terça-feira, 12 de março de 2019

Marcos Bastinhas: "Não é fácil ser o Figurão que ele foi, mas tudo farei para honrar a memória de meu pai e o nome Bastinhas nas arenas!"

"O meu pai estará sempre a meu lado!"
Em 2018, ele foi o segundo do escalafón com 31 corridas, a seguir a Luis
Rouxinol, que somou 33. Em baixo, ontem no Restaurante "Rubro" do Campo
Pequeno, com sua Mulher, Dália Madruga, o amigo de sempre João Boto e
Miguel Alvarenga


A mesma alegria, o mesmo fulgor, a mesma arte, as mesmíssimas ganas e o mesmo impacto com o público. Marcos Bastinhas está super moralizado e preparado para dar início à sua campanha de 2019, a primeira em que não terá a seu lado o seu pai e seu mestre, o nosso querido Joaquim Bastinhas. “A vida tem que continuar e vou fazer tudo para honrar o seu nome e conseguir ser, pelo menos, um terço do Figurão e do Homem que ele foi”, afirma o jovem cavaleiro. Confessa que pensou desistir, mas “isso era a última coisa que o meu pai queria”. Os treinos têm-se sucedido, a quadra está em grande forma e o arranque vai ser no dia 31 em Vila Franca, praça onde só toureou há muitos anos e ainda como amador. A palavra a Marcos Bastinhas.

Entrevista de Miguel Alvarenga

- Moralizado e preparado para esta importante temporada?
- Sim, graças a Deus. Muito preparado e também muito moralizado, graças ao grande apoio que tenho tido da minha família, dos meus amigos e do meu apoderado Luis Pires dos Santos, que é um “homem da casa” e com o qual, como meu pai tinha, tenho uma grande amizade e uma confiança enorme. Estamos a delinear a temporada, já há muita corrida agendada, penso que vou fazer entre 30 a 35 corridas, mantendo o mesmo número de actuações habituais. Na última temporada actuei em 31 espectáculos e fiquei em segundo lugar no escalafón, a seguir ao Luis Rouxinol com 33.

- Alguma vez pensaste em desistir, depois da morte de teu pai?
- Confesso que sim. Foram momentos muito tristes e muito difíceis, muito complicados. Perdi o meu mestre, o meu melhor amigo, cheguei a pensar que não era capaz de continuar, mas, volto a dizer, com o enorme apoio da minha família e dos meus amigos, consegui felizmente dar a volta e a vida tem que continuar e sei que o que o meu pai mais queria era que eu continuasse a manter viva a chama e toda a história que ele construiu ao longo de tantos anos.

- Não estiveste no Campo Pequeno no Festival do Dia da Tauromaquia, mas já viste certamente o video da bonita homenagem que todos os toureiros fizeram à memória de teu pai…
- Vi e fiquei muito sensibilizado, ficámos todos. Foi muito bonito e agradeço a todos os que tiveram essa iniciativa.

- Vão-se realizar este ano algumas homenagens mais à memória de teu pai…
- Não queremos que isso se banalize. Tanto eu, como a minha mãe e o meu irmão, decidimos que serão apenas duas as grandes homenagens: a do Campo Pequeno a 6 de Junho e a que depois faremos em Elvas, em duas corridas, pela Feira de São Mateus. Obviamente que pode haver mais uma outra iniciativa noutras praças, de empresas que descerrarão placas de homenagem, mas as duas grandes homenagens à memória de meu pai serão única e exclusivamente as que se vão realizar em Lisboa e em Elvas.

