalo", recorda Luís Miguel.
Luis Miguel da Veiga salienta no toureio
de José Mestre Batista a sua forma única e muito pessoal de entrar ao piton
contrário e a exigência no momento da reunião.
"Eram os ferros à Batista, cuja
lembrança ainda hoje perdura na memória de muitos aficionados, quando se vê
citar de praça a praça e aquelas entradas fulgurantes ao piton contrário com as
quais o público tanto vibrava...uma autêntica imagem de marca",
acrescenta.
Luis Miguel da Veiga autodefine-se como
um artista que vivia muito da inspiração momentânea, embora respeitado sempre
os cânones da Arte de Marialva.
"Éramos dois artistas com
personalidades distintas, que se complementavam e aí pode ter estado um dos
factores, se não o principal factor, em que se basearam os êxitos que
conseguimos. Cada um de nós entrava em praça para fazer o seu melhor.
Possuíamos personalidades artísticas bem vincadas e, por paradoxal que possa
parecer, se as diferenças podiam potenciar divisão entre o público, o certo é
que, no final da corrida havia unanimidade quanto à qualidade o espectáculo que
tínhamos proporcionado", recorda.
"Nas décadas de 60 e 70 do século
passado o público entendia o toureio a cavalo de outra maneira e havia coisas
que hoje são permitidas que, na altura, o público não deixava que se fizessem.
Havia uma outra cultura tauromáquica, com um maior conhecimento do campo, do
toiro, do cavalo", diz Luis Miguel da Veiga, que no próximo ano assinalará 50 anos de alternativa.
Possuíam verdadeiras legiões de
seguidores. No final das corridas, a norma era serem submergidos por ondas de
seguidores em busca de um autógrafo, um botão da casaca, uma pluma do
tricórnio. "Um bocadinho de tecido da casaca, uma pluma do tricórnio, um
botão que fosse, eram disputados como verdadeiros troféus entre os espectadores
disputados quase com a fúria de guerreiros, sobretudo pelas fãs que sempre se
acercavam de nós no final das corridas", lembra o Mestre de Montemor.
"Uma vez em Cascais, saímos da praça
escoltados pela Polícia, pois o pessoal queria fechar o edifício e era tal a
multidão que nos pedia autógrafos, que só com a intervenção das autoridades
fomos resgatados", acrescenta.
Ainda falando da relação de ambos com o
público, diz Luis Miguel da Veiga que "foram tempos de grande
espontaneidade, autenticidade e simplicidade. Tudo era muito natural e sem
vaidades. Dar um autógrafo, cumprimentar um cidadão anónimo que nos reconhecia
na rua, era uma acto natural e essa naturalidade, creio, foi muito útil para o
ambiente magnífico de que desfrutámos em praça, onde cada um de nós foi sempre
um artista querido e respeitado".
Questionado sobre o que significa este
seu regresso, amanhã, ao Campo Pequeno, Luis Miguel da Veiga definiu-o assim:
"Cada vez que visto a casaca é uma
emoção indescritível; cada vez que piso a arena do Campo Pequeno é um momento
inolvidável; homenagear o José Mestre Batista e, ainda por cima no Campo
Pequeno, é a maior de todas as emoções".
Fotos Alberto Figueiredo/Arquivo, Luis Azevedo/"Estúdio Z"/Arquivo e M. Alvarenga



