quinta-feira, 9 de julho de 2020

Campo Pequeno: quem é quem na corrida à primeira praça do país


A verdade será conhecida ao final da tarde. Para já, adiantamos as suposições que andam no ar...

Mais logo, depois das 17h30, serão conhecidos os empresários candidatos à realização de seis corridas este ano na praça do Campo Pequeno.
Meia hora antes, termina o prazo para a entrega de candidaturas no âmbito de um segundo caderno de encargos adaptado às circunstâncias que vivemos, elaborado pela empresa Plateia Colossal de Álvaro Covões.
Os potenciais candidatos são praticamente conhecidos, se bem que possam sempre surgir surpresas. Há empresários que mantiveram inalteráveis as propostas que já tinham apresentado em Março, outros que as alteraram e ainda outros que pura e simplesmente recuaram e desistiram de concorrer.
Embora se espere a todo o momento o anúncio oficial das novas normas, rectificadas, da DGS e da IGAC para a reabertura das praças, que permitam já a ocupação de 50% das lotações, a realidade é que até ao dia de hoje ainda se mantêm as anteriores, que apenas permitem uma ocupação de menos de 30% dos recintos.
A Plateia Colossal manteve o preço de aluguer da praça por cada uma das seis corridas previstas (29.850 euros acrescidos de IVA à taxa legal), prevendo um desconto de 25% caso as novas regras para os espectáculos tauromáquicos "continuem a permitir apenas um número de espectadores abaixo dos dois terços da lotação da sala".
Os empresários consideram que o desconto de 25% "é insignificante" mesmo que se possa ocupar 50% do espaço.
Por outro lado, o facto de as seis corridas terem que decorrer no espaço "apertadíssimo" que vai da segunda quinzena de Julho à primeira quinta-feira de Setembro, obriga a que, por exemplo, se realizem três ou mesmo quatro espectáculos em Agosto, que é considerado o mês "menos rentável" para a realização de touradas em Lisboa.
Esses e outros factos fizeram desistir da falada candidatura o empresário António Nunes, que apesar de não ter uma empresa activa, poderia concorrer num grupo empresarial com condições para cumprir o estipulado no caderno de encargos e no qual estaria também o empresário espanhol José Cutiño.
"Primeiro, ficar com a adjudicação das corridas só por um ano é praticamente inviável e não permite fazer um trabalho que dê garantias. Depois, a 'pressão' em que terão que se realizar as seis corridas, obrigando a efectuar várias no mês de Agosto, sabendo-se de antemão que as pessoas estão de férias nesse mês e não vêm às corridas à capital, torna ainda mais inviável o projecto", disse-nos esta manhã António Nunes.
José Manuel Ferreira Paulo (Cachapim), um dos mais antigos empresários tauromáquicos nacionais, tinha já entregue uma primeira proposta em Março, associado a José Luis Zambujeira e em nome da empresa deste. Pode existir ainda um terceiro sócio neste grupo - mas Ferreira Paulo não confirma, nem desmente. O empresário eborense adiantou esta manhã ao "Farpas" que iria ainda decidir (já terá decidido a esta hora) se viria concorrer ou não, mas garantiu: "Se concorrer, é com uma proposta para ganhar. Não gosto de brincar em serviço!".
Outro candidato que em Março também já entregara a sua proposta é Luis Miguel Pombeiro, promotor da primeira corrida de toiros a nível mundial, depois do desconfinamento, no próximo sábado em Estremoz. Associado ao cavaleiro Manuel Jorge de Oliveira, Pombeiro apresentou agora uma nova proposta, mas, ao que apurámos, pode estar excluído pelo facto de ter apresentado um calendário para a realização de corridas que não é aquele que está estipulado no caderno de encargos. O empresário propôs a realização de corridas ainda no mês de Outubro e a empresa já o terá informado de que o período para a realização dos seis espectáculos tauromáquicos tem que ser exactamente aquele que a Plateia Colossal estabeleceu.
Além de qualquer surpresa, que pode sempre acontecer, há ainda a incógnita da candidatura do empresário alentejano Rui Gato Rodrigues, que se disse poder concorrer associado a um grupo espanhol; e as praticamente certas candidaturas dos empresários Rafael Vilhais e Ricardo Levesinho.
Levesinho, reconhecido empresário há mais de dez anos, actual gestor das praças de Vila Franca, Moita, Chamusca e Figueira da Foz, pode concorrer aliado ao conhecido empresário espanhol Carlos Zuñiga, gerente de importantes praças no seu país, entre as quais a de Zaragoza, líder da empresa Circuitos Taurinos.
Zuñiga está em Portugal há três dias e tem-se movimentado com Ricardo Levesinho em sucessivas reuniões com importantes figuras do meio taurino português. É um empresário influente no país vizinho e poderia ser uma mais valia na contratação de figuras do toureio espanhol para Lisboa e até para as outras praças de Ricardo Levesinho.
Rafael Vilhais, por seu turno, continua nos mentideros a ser referenciado como o candidato "mais bem posicionado" neste concurso. Tem, ao que se diz, dois aliados de peso neste projecto: António Manuel Barata Gomes, antigo forcado, proprietário do famosíssimo restaurante "Casa das Enguias" na Lançada e que teve já uma experiência (algo atribulada) como empresário taurino e apoderado de toureiros (no tempo das recordadas "exclusivas"); e José Melo Pinto, o arquitecto aficionado que organizou nos anos 90, com o cavaleiro Rui Salvador, as corridas de toiros em Macau e que se diz ser pessoa "muito próxima" de Álvaro Covões.
Rafael Vilhais, ex-braço-direito do ganadeiro Eduardo Guedes de Queiroz (ganadaria Conde de Cabral), tornou-se empresário há alguns anos e destacou-se com um trabalho brilhante na recuperação de praças que estavam "mortas" e ressuscitaram pela sua mão, caso, por exemplo, da praça de Salvaterra de Magos.
Salvo, repetimos, qualquer surpresa que possa surgir, estes serão, à partida, os candidatos à realização das seis corridas do Campo Pequeno - num ano cheio de incertezas.

Foto M. Alvarenga