- Já se sabe que serão duas corridas em Setembro em Elvas e que na primeira te encerras com seis toiros. Que mais novidades podes adiantar?
- Serão duas corridas pela Feira de São Mateus em homenagem a meu pai. Na primeira, no sábado, 21, vou encerrar-me com seis toiros e não serão de ganadarias “fáceis”, pelo menos cinco serão de ganadarias duras. O Grupo de Forcados Amadores Académicos de Elvas acompanha-me nessa “encerrona” e vai pegar sózinho os seis toiros. Entre outras iniciativas em torno desses dois acontecimentos vamos lançar um pequeno livrinho, uma brochura ilustrada com texto e muitas fotos sobretudo da carreira de meu pai, para oferecer aos aficionados nas duas corridas. A segunda corrida está programada para sexta-feira, 27, mas pode ser que ainda tenhamos que alterar para 28, não sei ainda, porque a 27 está anunciada uma corrida no Campo Pequeno. Nessa segunda corrida vão participar, a meu lado, cinco cavaleiros veteranos, João Moura, Paulo Caetano, António Telles, Rui Salvador e José Luis Cochicho e dois grupos de forcados que a seu tempo serão anunciados. E gostava muito de poder contar com a presença nas cortesias de algumas figuras já retiradas, tanto de Portugal como de Espanha, que de uma forma ou de outra estiveram ligadas a meu pai e à sua carreira. Haverá ainda outras novidades para essa segunda corrida, que a seu tempo irão ser anunciadas…

- Era bonito que em Setembro o Coliseu de Elvas já fosse o Coliseu Joaquim Bastinhas...
- Era e fazia todo o sentido que a cidade de Elvas prestasse essa grande homenagem a quem tão alto elevou o seu nome. Mas não me compete a mim falar sobre esse assunto, nem muito menos fazer qualquer tipo de pressão por isso. Quem tem que decidir, que decida.

- Entretanto inicias a temporada já no próximo dia 31 em Vila Franca no Festival de despedida de David Antunes.
- Sim, esse será o primeiro espectáculo, com a particularidade de eu nunca ter toureado na praça “Palha Blanco” como profissional. Apenas lá actuei uma vez, há muitos anos, ainda como amador e lidei só “meio toiro” porque toureei a duo. Tenho a maior ilusão em me apresentar numa praça tão histórica e tão carismática e que tem um público entendido e muito aficionado. Vou dar o meu melhor. A seguir toureio uma semana depois, a 6 de Abril, noutro Festival em Barrancos e a primeira corrida formal será a 25 de Abril em Alter do Chão.

- Vila Franca será o teu primeiro espectáculo sem o teu pai a teu lado...
- É claro que não vai ser fácil entrar pela primeira vez numa praça e tourear sem o ter ali comigo. Mas o meu pai estará sempre a meu lado. E conto com o apoio de todos e do púbico para conseguir superar toda a tristeza que certamente vou sentir nesse dia.

- Ou seja, a chama Bastinhas continua acesa…
- E não se apagará! Não é fácil ser como ele foi, nem ser o Figurão que ele foi. Mas vou procurar honrar a sua memória e o seu nome nas arenas da melhor forma.

- Que outros projectos para a temporada 2019?
- Irei a várias praças, estão já muitas corridas agendadas. A 11 de Maio toureio em Moura, irei a Estremoz, à Nazaré, à Idanha, vou tourear numa corrida que se vai efectuar numa praça portátil na Póvoa do Varzim. Vou, como disse, participar no número habitual de corridas e estamos a preparar, para o final do ano, a minha apresentação no México, onde o meu pai toureou também. Eu já toureei quatro anos consecutivos na Venezuela, na Monumental de Mérida, mas ao México nunca fui e é uma grande ilusão que tenho apresentar-me lá. Estamos a preparar tudo.

- O que podem os aficionados esperar de Marcos Bastinhas em 2019?
- O que sempre lhes procurei dar. Muito empenho, muitas ganas de triunfar, muita entrega e, acima de tudo, a certeza de que tudo fazer para honrar o nome Bastinhas e a memória de meu pai. É essa a maior homenagem que lhe posso prestar.

Fotos Florindo Piteira, Emílio de Jesus, Maria Mil-Homens e D.R.