José V. Claro - Não foi boa, nem foi má. Foi um ciclo assim-assim. A Feira da Moita terminou hoje com uma novilhada (de que aqui falaremos amanhã) e ontem foi palco da terceira corrida, com cartel diversificado de seis ginetes. Foi uma feira meio atípica e com uma nota triste: terá sido a última feira de Ricardo Levesinho, empresário que fez história durante duas décadas, que depois "perdeu o pé" e que agora anunciou que se ia embora de vez depois desta última organização, passando a pasta ao seu sócio actual, o antigo forcado José João Carreira.
É pena. Apesar de ter descarrilado há dois anos, não de pode apagar de um dia para o outro o papel que Ricardo Levesinho representou e desempenhou durante vinte anos no mundo tauromáquico português. Se for mesmo embora - fica a recordação, a saudade e o agradecimento pelo muito que fez pela tauromaquia. Com aprumo e seriedade. Com paixão e muita entrega. Mas é sempre tempo de repensar o futuro. E de continuar.
A corrida de ontem foi só mais uma. Lidaram-se seis toiros de Falé Filipe, bem apresentados, de comportamento desigual na generalidade.
Manuel Telles Bastos abriu praça com uma lide em crescendo, com classe e técnica apurada, como é seu timbre. O mexicano Emiliano Gamero animou as hostes com uma lide de grande desenvoltura, emotiva, em perfeita sintonia com o público e, é preciso que se destaque, toureando de verdade. Luis Rouxinol Jr. teve pela frente um toiro "intoureável", fez o que pôde e, perante tal oponente, a mais não era obrigado. O espanhol Andrés Romero toureou o sobrero - porque o seu toiro saíu diminuído -, um toiro sem opções, mas Romero também não estava nos seus dias. Muito bem esteve António Prates, não sendo exagero dizer que foi dele o maior triunfo da noite. E em último actuou António Telles (filho), também em plano superior e de grande categoria, com uma lide em sempre crescendo.
Ou seja, foi uma corrida que se viu, mas que também ninguém perdia nada se não a tivesse visto. Foi apenas só mais uma. E abriu com uma mostra de atrelagem e charretes que demorou quase meia-hora... e não se percebe bem porque razão aconteceu...
Pegaram os forcados Amadores da Moita e Amadores de Coruche. Pelos anfitriões foram forcados de cara João César (à terceira); João Pombinho e Luis Chatinho (ambos à primeira). Pelos coruchenses pegaram Luis Rosado (à segunda); o cabo João Prates e Luis Gonçalves de cernelha; e António Tomás (à segunda).
O facto de ter sido recolhido o toiro de Andrés Romero (que era o terceiro), obrigou a trocar a ordem no que respeita às pegas, uma vez que quem toureou em terceiro lugar foi Rouxinol Jr. e o rejoneador espanhol lidou depois o sobrero em quarto lugar. Assim, os forcados da Moita pegaram os primeiro, quarto e quinto toiros e os de Coruche pegaram o segundo, o quarto e o sexto.
As bancadas da "Daniel do Nascimento" registaram ontem uma ocupação de cerca de meia casa forte.
Ruben Fragoso foi o diligente director de corrida e esteve assessorado pelo médico veterinário José Luis da Cruz.
Fotos Fernando Clemente
| Primeiro toiro foi lidado com verdade e classe por Telles Bastos e pegado à terceira por João César (Moita) |
| Mexicano Emiliano Gamero galvanizou o público no segundo toiro. Pega esteve a cargo de Luis Rosado (Coruche) à segunda |
| Andrés Romero teve um toiro sem classe, mas também não esteve nos seus dias. Pega brilhante de João Pombinho (Moita) à primeira |
| António Prates foi o grande triunfador da noite, com o quinto toiro, pegado por Luis Chatinho (Moita) à primeira |
| António Telles (filho) fechou a noite com uma excelente lide. António Tomás (Coruche) pegou à segunda |
