Miguel Alvarenga - O caldo está entornado, o baile está armado e este fim de temporada promete alguma agitação depois de hoje terem sido anunciados os habituais prémios que distinguem os triunfadores da Feira Taurina da Moita.
Prémios esses que, como hoje mesmo nos confirmou Pedro Brito de Sousa, presidente da Sociedade Moitense de Tauromaquia (entidade proprietária da praça "Daniel do Nascimento"), foram um ano mais atribuídos "pelo júri da SMT", sem contudo nomear as identidades dos seus componentes...
Pela nossa parte, concordando ou não, sempre respeitámos as opiniões dos jurados. Mas uma coisa é respeitar e aceitar a nomeação deste ou daquele triunfador; e outra é "engolir" (e não reagir) ao escândalo que se verifica este ano. E disso não somos capazes. Não somos de engolir e calar. E é urgente reagir. Passamos a explicar.
O tal júri-mistério da Sociedade Moitense de Tauromaquia, SA, distinguiu João Pombinho, do Grupo de Forcados Amadores da Moita, como autor da melhor pega - estamos de acordo.
Distinguiu Pedro Paulino "China" como autor do melhor par de bandarilhas - estamos de acordo.
E distinguiu Duarte Alegrete como melhor peão de brega - estamos de acordo.
Houve ainda uma Menção Honrosa para o Sr. Padre Nuno Pacheco "pelo seu apoio constante e precioso à tauromaquia e às tradições da nossa terra" - completamente de acordo. O nosso abraço ao Senhor Padre!
Não estamos minimamente de acordo (mas respeitamos) com a distinção do toiro "Enrachado", nº 50 da ganadaria do matador Alejandro Talavante, como "melhor toiro" da feira. Credo!
Mas o mais grave não é a brincadeira de distinguirem um dos "badanos" que Talavante mandou à Moita - eram para ser quatro, dois foram chumbados, vieram outros dois da também ganadaria espanhola La Cercada e foram também chumbados e acabaram por ser dois toiros de Manuel Calejo Pires quem salvou a noite... mas o júri-mistério não deve ter dado por isso...
O mais grave é que no "cartaz" enviado hoje às Redacções pela Sociedade Moitense de Tauromaquia, não há qualquer referência às distinções (habituais) de "melhor cavaleiro" e "melhor matador", nem muito menos ao facto, como nos confirmou Pedro Brito de Sousa, de esses dois prémios terem ficado "desertos"...
A Feira da Moita, como aqui opinei oportunamente, não foi boa, nem foi má, foi assim-assim. Sem o impacto, nem a importância, de outros tempos. Não vou comparar apenas com as grandes feiras montadas pelo sempre lembrado empresário José Lino. Houve também outras grandes feiras promovidas por outros empresários e, nomeadamente, pelo mais recente de todos eles, Ricardo Levesinho.
Mas, boa, má ou assim-assim, a Feira da Moita teve três corridas de toiros, uma mista e duas de cavaleiros, uma de três, outra de seis, em que intervieram oito cavaleiros e dois rejoneadores, num total de dez toureiros a cavalo.
No que aos matadores diz respeito - estiveram Talavante e Tomás Bastos -, não me incomoda nada que o prémio ficasse deserto.
Mas, em dez cavaleiros, não houve um único que se destacasse? Foram todos uma porcaria?...
Não vou dizer que merecia ganhar este ou aquele, até porque só estive presente na primeira corrida - de onde saí completamente convencido de que Miguel Moura era um sério candidato ao prémio. Os outros, não vi, não vou opinar.
Deixar deserto o prémio para o "melhor cavaleiro" e distinguir como "melhor toiro" um badano de Talavante lidado numa mesma corrida em que quem brilhou foram os dois toiros de Calejo Pires, não é, apenas e só, uma perfeita parvoíce e um enorme atestado de ignorância revelado por quem fez de júri.
É, acima de tudo, uma total e completa falta de respeito pelos cavaleiros nacionais, pela tauromaquia e, bem mais grave e preocupante, pela praça de toiros "Daniel do Nascimento" e pela Feira Taurina da Moita.
Os responsáveis por este escândalo "demoliram" a praça da Moita, retiraram-lhe todo o prestígio e acabaram com a sua credibilidade. Riscaram-na do mapa taurino nacional.
Perfeitamente incrível! E lamentável.

